Lula da Silva foi reeleito presidente da República no domingo, 25 de outubro de 2026, ao derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno. A apuração chegou a 99,99% das urnas, consolidando a vitória do petista com 64 milhões de votos contra 59 milhões do candidato do PL. O pleito representou a maior votação presidencial desde a redemocratização, superando inclusive o recorde estabelecido em 2022.
Resultados globais da segunda volta
Com quase a totalidade das cédulas contabilizadas, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou que Lula recebeu 64.000.000 de votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 59.000.000. A margem de vitória ampliou para 4,4 milhões de votos, dobrando a diferença registrada no pleito de 2022, quando a disputa foi decidida por apenas 2,2 milhões de votos.
O número total de eleitores que compareceram às urnas ultrapassou a marca de 123 milhões, indicando um engajamento histórico da população. A taxa de comparecimento chegou a 84,7%, refletindo um clima de alta mobilização política após anos de polarização. Além disso, o índice de abstenção recuou para 15,3%, o menor registrado nas eleições presidenciais brasileiras.
Comparativo regional entre 2022 e 2026
Nas eleições de 2022, o Nordeste foi o único bloco em que Lula venceu, com 69,34% dos votos, enquanto o Sul permaneceu como bastião de apoio a Jair Bolsonaro, que obteve 61,84% dos votos válidos naquela região. Em 2026, a dinâmica regional sofreu alterações significativas, embora o Nordeste tenha mantido a liderança petista.
Os resultados por região neste segundo turno podem ser visualizados na lista a seguir:
- Nordeste: Lula 69,37% – Flávio 30,63%
- Norte: Lula 50,5% – Flávio 49,5% (diferença de cerca de mil votos)
- Centro-Oeste: Flávio 60,01% – Lula 39,99%
- Sul: Flávio 62,58% – Lula 37,42%
- Sudeste: Flávio 52,76% – Lula 47,24%
O Norte, que em 2022 havia sido um território mais dividido, mostrou uma tendência de convergência, com a vitória estreita de Lula. Já o Sul e o Centro-Oeste reforçaram seu caráter conservador, concedendo maior parte dos votos ao candidato do PL. No Sudeste, a disputa foi mais equilibrada, mas ainda assim favoreceu Flávio Bolsonaro.
Essas variações regionais revelam mudanças demográficas, econômicas e de percepção sobre as políticas públicas implementadas nos últimos quatro anos. O aumento da participação de eleitores jovens nas áreas urbanas do Norte e do Nordeste contribuiu para a margem mais estreita ou até mesmo para a virada em favor do petista.
Análise do cenário político e projeções
Especialistas apontam que a ampliação da margem de vitória de Lula está ligada à percepção de estabilidade econômica e ao avanço de programas sociais que foram intensificados durante seu primeiro mandato. Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio Bolsonaro focou na crítica à gestão anterior e na promessa de reformas estruturais, o que encontrou ressonância em regiões mais conservadoras.
Analistas de ciência política também destacam que a polarização entre as bases eleitorais se manteve, mas o número de eleitores indecisos diminuiu, indicando que o eleitorado está cada vez mais consolidado em torno de blocos ideológicos bem definidos.
Nas próximas semanas, o Congresso Nacional deverá iniciar o processo de transição, com a nomeação de ministros e a definição de prioridades de governo. Observa‑se um clima de expectativa quanto à continuidade de políticas de combate à pobreza, à reforma tributária e ao fortalecimento da integração regional.
Ao mesmo tempo, a oposição liderada por Flávio Bolsonaro tem sinalizado a intenção de pressionar a agenda legislativa, especialmente em temas como segurança pública e privatizações. A dinâmica entre o Executivo e o Legislativo deverá ser acompanhada de perto pelos analistas, que temem possíveis impasses que possam retardar a implementação de reformas.
Em síntese, a eleição de 2026 marcou um ponto de inflexão na história política recente do Brasil, consolidando a liderança do PT em nível nacional, ao mesmo tempo em que reforçou a resistência de regiões tradicionais ao projeto de governo de Lula. O futuro imediato do país dependerá da capacidade de diálogo entre os diferentes poderes e da habilidade de transformar promessas eleitorais em políticas efetivas.








