A Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque cibernético que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões. O incidente começou em junho de 2024 e culminou em 29 de outubro, quando os criminosos transferiram ativos valiosos. A invasão foi facilitada por entrevistas de emprego falsas e anúncios adulterados que enganaram engenheiros de software da empresa.
Como os criminosos conseguiram acesso
O primeiro ponto de entrada ocorreu quando um desenvolvedor responsável por carteiras digitais baixou um utilitário comprometido, enviado como parte de um suposto processo seletivo. Meses depois, outro engenheiro recebeu um convite para uma entrevista que incluía uma reunião virtual com o suposto CEO de uma empresa inexistente.
Durante a entrevista, o candidato foi instruído a clonar um repositório de código que continha backdoors. Ao instalar o repositório, o invasor inseriu scripts que permitiam a captura de credenciais e o controle remoto do computador da vítima.
Com as credenciais em mãos, os hackers utilizaram uma ferramenta interna de inteligência artificial da Binance para escalar privilégios e acessar outros ambientes de desenvolvimento, comprometendo múltiplos perfis de alta segurança.
Detalhes da operação de roubo
Em 29 de outubro, os atacantes executaram a transferência de 233,46 milhões de XRP de cinco carteiras digitais conectadas à internet da Binance. A operação durou apenas quatro minutos, mas foi suficiente para mover grandes volumes de ativos para um endereço controlado pelos criminosos.
Após o movimento inicial de XRP, outras criptomoedas, incluindo Bitcoin, foram retiradas da plataforma. A Binance detectou atividades suspeitas e, imediatamente, suspendeu todos os saques, congelou tokens e revogou permissões de acesso.
Apesar das medidas de contenção, as transações não autorizadas continuaram por quase quatro horas. A última movimentação foi registrada às 23h56 GMT (20h56, horário de Brasília).
Resposta da Binance e medidas de contenção
A empresa anunciou que bloquearia aproximadamente US$ 2,85 bilhões em ativos, impedindo que fossem convertidos ou movimentados. Em paralelo, a Binance afirmou que reembolsará integralmente todos os clientes afetados.
Para reforçar a segurança, a corretora investirá em sistemas avançados de detecção de ameaças baseados em inteligência artificial, além de aprimorar processos de verificação de candidatos a vagas internas.
Foi criado um comitê de resposta a incidentes que está revisando políticas de acesso, auditoria de código e protocolos de comunicação interna para evitar futuras infiltrações.
Repercussões e lições para o setor
O FBI atribuiu o ataque a um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte, embora o governo norte-coreano tenha negado qualquer envolvimento. A Binance relatou que impediu 57 ameaças cibernéticas associadas ao país em 2026.
Especialistas em segurança digital ressaltam que falsas entrevistas de emprego são uma técnica conhecida de espionagem corporativa. Elas exploram a confiança dos profissionais e a necessidade de recrutamento rápido em empresas de alta tecnologia.
O incidente reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade das plataformas de criptoativos e a necessidade de mecanismos robustos de autenticação multifatorial, monitoramento contínuo e treinamento de funcionários contra engenharia social.
Empresas do setor financeiro são aconselhadas a implementar políticas rigorosas de verificação de identidade para candidatos externos, limitar o uso de ferramentas de código aberto sem auditoria e adotar práticas de segurança zero-trust.
- Revisão constante de permissões de acesso;
- Treinamento anti‑phishing para todos os colaboradores;
- Uso de sandbox para análise de softwares externos;
- Implementação de autenticação multifatorial em todas as camadas.








