Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e divulgada nesta quinta-feira (23) revelou as intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento, que entrevistou 2.002 eleitores em todo o país entre os dias 22 e 23 de setembro, apontou que o ex‑presidente Lula tem 40% das preferências, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%.
Distribuição das intenções por região
Os resultados variam significativamente de acordo com a região geográfica. No Sul, o candidato do PL registra vantagem sobre o ex‑presidente, enquanto no Nordeste o percentual de apoio ao PT permanece superior.
Na região Sudeste, a disputa está mais equilibrada, com diferenças que ainda podem ser revertidas até o segundo turno. O Centro‑Oeste apresenta um cenário ainda mais apertado, com margens de menos de dois pontos entre os dois principais candidatos.
Já no Norte, a preferência por Lula supera a de Flávio Bolsonaro em cerca de quatro pontos percentuais, refletindo a tradicional afinidade da região com políticas de inclusão social.
Essas variações regionais são fundamentais para entender a estratégia de campanha dos candidatos, que ajustam suas mensagens de acordo com as demandas locais.
O levantamento ainda indica que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos, o que coloca a diferença entre os dois líderes dentro do limite estatístico.
Perfil dos eleitores: gênero, idade e escolaridade
Ao analisar o comportamento dos eleitores por gênero, a pesquisa mostra que as mulheres tendem a favorecer mais o candidato do PT, enquanto os homens apresentam uma leve preferência por Flávio Bolsonaro.
Na faixa etária, os jovens de 18 a 29 anos demonstram maior apoio ao candidato do PL, com 38% das intenções, enquanto o grupo de 60 anos ou mais favorece o ex‑presidente com 44%.
Quando se observa a escolaridade, eleitores com ensino superior completo dão vantagem a Lula, registrando 42% de intenção, ao passo que aqueles com ensino médio completo ou inferior se inclinam mais para Flávio Bolsonaro, que acumula 38%.
Além desses fatores, a renda familiar também influencia o comportamento eleitoral. Eleitores com renda familiar acima de cinco salários mínimos apresentam uma leve vantagem para o candidato do PT, enquanto a classe de baixa renda ainda mantém uma preferência por Flávio Bolsonaro.
Esses dados sugerem que a campanha deve considerar não apenas a localização geográfica, mas também as características demográficas para definir suas estratégias de comunicação.
Análise dos candidatos de menor expressão
Além dos dois líderes, a pesquisa traz informações sobre outros candidatos que ainda ocupam espaço no cenário eleitoral.
- Augusto Cury (Avante) – 5%
- Ronaldo Caiado (PSD) – 4%
- Renan Santos (Missão) – 3%
- Romeu Zema (Novo) – 1%
Embora esses percentuais pareçam modestos, eles podem ser decisivos em um eventual segundo turno, caso algum dos candidatos de ponta seja eliminado.
O candidato do Avante, por exemplo, tem conquistado eleitores indecisos nas capitais do Sul, graças a uma campanha focada em saúde mental e educação.
Ronaldo Caiado, tradicional figura do agronegócio, mantém apoio consistente nas áreas rurais do Centro‑Oeste, onde a pauta da agricultura é central.
Renan Santos, do partido Missão, tem ganhado tração entre eleitores evangélicos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, graças a discursos que enfatizam valores familiares.
Já Romeu Zema, representante do Novo, ainda não conseguiu expandir significativamente sua base, permanecendo concentrado em algumas cidades do Sudeste.
É importante notar que, apesar das diferenças de percentual, a soma desses candidatos pode representar um bloco de eleitores que, no segundo turno, será decisivo para o candidato vencedor.
Implicações para a campanha e próximos passos
Com a margem de erro tão estreita, os candidatos ainda têm espaço para ajustar suas estratégias de comunicação e mobilização. A campanha de Lula, por exemplo, tem intensificado visitas a estados do Centro‑Oeste, buscando reduzir a diferença nas áreas onde Flávio Bolsonaro tem vantagem.
Por outro lado, a equipe de Flávio Bolsonaro tem investido em anúncios digitais direcionados a eleitores jovens nas grandes metrópoles, tentando ampliar seu apoio entre o público que ainda está indeciso.
Os analistas políticos ressaltam que a proximidade dos números indica que o debate público continuará acirrado nas próximas semanas, com foco em temas como economia, segurança pública e políticas sociais.
Além disso, a pesquisa destaca a importância de fatores como identificação política, religião e cor da pele, que ainda não foram detalhadamente divulgados, mas que podem influenciar o comportamento do eleitorado.
Em síntese, o cenário está aberto e as próximas sondagens poderão mudar o panorama, sobretudo se houver eventos inesperados que mobilizem a opinião pública.
Os eleitores, por sua vez, continuam acompanhando de perto as propostas e promessas de cada candidato, cientes de que o voto no primeiro turno definirá os caminhos da disputa no segundo turno.








