Na segunda fase da eleição presidencial de 2026, realizada em 26 de outubro, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, foi derrotado no Brasil, mas conquistou vitórias expressivas em diversos países onde brasileiros residentes foram às urnas. O pleito, que definiu o próximo presidente do país, contou com a participação de eleitores espalhados por 90 nações, gerando resultados surpreendentes fora do território nacional.
Resultados no exterior: panorama geral
O total de votos emitidos no exterior ultrapassou a marca de 150 mil, com Luiz Inácio Lula da Silva obtendo a maioria em 62 países, enquanto Flávio Bolsonaro liderou em 38. Essa distribuição demonstra como a diáspora brasileira pode influenciar, ainda que marginalmente, o cenário político nacional.
Em termos absolutos, Lula recebeu 47.249 votos a mais que o concorrente no exterior, reforçando a tendência de que o candidato do PT tem maior apoio em nações com comunidades brasileiras mais numerosas, como Estados Unidos, Portugal e Japão.
No entanto, a margem de vitória de Flávio em determinadas localidades foi muito superior à diferença nacional, indicando que fatores regionais – como proximidade cultural, laços econômicos e presença de comunidades específicas – desempenham papel decisivo.
Os países onde Flávio Bolsonaro liderou
Entre os países onde o senador superou Lula com folga, destacam‑se Nepal e Paraguai. No Nepal, dos 32 eleitores brasileiros, 12 votaram em Flávio, representando 92,31% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu apenas um voto, equivalente a 7,69%.
Já no Paraguai, a vantagem foi ainda mais marcante. Na cidade fronteiriça de Salto del Guairá, Flávio Bolsonaro obteve 576 votos (95,84%) contra 25 (4,16%) de Lula. Em Ciudad del Este, a proporção foi similar, com 91,52% dos votos para Flávio e 4,16% para o petista.
No total paraguaios, Flávio acumulou 4.542 votos, correspondendo a 86,60% dos válidos, enquanto Lula ficou com 703 votos (13,40%).
- Nepal: 12 votos (92,31%) para Flávio; 1 voto (7,69%) para Lula.
- Paraguai: 4.542 votos (86,60%) para Flávio; 703 votos (13,40%) para Lula.
Além desses, há outras localidades menores onde o candidato do PL obteve maioria, como algumas cidades da Suíça, Alemanha e Austrália, embora com números absolutos reduzidos. Essas vitórias pontuais reforçam a importância de campanhas direcionadas a comunidades expatriadas.
Comparativo com o primeiro turno e eleições anteriores
No primeiro turno da mesma eleição, Flávio Bolsonaro já havia registrado desempenho superior em três países e três cidades, revertendo a tendência de Lula em algumas regiões. No segundo turno, a reversão ocorreu em mais três países e três cidades, consolidando a presença do candidato do PL em nichos específicos.
Quando comparado ao pleito de 2022, a diferença de votos no exterior diminuiu. Naquele ano, Lula havia recebido 152.905 votos (51,28%) contra 145.264 (48,72%) de Jair Bolsonaro. Em 2026, a vantagem de Lula cresceu para 47.249 votos, mas a proporção de apoio ao PL permaneceu competitiva em determinados pontos geográficos.
Essas variações revelam que, embora o eleitorado brasileiro no exterior seja relativamente pequeno, ele pode apresentar comportamentos diferentes dos eleitores residentes no país, influenciados por contextos locais, redes de apoio e questões de identidade.
Especialistas apontam que a estratégia de campanha do PL, que incluiu visitas virtuais a comunidades expatriadas, uso intensivo de redes sociais em idiomas locais e parcerias com associações brasileiras no exterior, foi decisiva para alcançar esses resultados.
Por outro lado, o PT manteve foco em países com grandes fluxos migratórios recentes, como Portugal e Estados Unidos, onde a população brasileira tem perfil mais jovem e costuma apoiar propostas de inclusão social e direitos trabalhistas.
Em termos de mídia, a cobertura internacional destacou a curiosa discrepância entre o resultado nacional e os números do exterior, gerando debates sobre a representatividade da diáspora nas decisões políticas do Brasil.
Analistas de ciência política ressaltam que, embora o voto no exterior não altere o resultado geral da eleição, ele pode servir como termômetro de tendências emergentes, sobretudo em áreas como política externa, comércio internacional e acordos bilaterais.
Para os candidatos, compreender esses padrões pode orientar futuras estratégias de engajamento, sobretudo em um mundo cada vez mais conectado, onde a mobilidade humana cria novas demandas e expectativas.
Em resumo, a derrota de Flávio Bolsonaro no Brasil não impediu que ele registrasse vitórias expressivas em algumas comunidades brasileiras ao redor do globo, revelando a complexidade e a diversidade do eleitorado nacional quando visto sob a ótica da diáspora.








