O senador Flávio Bolsonaro, do PL, foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial no domingo, 27 de outubro de 2022, e, desde então, tem seu paradeiro desconhecido. Segundo informações do ministro Alexandre de Moraes, o parlamentar possui cidadania italiana e passaporte europeu, documentos que ainda não foram entregues à Justiça.
Passaporte italiano e a ordem judicial
Em decisão proferida na tarde de domingo, Moraes determinou que Flávio devolvesse todos os seus passaportes – brasileiro e italiano – em até 24 horas. A medida visava evitar uma possível fuga do país, já que o senador não compareceu à Polícia Federal para entregar os documentos exigidos.
O magistrado também ordenou que a PF recolhesse passaportes de outras nacionalidades que o senador pudesse possuir e que incluísse seu nome no alerta migratório do sistema Sonar, ferramenta de monitoramento de entradas e saídas do território nacional.
Implicações da cidadania italiana
Com a cidadania italiana concedida em 2023, Flávio Bolsonaro tem o direito de viajar para o exterior usando apenas o passaporte europeu, sem necessidade de apresentar o documento brasileiro, que foi cancelado pela PF. Essa possibilidade aumenta a preocupação das autoridades de que o senador possa deixar o país sem ser localizado.
Aliados do senador alegam que ele pode estar nos Estados Unidos, mas não há confirmação oficial. Enquanto isso, seus advogados foram intimados a prestar esclarecimentos sobre o descumprimento da ordem de Moraes.
Investigações em curso
Flávio Bolsonaro é alvo de diversas investigações que abrangem crimes como desvio de recursos, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O inquérito mais conhecido está relacionado ao financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, que narra a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro.
Além disso, o relator do STF, Alexandre de Moraes, investiga possíveis crimes de lavagem de capitais envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio. Foi nesse contexto que a ordem de recolhimento dos passaportes foi emitida.
- Desvio de recursos públicos
- Lavagem de dinheiro
- Evasão de divisas
- Corrupção em contratos de mídia
- Possível fraude em financiamento de campanha
Reações políticas e familiares
A suspeita de fuga ganhou força após declarações do irmão de Flávio, o ex‑deputado Eduardo Bolsonaro, que reside no Texas. Em podcast gravado nos Estados Unidos, Eduardo afirmou que as urnas brasileiras poderiam ter sido fraudadas e sugeriu que Flávio deixasse o país caso perdesse a eleição.
Em resposta, Flávio publicou vídeo nas redes sociais negando qualquer intenção de fugir e assegurando que entregaria os passaportes à Polícia Federal – promessa que não foi cumprida até o momento.
O deputado Nikolas Ferreira (PL‑MG) também se manifestou, questionando a segurança de um cidadão comum diante de um candidato que recebeu mais de 60 milhões de votos e supostamente precisaria sair do país.
O cenário político, portanto, está marcado por um clima de tensão entre a direita, que acusa o STF de perseguição, e o Judiciário, que mantém a investigação e a ordem de entrega dos documentos.
Próximos desdobramentos
O STF ainda pode aplicar sanções mais severas caso Flávio continue descumprindo a determinação de Moraes. Entre as possíveis medidas estão a imposição de multa, prisão preventiva ou até a restrição de direitos políticos.
Enquanto isso, a imprensa acompanha de perto qualquer movimento que indique a localização do senador, seja nos Estados Unidos, na Europa ou ainda no Brasil. A situação permanece incerta, e o desfecho dependerá da resposta do próprio Flávio e das decisões judiciais que ainda estão por vir.








