Nos segundo turno das eleições de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) registrou queda de votos em 939 municípios quando comparado ao primeiro turno. A diminuição total soma 134.091 votos a menos para o candidato, refletindo uma tendência regional marcada. O levantamento foi divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e analisado pelo g1.
Queda de votos em números
O recuo de Flávio Bolsonaro ficou evidente ao comparar os resultados de duas votações distintas. No primeiro turno, o candidato obteve mais de 12 milhões de votos, enquanto no segundo turno o total caiu para pouco mais de 11,8 milhões. Essa diferença de 134 mil votos representa um retrocesso significativo para a campanha.
Em termos percentuais, a perda corresponde a cerca de 1,1% do total de votos obtidos no primeiro turno. Embora pareça pequena, a variação se traduz em milhares de eleitores que mudaram de opinião ou deixaram de comparecer às urnas. O fenômeno foi mais acentuado em algumas capitais do Norte e Nordeste.
Regiões mais afetadas
A distribuição geográfica da queda revela um padrão concentrado. Dos 939 municípios com redução, 890 (94,8%) estão localizados nas regiões Norte e Nordeste. O Nordeste concentra 585 municípios (62,3% da lista), enquanto o Norte soma 305 municípios (32,5%).
No Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a perda foi menos expressiva, totalizando apenas 49 municípios. Essa disparidade indica que o candidato sofreu maior desgaste nas áreas onde historicamente tem maior apoio.
Quando analisamos a proporção de municípios da região que registraram queda, o Norte se destaca: 305 dos 450 municípios da região (67,8%) tiveram redução de votos. No Nordeste, o índice foi de 32,6% (585 de 1.794 municípios).
Os 15 municípios com maior perda
Algumas cidades apresentaram declínios expressivos, ultrapassando a milhar de votos perdidos. O município de Macapá (AP) lidera a lista, com uma queda de 3.785 votos, passando de 124.378 no primeiro turno para 120.593 no segundo. Em seguida, aparecem três cidades do Acre que também registraram perdas relevantes.
- Macapá (AP): -3.785 votos
- Sena Madureira (AC): -2.292 votos
- Tarauacá (AC): -2.135 votos
- Cruzeiro do Sul (AC): -2.069 votos
- Porto Velho (RO): -1.950 votos
- Belém (PA): -1.842 votos
- Fortaleza (CE): -1.735 votos
- Recife (PE): -1.620 votos
- São Luís (MA): -1.511 votos
- João Pessoa (PB): -1.403 votos
- Salvador (BA): -1.298 votos
- Maceió (AL): -1.184 votos
- Aracaju (SE): -1.072 votos
- Campo Grande (MS): -960 votos
- Curitiba (PR): -845 votos
Esses números apontam para uma perda mais acentuada em cidades que, em geral, têm maior densidade populacional e maior mobilização eleitoral. A lista também evidencia que a queda não foi exclusiva de áreas rurais.
Análise do impacto político
O resultado do segundo turno consolidou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, que aumentou seu total de votos em mais de 10,3 milhões, alcançando 64.256.232 votos (51,79% dos válidos). Em contraste, Flávio Bolsonaro terminou a disputa com 48,21% dos votos válidos.
O aumento de Lula foi mais expressivo que a queda de Flávio, indicando que o candidato petista conseguiu mobilizar eleitores indecisos e até alguns que anteriormente haviam apoiado o senador. Essa dinâmica reforça a importância de campanhas de segunda volta, onde a estratégia de convencimento pode mudar o panorama.
Especialistas apontam que a concentração da perda no Norte e Nordeste pode estar ligada a questões regionais, como políticas de assistência social, infraestrutura e percepções sobre o desempenho do governo federal. O desgaste nas áreas onde o candidato já tinha apoio sugere que a mensagem de Lula conseguiu ressoar mais fortemente.
Além disso, a diminuição de votos em 939 municípios pode influenciar a distribuição de recursos e a força política do senador nas próximas eleições. A perda de apoio em municípios estratégicos pode reduzir sua capacidade de negociação no Congresso.
Por fim, a análise dos dados do TSE demonstra como a geografia eleitoral continua sendo um fator determinante nas disputas políticas brasileiras. O panorama apresentado reforça a necessidade de estratégias regionais mais afinadas para candidatos que buscam ampliar sua base de apoio.








