A Leapmotor lançou no Brasil a versão híbrida do B10, denominada REEV, com preço de R$ 179.990. O modelo foi apresentado em julho de 2026, em São Paulo, e traz uma proposta inovadora para quem busca maior alcance sem abrir mão da eletricidade.
Entendendo a tecnologia REEV
O termo REEV significa Vehicle Electric with Extended Range, ou veículo elétrico de autonomia estendida. Diferente dos híbridos convencionais, o motor a combustão do B10 não aciona as rodas. Ele funciona exclusivamente como gerador, recarregando a bateria que alimenta o motor elétrico.
Essa arquitetura “às avessas” permite que o carro mantenha a experiência de condução totalmente elétrica enquanto oferece a tranquilidade de um tanque de gasolina para percursos mais longos. Quando a bateria se esgota, o motor 1.5 aspirado entra em ação, produzindo energia elétrica que recarrega a bateria em tempo real.
Especificações técnicas e desempenho
O B10 REEV possui um motor elétrico de 218 cv instalado no eixo traseiro, entregando 24,5 kgfm de torque. A bateria de 18,8 kWh garante até 68 km de deslocamento em modo puramente elétrico, ideal para deslocamentos urbanos.
Com o tanque cheio e a bateria carregada via plug‑in, a autonomia total anunciada chega a impressionantes 900 km. Esse número coloca o modelo entre os veículos híbridos plug‑in mais capazes do mercado brasileiro.
Os tempos de recarga são competitivos: em carregadores rápidos de 46 kW, a bateria passa de 30 % para 80 % em apenas 18 minutos. Em carregadores lentos de 6,6 kW, o processo leva cerca de 3 horas e 30 minutos.
Equipamentos e conforto interior
Embora a motorização seja a principal novidade, o interior do B10 REEV mantém a mesma proposta do modelo 100 % elétrico, com poucos ajustes para acomodar o sistema híbrido. Os principais itens de série incluem:
- Display digital de 12,3 polegadas com integração Android Auto e Apple CarPlay.
- Sistema de som premium com 8 alto-falantes.
- Assistente de condução avançado com controle de cruzeiro adaptativo.
- Ar‑condicionado automático dual zone.
- Banco do motorista com ajuste elétrico de 6 posições.
Além desses, o B10 REEV traz iluminação interna em LED, painel de instrumentos totalmente digital e um conjunto de sensores de estacionamento dianteiro e traseiro.
Posicionamento de mercado e concorrência
O lançamento do B10 REEV ocorre em um momento em que os consumidores brasileiros demonstram forte preferência por veículos híbridos plug‑in. Entre janeiro e agosto de 2026, esses modelos representaram 64 % das vendas de veículos elétricos, superando os híbridos convencionais, que ficaram com 37 %.
Mesmo com um preço semelhante ao do C10 híbrido, o B10 REEV enfrenta concorrência de marcas como BYD, que lidera o segmento com o modelo Song. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o C10 vendeu apenas 8 % do volume registrado pela BYD Song nos primeiros nove meses de 2026.
Entretanto, a proposta de autonomia estendida pode atrair compradores que ainda têm receio de depender exclusivamente de estações de recarga. A capacidade de percorrer até 900 km sem precisar recarregar a bateria oferece um diferencial importante frente a concorrentes que ainda dependem de baterias menores.
Perspectivas para o futuro da Leapmotor no Brasil
A entrada do B10 REEV no mercado brasileiro reforça a estratégia da Leapmotor de ampliar seu portfólio com soluções híbridas. A empresa busca ganhar fôlego contra rivais chinesas como a BYD e a Nio, que já consolidam presença significativa no país.
Com a expansão da rede de eletropostos e incentivos fiscais para veículos de baixa emissão, a expectativa é que a demanda por modelos REEV continue a crescer. A Leapmotor pretende, ainda, adaptar a tecnologia para futuros lançamentos, potencializando a eficiência energética e reduzindo o consumo de combustível.
Em resumo, o Leapmotor B10 REEV oferece uma combinação rara no mercado nacional: um carro elétrico com a tranquilidade de um motor a combustão que funciona como gerador. Essa solução pode ser a chave para ampliar a aceitação dos veículos elétricos entre os brasileiros que ainda consideram a autonomia um obstáculo.








