A irmã de Kim Jong-un, Kim Yo-jong, declarou nesta quinta‑feira, 17 de setembro, que a Coreia do Norte não abrirá mão de seu arsenal nuclear, classificando como “idiotas” quem ainda espera a desnuclearização. A fala foi feita durante a Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, e reforça a postura intransigente do regime.
Posicionamento oficial no encontro da AIEA
Kim Yo-jong utilizou a ocasião para reafirmar que o status nuclear da República Popular Democrática da Coreia é “absoluto” e “irrevogável”. Ela destacou que o arsenal serve como ferramenta de dissuasão contra “atos ultrajantes” de forças estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos e de seus aliados.
Segundo a declaração divulgada pela agência estatal KCNA, o discurso sobre desnuclearização é descrito como “familiar” e incapaz de mudar a realidade consolidada do país, tanto “fisicamente” quanto “legalmente”. A autoridade ressaltou que o regime incorporou o status nuclear à sua legislação, tornando‑o permanente.
Contexto histórico e repercussões recentes
O posicionamento de Kim Yo-jong chega após a falha da segunda cúpula entre Kim Jong-un e o presidente americano Donald Trump, em 2019. Naquela ocasião, o impasse sobre concessões norte‑coreanas impediu qualquer acordo de redução do programa nuclear.
Desde então, Pyongyang tem ampliado suas capacidades militares, realizando lançamentos de mísseis balísticos e testes de armas avançadas. No sábado, 12 de setembro, o país lançou vários mísseis de curto alcance a partir da costa de Wonsan, atingindo cerca de 250 quilômetros antes de cair no mar.
O Estado‑Maior Conjunto da Coreia do Sul informou que elevou o nível de vigilância e manteve intercâmbio de informações com os Estados Unidos e o Japão. O Comando do Pacífico americano, por sua vez, afirmou que os lançamentos não constituíram ameaça imediata ao território americano ou de seus aliados.
Dimensões do arsenal nuclear norte‑coreano
As estimativas sobre o número de ogivas nucleares em Pyongyang divergem. O ex‑presidente Donald Trump afirmou recentemente que a Coreia do Norte possui 57 armas nucleares “muito poderosas”. Autoridades sul‑coreanas, entretanto, calculam que o número real pode variar entre 80 e 120 dispositivos.
Essas disparidades refletem a dificuldade de obter dados precisos sobre um regime fechado e altamente secreto. Analistas apontam que a produção de material fissil e a modernização de sistemas de entrega indicam uma capacidade de destruição crescente.
- Arsenal estimado entre 80 e 120 ogivas
- Capacidade de entrega via mísseis balísticos de alcance intermediário
- Desenvolvimento de tecnologia de reentrada avançada
O fortalecimento do programa nuclear ocorre paralelamente a uma retórica cada vez mais agressiva, que busca legitimar a posse de armas como garantia de soberania e segurança nacional.
Reações internacionais e perspectivas futuras
Os aliados dos Estados Unidos na região, como a Coreia do Sul e o Japão, condenaram os lançamentos recentes e reforçaram a necessidade de uma resposta coordenada. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul acusou Pyongyang de “provocação deliberada” e pediu sanções adicionais.
Nos corredores diplomáticos, a comunidade internacional permanece dividida entre a busca por negociações e a imposição de pressão econômica. Enquanto alguns países defendem o retorno à mesa de negociações, outros argumentam que a postura inflexível de Pyongyang torna inviável qualquer avanço significativo.
Entretanto, a declaração de Kim Yo-jong deixa claro que, ao menos no curto prazo, o regime não pretende abrir espaço para concessões. A estratégia parece focada em consolidar o status nuclear como pilar da identidade nacional e como moeda de troca em futuras negociações.
Em síntese, a mensagem transmitida em Viena reforça a percepção de que a Coreia do Norte continuará a investir em sua capacidade nuclear, independentemente das pressões externas. Enquanto isso, a comunidade internacional deverá equilibrar a necessidade de contenção com a busca por canais de diálogo que evitem uma escalada ainda maior.








