Uma idosa de 80 anos foi vítima de um esquema de falsos advogados que lhe causou um prejuízo de quase dois milhões de reais. O crime ocorreu no início de 2024, na capital do Paraná, e foi desvendado pelo Ministério Público do Estado. A fraude utilizou chamadas de vídeo e mensagens de WhatsApp para convencer a vítima a pagar supostas custas processuais.
Como o golpe foi estruturado
Os criminosos se apresentaram como representantes do Banco Central e da Caixa Econômica Federal, alegando que seriam responsáveis por liberar um crédito judicial de R$ 7 milhões relativo ao falecido marido da idosa. Para “desbloquear” o valor, exigiram o pagamento antecipado de taxas que jamais existiram.
Com o apoio de mais de quinze pessoas, o grupo criou contas bancárias pessoais para receber as transferências. Cada quantia era rapidamente dividida entre várias contas e instituições de pagamento, dificultando o rastreamento e a recuperação dos recursos.
Detalhes das transferências e do prejuízo
Segundo a promotoria, a vítima realizou diversas operações bancárias, totalizando R$ 1.971.826,00. As transferências foram feitas por meio de TEDs e DOCs, sempre acompanhadas de mensagens que simulavam documentos oficiais e protocolos judiciais.
Os investigados também usaram nomes falsos de advogados e números de processos reais, o que aumentou a credibilidade da fraude. Em alguns momentos, enviaram imagens de supostos documentos assinados por magistrados, reforçando a ilusão de legalidade.
Reação das autoridades e medidas judiciais
O Ministério Público do Paraná (MP‑PR) denunciou os quinze suspeitos por estelionato e fraude eletrônica. A denúncia pede a conversão da prisão temporária em prisão preventiva, argumentando a gravidade da lavagem de dinheiro e a atuação interestadual do grupo.
Além disso, a 4ª Promotoria de Justiça de Prevenção e Persecução Criminal de Curitiba realizou reunião com a OAB‑PR para discutir o aumento desses golpes no estado. A nota conjunta destacou a necessidade de proteger dados de processos, advogados e magistrados, que são frequentemente usados para dar aparência de legitimidade às fraudes.
Como evitar cair em golpes semelhantes
Especialistas recomendam que a população adote algumas práticas de segurança:
- Desconfie de mensagens ou ligações de números desconhecidos que solicitem pagamentos antecipados para liberar valores judiciais.
- Verifique sempre a identidade do profissional por meio de canais oficiais, como o site da OAB ou o portal do tribunal competente.
- Não compartilhe documentos pessoais ou bancários sem confirmar a procedência da solicitação.
- Em caso de dúvida, procure diretamente a instituição citada (Banco Central, Caixa, etc.) por telefone ou presencialmente.
O promotor Marcelo Adolfo Rodrigues reforçou que a prevenção começa com a desconfiança saudável e a checagem de informações. “Qualquer cobrança de custas que não esteja formalmente registrada no processo deve ser questionada”, alertou.
O caso serve como alerta nacional sobre a sofisticação crescente dos golpes que se valem de dados reais para enganar vítimas vulneráveis, especialmente idosos. A combinação de tecnologia, falsificação de documentos e a exploração da confiança nas instituições públicas cria um cenário perigoso que exige vigilância constante.








