Na manhã da sexta‑feira, 23 de outubro, autoridades militares do Irã anunciaram que o país está pronto para enfrentar novos ataques dos Estados Unidos, após declarações do ex‑presidente Donald Trump que sugeriram a possibilidade de retomar bombardeios depois das eleições de meio de mandato nos EUA.
A escalada de retórica entre Washington e Teerã
O comandante‑chefe do Exército iraniano, major‑general Amir Hatami, afirmou à imprensa estatal que o Irã “alcançou um nível significativo de maturidade na tecnologia de drones e em sistemas não tripulados”. Ele destacou que essa maturidade coloca o país em “posição melhor” para lidar com eventuais ofensivas americanas. A declaração veio logo após Trump insinuar que Washington poderia reconsiderar a política de bombardeios caso a situação interna dos EUA se estabilize.
Na mesma linha, Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, reiterou que o Irã tem a capacidade de operar mísseis e drones de forma contínua. Em entrevista por escrito ao portal Drop Site, Rezaei respondeu afirmativamente ao questionamento sobre a continuidade das operações militares. Ele ainda alertou que o Irã está preparado para conduzir ações assimétricas contra alvos estratégicos.
O Pentágono, por sua vez, divulgou uma lista de possíveis alvos iranianos que inclui instalações nucleares, bases de mísseis e infraestruturas petrolíferas. Segundo fontes americanas, a ofensiva planejada teria início após as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Essa divulgação aumentou a tensão já existente na região do Golfo Pérsico.
Capacidades militares que o Irã destaca
Hatami enfatizou que o desenvolvimento de drones tem sido prioridade estratégica para o Exército iraniano nos últimos anos. O país investiu em sistemas de controle remoto, sensores avançados e plataformas de lançamento autônomas. Essas inovações permitem ataques de precisão contra alvos de alta importância sem risco direto para os operadores.
Além dos drones, o Irã tem ampliado seu arsenal de mísseis balísticos de médio e longo alcance. As forças armadas iranianas realizaram testes recentes que comprovaram a eficácia de novos estágios propulsores. Essa capacidade de alcance aumenta a zona de influência do Irã e coloca em risco instalações militares dos EUA e de seus aliados na região.
Rezaei também mencionou a intenção de empregar ataques cibernéticos como parte da estratégia de guerra assimétrica. O Irã tem desenvolvido unidades especializadas em sabotagem de redes de comunicação, data centers e sistemas de inteligência artificial. O objetivo, segundo ele, é desestabilizar a infraestrutura tecnológica dos adversários sem necessidade de confrontos diretos.
Planos de ataque e respostas regionais
Na quinta‑feira anterior, Rezaei prometeu que, caso os Estados Unidos e Israel retomassem bombardeios, o Irã atacaria instalações petrolíferas, cabos submarinos, data centers e centros de IA em até sete países do Golfo. Ele enumerou os alvos potenciais em uma lista que inclui:
- Instalações de refino e exportação de petróleo;
- Cabeamento de fibra óptica submarino que liga o Oriente Médio à Europa;
- Centros de processamento de dados que suportam serviços de nuvem;
- Plataformas de inteligência artificial usadas por agências de segurança;
- Instalações militares estratégicas em países aliados dos EUA.
Israel, por sua vez, já teria preparado planos de ataque contra o Irã no início de outubro, segundo reportagem do Financial Times. Três fontes próximas ao assunto relataram que as Forças de Defesa de Israel (IDF) estavam prontas para lançar operações no fim de semana de 10 de outubro, mirando instalações nucleares e infraestrutura civil iraniana. No entanto, Trump teria se oposto a uma retomada total dos combates antes das eleições americanas.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, se reuniu com o primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para discutir uma possível ação conjunta. Washington também intensificou sua presença militar no Oriente Médio, planejando mobilizar três porta‑aviões, milhares de fuzileiros navais e caças até o início de novembro. Essa movimentação visa dissuadir qualquer escalada militar por parte do Irã ou de seus aliados.
Impactos econômicos e políticos
A guerra no Oriente Médio, que se intensificou em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, tem provocado alta nos preços dos combustíveis globais. A instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de comércio de petróleo, eleva o risco de interrupções no fornecimento. Além disso, os confrontos entre os rebeldes houthis do Iêmen e a Arábia Saudita aumentam a volatilidade na região.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão para encerrar um conflito impopular. As pesquisas de opinião mostram que sua aprovação caiu a níveis historicamente baixos. O Partido Republicano teme que a continuidade da guerra possa prejudicar sua performance nas eleições de meio de mandato, especialmente entre eleitores indecisos.
Em sua rede social Truth Social, Trump escreveu que não haverá novos ataques ao Irã antes das eleições de meio de mandato. Ele ressaltou que Washington mantém “conversas produtivas” com Teerã, embora não tenha detalhado o conteúdo dessas negociações. Essa mensagem visa acalmar os mercados financeiros e reduzir a ansiedade dos eleitores sobre um possível novo envolvimento militar.
Analistas de política externa apontam que a postura de Trump pode ser estratégica, buscando evitar uma escalada que poderia comprometer a campanha republicana. Ao mesmo tempo, o Irã usa a retórica de capacidade militar como ferramenta de negociação, tentando extrair concessões dos EUA. O equilíbrio entre demonstração de força e diplomacia permanece delicado e pode definir o rumo da região nos próximos meses.








