A Justiça Eleitoral adotará a tecnologia de comunicação via satélite da Starlink para transmitir os resultados das Eleições de 2026, a partir do término da votação, em todo o território nacional, especialmente nas regiões sem infraestrutura convencional de telecomunicações.
Como funciona a transmissão via satélite
Os terminais de comunicação serão instalados nas seções eleitorais que não contam com acesso à internet de alta velocidade. Cada equipamento captura o Boletim de Urna, assina digitalmente o arquivo e o envia imediatamente para os servidores centrais do TSE por meio da rede de satélites Starlink.
Esse processo ocorre depois que os eleitores encerram a votação, garantindo que a coleta dos dados não interfira no funcionamento das urnas eletrônicas. A transmissão via satélite não substitui a tecnologia de votação, mas complementa a etapa de apuração.
Para viabilizar a operação, o TSE firmou contrato com a Hughes Telecomunicações do Brasil, responsável por fornecer os terminais e a integração com a infraestrutura da Starlink. As equipes de apoio utilizam antenas portáteis tipo Starlink Mini, conectadas a notebooks robustos que operam em ambientes adversos.
Distribuição dos terminais por estado
O plano prevê a alocação de mais de mil unidades, distribuídas estrategicamente para cobrir áreas de difícil acesso. Cada estado recebeu uma quantidade específica de terminais, de acordo com a extensão territorial, a densidade populacional e as condições de conectividade.
- Amazonas – até 350 terminais
- Pará – até 350 terminais
- Mato Grosso – 117 terminais
- Acre – 91 terminais
- Roraima – 60 terminais
- Maranhão – 60 terminais
- Amapá – unidades previstas
- Mato Grosso do Sul – unidades previstas
- Goiás – unidades previstas
- Piauí – unidades previstas
- Bahia – unidades previstas
- Paraná – unidades previstas
- São Paulo – unidades previstas
- TSE – 2 unidades próprias
Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) são responsáveis por definir os pontos exatos de instalação, levando em conta fatores geográficos, operacionais e de telecomunicações. Em áreas como ilhas, comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas, a presença de um terminal Starlink pode reduzir drasticamente o tempo de transmissão dos boletins.
No Maranhão, por exemplo, 66 locais de votação distribuídos em 22 municípios utilizarão a solução satelital. As equipes levarão antenas Starlink Mini e notebooks, que, após a geração do Boletim de Urna, enviarão os dados ao centro de totalização em tempo real.
Impacto na rapidez da apuração
Antes da adoção da tecnologia satelital, os boletins de regiões isoladas precisavam ser transportados fisicamente até pontos de conexão, o que atrasava a consolidação dos resultados. Com a transmissão via satélite, o prazo entre o fechamento da votação e a disponibilização dos números oficiais pode ser reduzido de horas para poucos minutos.
Essa agilidade beneficia não apenas os eleitores, que recebem informações mais rápidas, mas também os candidatos e a imprensa, que podem analisar o desempenho nas áreas remotas quase que simultaneamente ao restante do país.
Além da velocidade, a solução traz maior segurança, pois os arquivos são assinados digitalmente antes da transmissão, dificultando qualquer tentativa de adulteração. O protocolo de criptografia utilizado pela Starlink garante a integridade dos dados durante todo o percurso.
Os resultados das Eleições 2026 serão divulgados pelos sistemas oficiais do TSE a partir das 17h (horário de Brasília). O primeiro turno ocorre em 4 de outubro, e, se necessário, o segundo turno será realizado em 25 de outubro. O público poderá acompanhar a totalização em tempo real por meio do site oficial, do aplicativo de resultados do TSE e de aplicativos de terceiros, como o Apuração Dinâmica, que oferece visualizações adaptadas para a Dynamic Island do iPhone.
Ao integrar a tecnologia Starlink, a Justiça Eleitoral demonstra um compromisso com a inovação e a inclusão digital, garantindo que nenhuma parte da população fique à margem do processo democrático por falta de infraestrutura de comunicação.
Essa iniciativa também abre caminho para futuras aplicações de satélites em outros serviços públicos, como a coleta de dados de saúde em áreas remotas, o monitoramento ambiental e a educação a distância.
Em resumo, a combinação de terminais de comunicação avançados, contratos estratégicos com provedores de tecnologia e a coordenação entre os diferentes níveis da Justiça Eleitoral cria um ecossistema robusto capaz de transformar a forma como o Brasil conduz suas eleições.








