Na quinta‑feira, 15 de julho, a propaganda eleitoral gratuita dos candidatos à Presidência da República foi transmitida em horário eleitoral gratuito, trazendo críticas de Luiz Inácio Lula da Silva ao posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre a escala 6×1 e, do lado do candidato do PL, a apresentação de um novo Ministério da Prosperidade.
A peça de Lula, a primeira a ser exibida, enfatizou a importância de manter a escala 6×1 aprovada no Senado e afirmou que apenas o petista tem condições de implantá‑la sem reduzir salários.
Posicionamento de Lula sobre a escala 6×1
Lula acusou Flávio Bolsonaro de ter mudado de opinião sobre a escala 6×1 após pressão direta do presidente e manifestações populares que ocorreram nos últimos dias.
Segundo a propaganda, o candidato do PL pretende rever e derrubar a proposta caso seja eleito, o que contraria o compromisso assumido anteriormente por Flávio.
A mensagem também retomou críticas ao envolvimento de Flávio Bolsonaro com o Banco Master, sugerindo que o empresário tem interesses que conflitam com a política pública.
Além disso, a peça questionou a atuação de Flávio ao longo de sua trajetória política, apontando supostos desvios de conduta e falta de clareza em suas propostas.
Propostas de Flávio Bolsonaro e o Ministério da Prosperidade
O programa de Flávio Bolsonaro foi dedicado à apresentação do Ministério da Prosperidade, um órgão que o candidato pretende criar para impulsionar a capacitação profissional, facilitar o acesso a crédito e incentivar o empreendedorismo.
Flávio assegurou que, sob a gestão da nova pasta, o Bolsa Família será mantido e fortalecido, ampliando a rede de proteção social.
A proposta do Ministério da Prosperidade tem como objetivo principal ampliar oportunidades para que os brasileiros aumentem a renda, estudem, abram negócios e conquistem autonomia financeira.
Entretanto, a criação desse ministério não consta no plano de governo registrado por Flávio Bolsonaro na Justiça Eleitoral, onde ele propõe, ao menos, o corte de dez pastas governamentais.
- Corte de pastas como Cultura, Esportes, Turismo, Ciência e Tecnologia, entre outras.
- Redução de gastos com secretarias consideradas “supérfluas”.
- Reorganização de estruturas para concentrar recursos em áreas estratégicas.
Além do Ministério da Prosperidade, a propaganda apresentou a iniciativa “ViraPix”, que prometia devolver aos consumidores parte do dinheiro gasto em pagamentos, incluindo contas de luz e prestações.
A peça não detalhou como o ViraPix seria implementado e a proposta também não aparece no documento oficial do candidato no Tribunal Superior Eleitoral.
Análise das estratégias de campanha
A campanha de Lula utilizou a propaganda para reforçar sua imagem como defensor da classe trabalhadora, destacando a defesa da escala 6×1 e acusando Flávio Bolsonaro de oportunismo político.
Ao mesmo tempo, a campanha do candidato do PL buscou se diferenciar ao apresentar um projeto de ministério focado em prosperidade econômica, tentando atrair eleitores que priorizam crescimento e geração de renda.
Ambas as peças recorreram a imagens de manifestações recentes, como a depredação de uma estação de metrô em São Paulo, ocorrida no domingo, 11 de julho, para reforçar a narrativa de polarização política.
O uso de imagens de protestos serve para legitimar a própria mensagem de cada candidato, associando o adversário a episódios de violência ou desordem.
Os analistas de mídia apontam que a estratégia de Lula de atacar a postura de Flávio sobre a escala 6×1 pode mobilizar eleitores preocupados com a perda de direitos trabalhistas, enquanto a proposta de Ministério da Prosperidade pode atrair eleitores empreendedores.
Entretanto, a ausência de detalhes concretos sobre a implementação do ViraPix e do Ministério da Prosperidade pode gerar ceticismo entre o eleitorado que busca propostas bem estruturadas.
Os especialistas também ressaltam que a falta de menção ao corte de pastas no plano oficial de Flávio pode enfraquecer a credibilidade da sua mensagem, já que ele promete reduzir o tamanho do Estado, mas não apresenta um caminho claro para isso.
Em resumo, a propaganda eleitoral de ambos os candidatos demonstra como o debate sobre políticas públicas e a retórica de combate ao adversário são fundamentais para a disputa presidencial.
Os próximos dias trarão novos anúncios e ajustes de estratégia, à medida que os candidatos buscam consolidar suas bases e conquistar eleitores indecisos antes do pleito.








