A última atualização da suíte LibreOffice, lançada na semana de 22 de agosto de 2026, trouxe melhorias significativas no tratamento de gráficos originados no Microsoft Office. O anúncio foi feito pela The Document Foundation durante o evento oficial de lançamento da versão 26.8. Essa mudança promete reduzir perdas de informação ao abrir documentos híbridos em diferentes plataformas.
Melhorias no tratamento de gráficos
A nova versão passou a reconhecer seis tipos de gráficos que antes eram ignorados ou removidos ao serem abertos no LibreOffice. Embora ainda não seja possível visualizá‑los na tela, o programa agora preserva seus dados internos, evitando que sejam apagados inadvertidamente durante edições.
Os tipos de gráficos suportados são:
- Gráficos de colunas empilhadas
- Gráficos de linhas com marcadores
- Gráficos de pizza com explosão
- Gráficos de barras horizontais
- Gráficos de área
- Gráficos de dispersão
Ao identificar esses elementos, o LibreOffice grava as informações em seu formato interno, permitindo que o arquivo seja salvo novamente sem perder os objetos originais. Essa estratégia protege o usuário que precisa editar texto ou tabelas, mas não tem necessidade de modificar o gráfico em si.
Além disso, a equipe de desenvolvimento destacou que a preservação ocorre mesmo quando o usuário converte o documento para outros formatos, como PDF ou ODT. O resultado é um arquivo que mantém a integridade visual ao ser reaberto em um aplicativo da Microsoft, enquanto o LibreOffice mantém a estrutura de dados intacta.
Limitações ainda presentes
Apesar do avanço, a suíte ainda não consegue exibir nem editar os gráficos reconhecidos. A visualização permanece vazia, exibindo apenas um espaço reservado onde o objeto deveria aparecer. Essa limitação pode gerar confusão para usuários menos experientes, que esperam ver o conteúdo completo.
Um caso especial envolve os gráficos que utilizam mapas regionais. Esses recursos dependem de extensas bases de dados geográficas que, atualmente, o LibreOffice não consegue importar nem armazenar. Quando um documento contém esse tipo de gráfico, o programa simplesmente omite o elemento, sem qualquer indicação de que ele foi descartado.
Segundo a The Document Foundation, a raiz do problema está no formato proprietário da Microsoft conhecido como chartex, uma extensão do padrão OOXML. Esse subformato não faz parte da norma internacional ISO/IEC 29500, embora seja documentado separadamente pela própria Microsoft. Por não ser padronizado, outras suítes precisam reverter engenharia para entender seu funcionamento.
A fundação argumenta que não há ilegalidade na utilização desse formato, mas que a complexidade deliberada dificulta a implementação por terceiros. Em declarações anteriores, a TDF já criticou a Microsoft por tornar o OOXML excessivamente complexo e por supostamente bloquear a concorrência.
Impacto para usuários e perspectiva futura
Para quem trabalha em ambientes corporativos onde documentos circulam entre diferentes softwares, a atualização representa um ganho de confiabilidade. Um usuário pode abrir uma apresentação no LibreOffice, fazer ajustes de texto ou layout, salvar o arquivo e, ao enviá‑lo de volta para colegas que utilizam o Microsoft Office, o gráfico permanecerá intacto.
Essa interoperabilidade reduz o risco de perda de informações críticas, como dados financeiros inseridos em gráficos de barras ou tendências mostradas em linhas. Além disso, a preservação automática elimina a necessidade de copiar manualmente objetos gráficos para evitar sua exclusão acidental.
O recorde de downloads atingido na semana de lançamento da versão 26.8 indica que a comunidade está atenta a essas melhorias. A mesma atualização trouxe avanços no Writer, como suporte a novas fontes tipográficas e recursos de acessibilidade, bem como no Calc, que agora permite criar e editar scripts em Python sem necessidade de extensões adicionais.
Especialistas de SEO e copywriting apontam que a maior adoção do LibreOffice pode influenciar positivamente a produção de conteúdo web, já que a suíte oferece ferramentas gratuitas e de código aberto para criação de documentos otimizados. A capacidade de manter gráficos sem corromper arquivos aumenta a confiança de profissionais que dependem de relatórios visuais para campanhas de marketing.
Nos próximos meses, a The Document Foundation pretende focar no desenvolvimento de um renderizador próprio para os gráficos reconhecidos. Essa iniciativa exigirá colaboração com a comunidade de desenvolvedores e possivelmente a criação de bibliotecas de código aberto que interpretem o formato chartex.
Enquanto isso, a recomendação da fundação para usuários que necessitam editar gráficos complexos é abrir o documento em um aplicativo da Microsoft ou converter o gráfico para um formato padrão, como SVG ou PNG, antes de inseri‑lo novamente. Essa prática garante que a aparência visual seja mantida, mesmo que o LibreOffice não ofereça suporte total.
Em resumo, a atualização 26.8 marca um passo importante rumo à compatibilidade entre suítes de escritório, embora ainda haja desafios técnicos a serem superados. A comunidade espera que, com o tempo, a barreira de visualização seja derrubada, permitindo que o LibreOffice ofereça uma experiência completa tanto na leitura quanto na edição de gráficos do Microsoft Office.

26 anos, programador, músico.
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