Na manhã de sexta‑feira, 24 de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi submetido a duas intervenções médicas no Hospital Sírio‑Libanês, em São Paulo. A primeira consistiu na remoção de um carcinoma basocelular no couro cabeludo, e a segunda foi uma infiltração no punho direito para tratar tendinite. Ambas as procedimentos foram classificados como leves e não exigem repouso prolongado.
Carcinoma basocelular: características e riscos
O carcinoma basocelular é o tipo mais frequente de câncer de pele, geralmente associado à exposição solar crônica. Ele afeta as células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme, e costuma aparecer em áreas expostas como cabeça e pescoço.
Segundo a dermatologista Carla Genevcius, o tumor apresenta baixa tendência à metástase, mas pode ser agressivo localmente, exigindo remoção cirúrgica para evitar complicações.
- Manifestações típicas: pápulas peroladas, feridas que não cicatrizam, manchas avermelhadas ou pequenas elevações brilhantes.
- Fatores de risco: exposição acumulada ao sol desde a infância, pele clara, histórico familiar.
- Sintomas de alerta: lesão que cresce lentamente, sangramento ou dor local.
O dano solar é cumulativo: a radiação ultravioleta provoca mutações no DNA das células cutâneas, ativando oncogenes e inibindo genes supressores de tumor. Esse processo costuma ser lento, manifestando‑se na fase idosa do indivíduo.
Procedimento cirúrgico e recuperação
A remoção do carcinoma basocelular segue um protocolo padrão que inclui a excisão da lesão com margem de segurança, garantindo a retirada de tecido saudável ao redor. No caso do presidente, a cirurgia foi realizada em ambiente ambulatorial, sem necessidade de internação.
- Incisão cuidadosa sobre a lesão.
- Escavação da área tumoral com margem de 3‑5 mm.
- Fechamento da ferida com suturas absorvíveis.
- Aplicação de curativo estéril e observação pós‑operatória.
O pós‑operatório foi breve: o presidente recebeu alta no mesmo dia, com orientações para manter o curativo seco e evitar exposição solar direta nas próximas semanas.
Especialistas ressaltam que, apesar da leveza do procedimento, o acompanhamento dermatológico é essencial para detectar recidivas ou novas lesões.
Tendinite e infiltração: alívio imediato
Além da cirurgia, Lula foi submetido a uma infiltração no punho direito para tratar tendinite no polegar. A tendinite é uma inflamação dos tendões que causa dor e limitação de movimento, frequentemente relacionada a esforço repetitivo.
A técnica consiste na injeção de corticoide, anti‑inflamatório ou ácido hialurônico diretamente na região inflamada. O objetivo é reduzir o edema, aliviar a dor e permitir a continuidade da reabilitação.
- Indicação: dor persistente que não responde a repouso, fisioterapia ou medicação oral.
- Benefício imediato: diminuição da inflamação em até 80 % nas primeiras 24 horas.
- Risco mínimo: possíveis efeitos colaterais incluem irritação local ou, raramente, enfraquecimento do tendão.
Segundo o ortopedista José Zabeu, do Hospital Vera Cruz, infiltrações são rotineiramente usadas em casos de tendinite, articulações e bursite, proporcionando alívio rápido e facilitando a retomada de atividades.
Estatísticas, prevenção e cuidados com a pele
Um estudo publicado no JAMA Dermatology revelou que a incidência global de carcinoma basocelular aumentou 61,3 % entre 1990 e 2021. O crescimento está ligado ao envelhecimento da população, maior exposição ao sol e melhor diagnóstico.
Para reduzir o risco, especialistas recomendam medidas simples, mas eficazes:
- Uso diário de protetor solar com FPS 30 ou superior, reaplicado a cada duas horas.
- Uso de chapéus de aba larga e roupas de proteção ao sol.
- Evitar exposição solar intensa entre 10 h e 16 h.
- Realizar autoexames cutâneos mensais e consultar dermatologista anualmente.
- Manter hidratação adequada da pele e evitar tabagismo, que agrava danos UV.
Detectar lesões precocemente é fundamental. Quando uma mancha, pápula ou ferida não cicatriza em três semanas, o ideal é procurar avaliação médica.
O caso do presidente Lula reforça a importância da vigilância constante, mesmo em indivíduos com acesso a cuidados de saúde de alta qualidade. A combinação de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado reduz significativamente a morbidade associada ao carcinoma basocelular.








