Em 2027, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) confirmou que as regras de acesso às frisas da Marquês de Sapucaí permanecerão como nos carnavais anteriores. A decisão foi anunciada nesta sexta‑feira, após pressão de órgãos de defesa do consumidor. A mudança afeta principalmente a forma de entrega das pulseiras que garantem a entrada nos boxes.
Como funciona a entrega das pulseiras
Os ingressos comprados em setembro de 2026 via Ticketmaster serão transformados em pulseiras que chegarão antecipadamente aos ocupantes dos boxes. Essa prática já é familiar para quem acompanha o Carnaval há alguns anos, pois evita filas no dia da abertura dos portões. Cada pulseira contém um código único que será escaneado na entrada, garantindo a segurança e o controle de acesso.
A Liesa esclareceu que não será mais exigido que os integrantes de uma mesma frisa compareçam juntos para retirar os acessórios. Cada comprador poderá receber sua pulseira individualmente e repassar aos convidados, conforme a tradição das edições passadas. Essa flexibilização busca atender às demandas de organização dos grupos, que muitas vezes têm membros espalhados pela cidade.
Para quem ainda tem dúvidas sobre o procedimento, a liga disponibilizará um calendário detalhado nos seus canais oficiais. As informações incluirão datas de retirada, pontos de entrega e documentos necessários. A expectativa é que a comunicação clara minimize transtornos e garanta que todos os participantes estejam preparados para o grande dia.
Coleta de dados: a única mudança em estudo
Embora a entrega das pulseiras mantenha o mesmo formato, a Liesa está avaliando uma alteração importante: a coleta de dados de todos os ocupantes das frisas. Até o momento, apenas o comprador original fornecia seus dados pessoais à liga, repassando a pulseira para os demais membros do grupo.
A proposta em análise prevê que cada portador de pulseira também forneça informações como nome completo, CPF e contato telefônico. Essa medida tem como objetivo melhorar a segurança e facilitar a comunicação em caso de eventualidades durante o evento. No entanto, a forma exata de implementação ainda não foi definida.
Para esclarecer o panorama, a Liesa divulgou os seguintes pontos em seu comunicado:
- O cadastro será opcional nas primeiras fases, com possibilidade de obrigatoriedade em etapas posteriores;
- Os dados serão armazenados em plataforma segura, em conformidade com a LGPD;
- Haverá um canal de suporte dedicado para dúvidas sobre o processo de registro.
Essa iniciativa gerou debates entre organizadores, participantes e autoridades, que buscam equilibrar a proteção de dados com a praticidade exigida pelos foliões.
Pressão dos órgãos de defesa do consumidor
Na última semana, a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entrou com ação judicial contra a exigência de retirada conjunta das pulseiras. O argumento central foi que a medida poderia criar obstáculos logísticos e prejudicar o direito de escolha dos consumidores.
Além da Alerj, o Procon‑RJ também enviou ofício à Liesa, solicitando a revisão da política de entrega. Ambos os órgãos ressaltaram a importância de garantir que os participantes possam receber seus acessórios de forma individualizada, sem a necessidade de deslocamento em grupo.
Em resposta, a Liesa afirmou que encaminhará todas as informações solicitadas assim que for notificada formalmente. A liga destacou ainda que está atenta às recomendações dos órgãos e busca soluções que conciliem a segurança do evento com a comodidade dos foliões.
Impactos para os participantes e para o Carnaval
Para os amantes do samba, a manutenção das regras de entrega das pulseiras traz um alívio significativo. A possibilidade de receber o acessório de forma individual evita deslocamentos desnecessários e reduz a chance de perda ou extravio. Além disso, a antecipação da entrega permite que os grupos planejem melhor suas celebrações dentro do Sambódromo.
Por outro lado, a eventual extensão da coleta de dados pode representar um novo desafio. Os participantes precisarão estar atentos aos prazos de cadastro e garantir que suas informações estejam corretas. Caso a obrigatoriedade seja confirmada, a Liesa deverá disponibilizar canais de apoio acessíveis, para que ninguém fique impedido de participar por falhas burocráticas.
Em termos de organização geral, a Liesa e a Ticketmaster continuam trabalhando em conjunto para otimizar o processo. A expectativa é que, ao final das discussões, o Carnaval de 2027 conte com um sistema de acesso mais ágil, seguro e alinhado às exigências legais. Enquanto isso, os foliões podem ficar tranquilos ao saber que a tradição de entrega antecipada das pulseiras permanece, garantindo a magia e a energia que só o Rio de Janeiro oferece durante o maior espetáculo da terra.








