A diretora‑geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou nesta segunda‑feira (12) que a inteligência artificial (IA) pode impactar até 40% dos empregos no mundo, durante as reuniões anuais da instituição e do Banco Mundial em Bangkok, Tailândia. O alerta destaca tanto o potencial de crescimento econômico quanto os desafios para a geração de vagas de entrada, especialmente para jovens recém‑formados. A análise do FMI aponta ainda que nas economias avançadas o efeito pode chegar a 60%.
Impactos da IA no mercado de trabalho global
Georgieva descreveu a transformação como um “tsunami de movimento lento”, indicando que a adoção crescente de IA alterará gradualmente a forma como as tarefas são executadas. Em funções altamente repetitivas, a automação tende a substituir o trabalho humano, reduzindo a necessidade de mão‑de‑obra tradicional.
Ao mesmo tempo, surgem novas oportunidades em áreas que demandam habilidades técnicas avançadas, como desenvolvimento de algoritmos, manutenção de infra‑estrutura de dados e análise de grandes volumes de informação. Contudo, a transição pode ser dolorosa para quem ainda não possui essas competências.
Os principais efeitos apontados pelo FMI incluem:
- Aumento da produtividade em setores que adotam IA;
- Redução da importância de funções rotineiras;
- Eliminação de postos de trabalho que dependem exclusivamente de tarefas repetitivas;
- Criação de vagas em áreas de alta qualificação, porém com salários inicialmente mais baixos.
Um estudo preliminar citado por Georgieva revelou que 10% dos empregos nos Estados Unidos já exigem conhecimentos básicos em IA, indicando que a tendência já está em curso nos mercados mais desenvolvidos.
Consequências para jovens profissionais e países emergentes
Uma das maiores preocupações é a diminuição das vagas de entrada, tradicionalmente ocupadas por recém‑formados que iniciam suas carreiras em funções operacionais. Com a automação desses cargos, os jovens podem encontrar maior dificuldade para conseguir o primeiro emprego e construir uma trajetória profissional sólida.
Tharman Shanmugaratnam, presidente de Singapura, reforçou a necessidade de políticas públicas que preparem os jovens para a nova realidade, destacando que a queda na demanda por profissionais iniciantes pode ampliar as desigualdades sociais.
Além do desafio de qualificação, há o risco de ampliação das disparidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Enquanto as economias avançadas investem em grandes modelos de IA, os países emergentes podem ficar à margem se não adotarem estratégias adequadas.
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, apresentou uma visão mais otimista, argumentando que a IA não eliminará totalmente os empregos de início de carreira, mas exigirá adaptações nos currículos e nos programas de treinamento.
Para os países emergentes, Banga sugeriu a adoção de sistemas de IA menores, que demandam menos capacidade de processamento e podem ser integrados mais rapidamente à realidade local.
Perspectivas de crescimento econômico impulsionadas pela IA
Apesar dos riscos, o FMI destaca que os investimentos em IA são fundamentais para sustentar o crescimento econômico global, especialmente diante de desafios como a escassez de energia. A projeção de crescimento global para 2026 foi ajustada para 3,1%.
Na Ásia, a expansão dos investimentos em IA pode elevar o crescimento das economias avançadas em 0,5 a 1 ponto percentual, e das economias emergentes em 0,2 a 0,8 ponto percentual. Essa diferença, ainda que pareça pequena, representa bilhões de dólares em produção adicional.
Os benefícios econômicos decorrem tanto do aumento da demanda por serviços digitais quanto dos investimentos necessários para construir a infraestrutura de IA, que inclui servidores, data centers e equipamentos de rede de alta velocidade.
Os data centers, em particular, têm experimentado crescimento acelerado, gerando novos empregos, embora muitas dessas vagas sejam de remuneração mais baixa e exijam habilidades técnicas específicas, como gerenciamento de hardware e segurança da informação.
Além dos aspectos macroeconômicos, a IA pode melhorar a arrecadação de impostos ao ampliar a base tributária de setores tecnológicos e ao possibilitar sistemas de fiscalização mais eficientes.
Entretanto, para transformar esses potenciais benefícios em realidade, os governos precisam investir em educação, capacitação e políticas de apoio à inovação. Programas de requalificação, parcerias entre universidades e empresas de tecnologia e incentivos fiscais são algumas das medidas recomendadas.
Em síntese, a mensagem do FMI é clara: a IA traz oportunidades de crescimento, mas também exige preparação cuidadosa para mitigar os impactos sociais e garantir que a transição seja inclusiva.
Os próximos anos serão decisivos para definir como os mercados de trabalho se adaptarão a essa revolução tecnológica. A colaboração entre setor público, privado e instituições de ensino será crucial para que a força de trabalho global esteja pronta para os desafios e oportunidades que a IA apresenta.








