Um estudo científico publicado recentemente revelou que aumentar o tempo de sono REM está associado a uma redução significativa do risco de 83 doenças diferentes. A pesquisa foi conduzida ao longo de quase nove anos, analisando dados de mais de noventa e cinco mil participantes do Reino Unido. Os resultados foram divulgados em 2023 por uma equipe de pesquisadores chineses, reforçando a importância de dormir bem para a saúde física e mental.
Como o estudo foi conduzido
Os cientistas utilizaram a base de dados do UK Biobank, que reúne informações de saúde de centenas de milhares de voluntários britânicos. Cada participante usou, durante sete dias consecutivos, um dispositivo vestível no pulso capaz de registrar os diferentes estágios do sono, como REM, sono leve e sono profundo.
Após o período de monitoramento, os pesquisadores acompanharam os participantes por quase nove anos, verificando a incidência de mais de mil doenças diagnosticadas ao longo desse tempo. Essa abordagem longitudinal permitiu correlacionar a quantidade de tempo gasto em cada fase do sono com o surgimento ou não de condições clínicas específicas.
A análise estatística controlou variáveis como idade, sexo, índice de massa corporal, tabagismo e nível de atividade física, garantindo que os achados fossem atribuídos principalmente ao padrão de sono. Os resultados mostraram que indivíduos que passaram mais tempo em sono REM apresentaram menor probabilidade de desenvolver doenças graves, como Parkinson, demência e insuficiência cardíaca.
Principais descobertas sobre o sono REM e o sono profundo
O sono REM, fase em que ocorrem os sonhos mais vívidos, mostrou uma forte relação inversa com 83 condições de saúde. Quanto maior a proporção de noites em que o REM foi predominante, menor foi o risco de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e metabólicas.
Além do REM, o estudo destacou que o sono profundo, responsável pela restauração física do organismo, também protege contra enfermidades. Participantes com maior tempo de sono profundo apresentaram menor incidência de diabetes tipo 2 e depressão.
A duração total do sono manteve uma correlação importante: quem dormia entre seis e oito horas por noite teve o menor risco global de problemas de saúde. Dormir menos que seis horas aumentou significativamente a vulnerabilidade a doenças físicas e mentais.
Esses achados reforçam a ideia de que não basta apenas a quantidade de horas dormidas; a qualidade e a distribuição dos estágios do sono são cruciais para a prevenção de enfermidades.
Dicas práticas para melhorar a qualidade do sono
Com base nas conclusões do estudo, especialistas recomendam adotar estratégias de higiene do sono que favoreçam tanto o sono REM quanto o sono profundo. A seguir, apresentamos recomendações simples e eficazes:
- Limite o uso de telas eletrônicas pelo menos uma hora antes de se deitar, pois a luz azul suprime a produção de melatonina.
- Mantenha o quarto escuro, silencioso e com temperatura amena (entre 18°C e 22°C) para facilitar a transição para o sono profundo.
- Estabeleça horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana, para regular o relógio biológico.
- Evite refeições pesadas, cafeína e álcool nas horas que antecedem o sono, pois podem fragmentar os ciclos de sono.
- Pratique atividades físicas regularmente, preferencialmente pela manhã ou início da tarde, para melhorar a eficiência do sono.
Incorporar essas práticas ao dia a dia pode ampliar a proporção de sono REM e profundo, potencializando os efeitos protetores observados no estudo. Além disso, a consistência nos hábitos de sono contribui para melhorar a memória, a concentração e o humor.
Vale lembrar que, embora o estudo tenha sido realizado em uma população britânica, os mecanismos biológicos do sono são semelhantes em todo o mundo, tornando as recomendações aplicáveis a diferentes contextos culturais e geográficos.
Para quem já enfrenta problemas de sono crônicos, a consulta com um médico especialista ou um psicólogo especializado em terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) pode ser essencial. O tratamento adequado pode restaurar os estágios de sono e, consequentemente, reduzir o risco de doenças associadas.
Em resumo, a pesquisa evidencia que o sono não é apenas um período de descanso, mas um processo ativo de manutenção da saúde. Priorizar o sono REM e profundo pode ser uma estratégia poderosa e natural para prevenir mais de oitenta doenças graves.








