O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York no dia 22 de setembro de 2026 para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas e utilizou o discurso de abertura para cobrar uma atuação mais eficaz da organização frente aos conflitos globais.
Discurso de abertura e críticas ao Conselho de Segurança
Lula destacou que a capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis está em declínio, apontando um “imobilismo” que impede respostas rápidas a crises emergentes. O mandatário brasileiro afirmou que o Conselho de Segurança, principal órgão de decisão sobre paz e segurança, não tem cumprido seu papel histórico.
Segundo o presidente, a falta de ação do colegiado tem consequências diretas na vida de milhões de pessoas afetadas por guerras, deslocamentos e crises humanitárias. Ele reforçou que a organização precisa retomar sua missão de mediação e diálogo, evitando que conflitos se prolonguem.
Propostas de reforma e ampliação da representatividade
Ao analisar a estrutura do Conselho, Lula ressaltou que dos quinze membros, apenas cinco são permanentes e detêm poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Esses países, por vezes, participam direta ou indiretamente de conflitos, o que gera impasses nas decisões.
O presidente propôs mudanças na composição do órgão, sugerindo a inclusão de novas potências regionais para equilibrar a influência. Ele defendeu que países da América Latina, África e outras regiões, atualmente sem assento permanente, deveriam ter voz mais forte nas deliberações.
- Estados Unidos
- China
- Rússia
- França
- Reino Unido
Para Lula, a ampliação da representatividade é essencial para que a ONU consiga responder a crises como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, que têm exposto divergências entre as grandes potências.
Contexto internacional e desafios para a paz
O discurso foi feito em meio a um cenário internacional marcado por múltiplos conflitos que afetam a economia global. A guerra na Ucrânia, por exemplo, tem causado aumentos nos preços de combustíveis, alimentos e fertilizantes, pressionando a inflação em diversas economias.
No Oriente Médio, conflitos persistentes geram crises humanitárias, deslocamentos massivos e dificultam acordos de cessar-fogo. Esses episódios ilustram a necessidade de uma ONU mais ágil e capaz de mediar soluções diplomáticas.
Lula enfatizou que a negociação deve ser o caminho preferencial para encerrar guerras, ao invés da imposição de sanções ou intervenções militares unilaterais. Ele apelou para que os membros do Conselho trabalhem em conjunto, superando o uso do veto quando ele bloqueia iniciativas de paz.
O presidente brasileiro também destacou a importância de fortalecer mecanismos de prevenção de conflitos, como missões de observação, diálogos multilaterais e apoio a sociedades civis. Segundo ele, essas ações podem reduzir a probabilidade de escalada de tensões.
Para ilustrar a urgência da reforma, Lula citou exemplos recentes em que a falta de consenso no Conselho impediu a adoção de resoluções que poderiam ter mitigado crises humanitárias. Ele pediu que os países membros reflitam sobre a responsabilidade coletiva de proteger a vida e a dignidade humana.
Ao final do discurso, Lula concluiu que a ONU deve recuperar sua credibilidade como guardiã da paz, adotando mudanças estruturais que reflitam a realidade multipolar do século XXI. O presidente reforçou que a comunidade internacional tem o dever moral de apoiar essas transformações.
O pronunciamento de Lula na Assembleia Geral reforça a agenda brasileira de promover um sistema internacional mais justo, inclusivo e capaz de responder aos desafios contemporâneos. A expectativa é que a proposta de reforma gere debates intensos nos próximos encontros diplomáticos.








