Lula fez o Hino da Independência tocar em dois momentos decisivos da campanha eleitoral: no último ato de campanha na Avenida Paulista, em 24 de outubro, e na celebração da vitória, no dia 25 de outubro, também na mesma avenida. O presidente usou a música para enfatizar que o Brasil não está à disposição de nenhum poder externo. A estratégia visava marcar presença simbólica diante de milhares de apoiadores e de adversários políticos.
Atos de campanha na Avenida Paulista
No sábado, 24 de outubro, o presidente percorreu a Paulista em um trio elétrico acompanhado da primeira-dama Janja e de figuras como Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet. O evento foi descrito como um dos maiores já realizados na avenida, ocupando 14 dos 18 quarteirões disponíveis.
Durante o percurso, o som do Hino da Independência foi acionado por ordem de Lula. A reação inicial do público foi de surpresa, mas rapidamente se transformou em entusiasmo quando o refrão começou.
- Data: 24/10/2022
- Local: Avenida Paulista, São Paulo
- Participantes principais: Lula, Janja, Haddad, Marina Silva, Simone Tebet
- Presença estimada: milhares de apoiadores
O ato foi transmitido ao vivo e ganhou destaque nas redes sociais, gerando milhares de compartilhamentos e comentários sobre o uso do símbolo nacional.
O simbolismo do Hino da Independência
O Hino da Independência foi composto por D. Pedro I em 1822, com letra de Evaristo da Veiga. Originalmente hino nacional até 1831, ele celebra a ruptura com Portugal e a afirmação da soberania brasileira.
Lula explicou que a escolha da música tinha a intenção de lembrar a todos que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. Ao repetir o hino no discurso de vitória no domingo, 25 de outubro, ele reforçou a mensagem de autonomia nacional.
Ao evocar o hino, o presidente buscou conectar seu discurso a um sentimento coletivo de liberdade e identidade, reforçando a ideia de que o país tem direito de decidir seu próprio caminho sem imposições externas.
Debates sobre soberania na campanha
O conceito de soberania tornou‑se ponto de discórdia entre os candidatos. Lula associa soberania à independência política e econômica diante de potências como os Estados Unidos, defendendo que o Brasil pode negociar sem ceder a pressões externas.
Em contraste, Flávio Bolsonaro, do PL, utilizou o termo para abordar segurança pública, argumentando que soberania significa garantir a tranquilidade nas ruas brasileiras.
A cientista política Tathiana Chicarino destacou que ambas as leituras são legítimas dentro do debate democrático, mas apontou que o uso de símbolos nacionais costuma ser instrumentalizado por diferentes campos políticos.
Repercussões e análises de especialistas
Especialistas apontam que o refrão do Hino da Independência, conhecido por todos, confere força ao discurso de Lula, tornando a mensagem mais impactante e de fácil memorização.
Chicarino também ressaltou que patriotismo e defesa da nação não são exclusividade de nenhum grupo ideológico; são temas recorrentes em disputas eleitorais.
Além disso, a presença de símbolos como a bandeira, as cores verde e amarelo e a camisa da Seleção nas manifestações reforça a ideia de que o patriotismo pode ser mobilizado para diferentes fins políticos.
O uso do hino, portanto, funciona como um elo entre a história da independência e os desafios contemporâneos de autonomia, servindo tanto como ferramenta de mobilização quanto como elemento de legitimação política.








