O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou, em julho de 2024, durante a reunião anual em Bangcoc, a revisão da taxa de crescimento esperada para a economia mundial em 2026, que passa de 3,0% para 3,1%. A atualização foi motivada pelos investimentos robustos em inteligência artificial (IA), que vêm compensando parcialmente os efeitos da guerra no Oriente Médio e da alta dos preços do petróleo.
Impacto da IA nas projeções do FMI
Segundo o relatório “Perspectiva Econômica Global”, o avanço das tecnologias de IA tem gerado um impulso significativo na demanda por infraestrutura digital, elevando a produtividade em setores que antes eram pouco automatizados. Essa dinâmica foi suficiente para melhorar a previsão de crescimento global em 2026, ainda que o número continue abaixo dos 3,5% registrados em 2025.
O FMI também destacou que as economias que já desenvolvem plataformas avançadas de IA, como os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o México, tiveram suas projeções individuais revisadas para cima. Por outro lado, países que fornecem componentes críticos para a cadeia produtiva – como chips, sensores e softwares especializados – também viram suas estimativas de crescimento ajustadas positivamente.
- Coreia do Sul
- Malásia
- Mexico
- Tailândia
Esses quatro países apareceram na lista de beneficiados, refletindo a importância de uma base de suprimentos diversificada para sustentar a expansão da IA em escala global.
Desafios geopolíticos e riscos econômicos
Apesar do cenário otimista em relação à IA, o FMI alertou para riscos que ainda podem frear a recuperação econômica. O prolongamento do conflito entre Israel e grupos no Oriente Médio pode elevar a inflação ao pressionar ainda mais os preços do petróleo, que já ultrapassam US$ 100 por barril.
Além disso, o organismo ressaltou a vulnerabilidade diante de aumentos nas taxas de juros dos títulos públicos, bem como a ameaça de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno El Niño, que podem comprometer colheitas e cadeias logísticas.
O economista-chefe do FMI, Gabriel Tenreyro, enfatizou que “precisamos recompor o espaço fiscal e reconstruir a resiliência do lado da oferta” para mitigar esses choques externos.
Desigualdades entre países
Um ponto crítico destacado no relatório é a crescente disparidade entre nações que participam ativamente da revolução da IA e aquelas que permanecem à margem. Atualmente, apenas 32 países concentram 95% do crescimento global, uma queda em relação aos 54 países citados em abril.
Esse estreitamento reflete a concentração de investimentos em tecnologia avançada e a diminuição de apoio a economias dependentes de importação de energia ou de setores tradicionais que não se beneficiam diretamente da digitalização.
Desde a última atualização, o FMI reduziu as projeções de crescimento para 47% das economias analisadas, incluindo várias nações do Golfo que enfrentam pressões adicionais devido à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.
Para a Arábia Saudita, por exemplo, a expectativa de crescimento do PIB em 2026 foi revisada para -3,3%, muito abaixo dos 1,7% projetados em julho. Irã, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos também devem registrar quedas acentuadas, variando entre -7,6% e -16,7%.
Perspectivas para 2027 e além
O FMI manteve a projeção de crescimento global de 3,4% para 2027, um ajuste de 0,2 ponto percentual em relação à estimativa de abril. Essa estabilidade indica que, embora os riscos geopolíticos persistam, o impulso da IA pode sustentar um ritmo de expansão moderado nos próximos anos.
Nos Estados Unidos, a previsão de crescimento permanece em 2,3% tanto para 2026 quanto para 2027, sustentada por um consumo robusto, cortes de impostos e investimentos contínuos em tecnologias de IA.
Para os países que ainda não integraram a IA em suas estratégias de desenvolvimento, o FMI recomenda políticas de apoio à formação de capital humano, incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento e parcerias público‑privadas que facilitem a adoção de soluções digitais.
Em suma, a inteligência artificial está se consolidando como um motor de crescimento econômico global, mas sua capacidade de compensar choques externos depende da rapidez com que as nações adotarem políticas de adaptação e inclusão tecnológica.








