O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou nesta segunda‑feira (19) a presença de um foco da doença de Newcastle (DNC) em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica e a granja, que abriga cerca de 6 mil aves, foi imediatamente interditada.
Detalhes da ocorrência
A detecção do vírus foi feita por meio de amostras coletadas pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e analisadas no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA‑SP), reconhecido pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) como referência internacional. Apesar da presença do agente etiológico, a nota oficial do Mapa enfatiza que não foram observados sinais clínicos nos animais confinados.
Segundo a equipe de vigilância, a DNC é causada por um paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV‑1) que pode infectar aves domésticas e silvestres. Os sintomas típicos incluem manifestações respiratórias, neurológicas, diarreia e edema da cabeça, embora nesta granja não tenha sido registrado nenhum caso clínico.
Medidas adotadas pelas autoridades
Imediatamente após a confirmação, o Serviço Veterinário Oficial interditou a granja, suspendeu a movimentação de aves e iniciou um plano de contenção baseado no Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. As ações visam eliminar o foco e prevenir a disseminação para outras propriedades da região.
As principais medidas de controle incluem:
- Desinfecção completa das instalações e equipamentos.
- Eutanásia dos animais infectados, quando necessário.
- Monitoramento intensivo de granjas vizinhas por um período de 30 dias.
- Comunicação imediata à OMSA e aos parceiros comerciais internacionais.
Além disso, o Ministério reforçou que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, pois a carne e os ovos são inspecionados antes de chegar ao consumidor.
Impactos e recomendações ao consumidor
Embora a DNC seja uma enfermidade que pode causar conjuntivite transitória em humanos, a transmissão ocorre apenas por contato direto com secreções ou excreções de aves infectadas, e não por ingestão de carne ou ovos. Por isso, não há contraindicações ao consumo dos produtos avícolas provenientes de estabelecimentos que seguem as normas sanitárias.
O Mapa recomenda que a população adote boas práticas de higiene ao manipular aves, como lavar as mãos com água e sabão após o contato e evitar o consumo de produtos de origem duvidosa. Também orienta os produtores a manterem seus sistemas de biossegurança rigorosos, incluindo o controle de roedores e aves silvestres nas proximidades.
Em comunicado, o ministro da Agricultura, André de Paula, ressaltou a importância da transparência e da cooperação internacional para garantir a segurança sanitária do setor avícola brasileiro. Ele afirmou que novas informações serão divulgadas à medida que as investigações avançarem e que o país continuará cumprindo seus compromissos com a OMSA.
O caso reforça a necessidade de vigilância contínua em toda a cadeia produtiva, desde a criação até a comercialização. Especialistas apontam que a movimentação de aves migratórias pode introduzir o vírus em diferentes regiões, tornando essencial a troca de informações entre países e organizações.
Para os produtores da região, a interdição temporária representa um desafio econômico significativo. Muitos dependem da produção de perus como principal fonte de renda, e a perda de milhares de animais pode comprometer a sustentabilidade das famílias. O governo estadual já anunciou linhas de crédito emergenciais para auxiliar os agricultores afetados.
Em resumo, a rápida resposta das autoridades, a notificação à OMSA e a manutenção da inspeção oficial garantem que a situação seja contida sem risco para a saúde pública. A população pode continuar consumindo carne e ovos de peru com tranquilidade, desde que adquiridos em estabelecimentos regulamentados.








