Nas últimas 48 horas, cinco institutos de pesquisa divulgaram resultados que colocam o senador Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida pelo Palácio do Planalto. Os levantamentos foram publicados na segunda‑feira, 19, e na terça‑feira, 20, poucos dias antes da votação prevista para domingo, 25 de outubro.
Panorama geral das pesquisas
Os institutos AtlasIntel/Bloomberg, BTG/Nexus, PoderData/Aya, Real Time Big Data e Alfa Inteligência apresentaram cenários diferentes, mas convergiram em dois pontos essenciais: Flávio aparece com vantagem numérica em todos os cenários nacionais de segundo turno e a diferença entre os candidatos permanece estreita.
As margens de vantagem variam de 0,6 a 4 pontos percentuais nos votos válidos, dependendo da metodologia empregada. Em quatro das cinco pesquisas, a diferença está dentro da margem de erro ou exatamente no seu limite, indicando um possível empate técnico.
- AtlasIntel/Bloomberg: Flávio 49,8% (votos válidos 51,1%) x Lula 47,6% (votos válidos 48,9%) – diferença de 2,2pp, margem de erro 1pp.
- BTG/Nexus: Flávio 46,5% (votos válidos 50,3%) x Lula 45,9% (votos válidos 49,7%) – diferença de 0,6pp, margem de erro 2pp.
- PoderData/Aya: Flávio 49% (votos válidos 52%) x Lula 46% (votos válidos 48%) – diferença de 4pp, margem de erro 1,8pp.
- Real Time Big Data: Flávio 48% (votos válidos 52%) x Lula 45% (votos válidos 48%) – diferença de 4pp, margem de erro 2pp.
- Alfa Inteligência: Flávio 48,8% (votos válidos 51,5%) x Lula 45,9% (votos válidos 48,5%) – diferença de 3pp, margem de erro 1,9pp.
Margens de erro e empates técnicos
As margens de erro são fundamentais para interpretar os números. Quando a diferença entre os candidatos está abaixo ou igual à soma das margens individuais, os resultados são considerados tecnicamente empatados. Esse foi o caso das pesquisas da BTG/Nexus, Real Time Big Data e Alfa Inteligência, que apontam empates no limite da confiabilidade estatística.
Somente o levantamento do PoderData apresenta uma vantagem que supera a soma das margens de erro, sugerindo uma liderança mais robusta para Flávio. Contudo, a variação entre as pesquisas evidencia a volatilidade do eleitorado a poucos dias do pleito.
Distribuição regional do eleitorado
Além dos números nacionais, as pesquisas revelam padrões regionais marcantes. No Nordeste, Lula mantém a preferência maior, com 62% das intenções de voto na Real Time Big Data e 57% na Alfa Inteligência, enquanto Flávio registra apenas 31% e 34%, respectivamente.
Ao contrário, nas regiões Sul, Sudeste e Centro‑Oeste, a tendência se inverte. Flávio alcança 62% no Sul segundo a Real Time Big Data, e 52% na Alfa Inteligência; no Sudeste, os percentuais também favorecem o senador, embora em menor amplitude.
Essas disparidades refletem a historicidade das bases eleitorais: o Nordeste permanece o reduto tradicional do PT, enquanto o PL tem consolidado apoio nas áreas mais industrializadas e no sul do país.
Análise das implicações para o segundo turno
Com a votação marcada para o próximo domingo, a proximidade dos números indica que a campanha ainda tem margem para influenciar eleitores indecisos. Estratégias de mobilização, debates e possíveis alianças poderão alterar a percepção do público nos últimos dias.
Os analistas ressaltam que, embora Flávio esteja à frente nos cenários nacionais, a vantagem ainda é considerada incerta devido às margens de erro. Um pequeno deslocamento de votos nas regiões decisivas pode ser suficiente para reverter o placar.
Além disso, a presença de um possível empate técnico pode gerar maior cobertura da mídia, aumentando a visibilidade de ambos os candidatos e, potencialmente, intensificando o engajamento dos eleitores nas redes sociais.
Em síntese, os dados apontam para uma disputa apertada, com Flávio mantendo uma ligeira vantagem, mas com a possibilidade de mudança até o fechamento das urnas.








