Na noite de sexta‑feira, 16 de junho, o candidato à Presidência pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, participou de uma sabatina ao vivo na TV Globo, em Rio de Janeiro, e reiterou que não pretende promover alterações na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extinguiu a escala de trabalho 6×1, mantendo o modelo 5×2 de jornada.
O senador carioca explicou que sua postura foi construída a partir de percursos pelo país, ouvindo trabalhadores em diferentes regiões e registrando a maioria favorável ao fim da escala 6×1. A declaração chega em um momento de intenso debate sobre a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional.
Contexto da proposta constitucional
A PEC que substituiu a jornada 6×1 por 5×2 foi aprovada na última semana pelo Congresso, com apoio majoritário dos partidos de centro‑esquerda. A mudança garante aos trabalhadores um dia adicional de descanso semanal, reduzindo a carga horária sem prejuízo salarial.
Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a medida representa um avanço nas políticas de proteção ao trabalhador e um cumprimento de promessas de campanha. Já os opositores consideram a alteração como um instrumento de pressão eleitoral, especialmente nas vésperas do segundo turno.
Os principais pontos da nova redação constitucional são:
- Redução da jornada semanal de 48 para 40 horas distribuídas em cinco dias de trabalho;
- Instituição de um dia de folga remunerado adicional, totalizando dois dias de descanso;
- Manutenção do pagamento integral de salários e benefícios durante o período de folga;
- Criação de mecanismos de fiscalização mais rígidos para garantir o cumprimento da lei.
Posicionamento de Flávio Bolsonaro na entrevista
Durante a entrevista, Flávio enfatizou que “rodei o Brasil, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas”. Ele afirmou que a maioria dos trabalhadores consultados se manifestou a favor do fim da escala 6×1, e que sua decisão segue a vontade popular.
O candidato ainda destacou que, embora tenha criticado a iniciativa como “eleitoreira” quando o PT a propôs, não há intenção de contestar a mudança caso seu partido chegue ao poder. “A decisão foi do Congresso Nacional e da parte dele não haverá questionamentos em eventual governo”, declarou.
Ele listou os argumentos que o levaram a apoiar a nova jornada:
- Maior qualidade de vida para os trabalhadores;
- Redução de acidentes de trabalho devido ao descanso ampliado;
- Potencial aumento de produtividade com jornadas mais equilibradas;
- Alinhamento com padrões internacionais de direitos trabalhistas.
Repercussões políticas e perspectivas futuras
A resposta dos aliados de Flávio no Legislativo foi cautelosa. Alguns sugerem que, a partir de 2025, o partido poderá reavaliar a proposta ou apresentar um texto constitucional alternativo, caso a pressão da base eleita exija ajustes.
Especialistas em direito constitucional apontam que qualquer tentativa de modificar a PEC exigirá maioria qualificada no Congresso, o que pode ser difícil de alcançar em um cenário de polarização política.
Por outro lado, sindicatos elogiaram a aprovação da jornada 5×2, ressaltando que a medida já está gerando melhorias nas condições de trabalho em setores como comércio, serviços e indústria.
O debate, contudo, não se limita ao âmbito legislativo. Organizações empresariais manifestaram preocupação com o aumento de custos operacionais, argumentando que a ampliação da folga pode impactar a competitividade de pequenas e médias empresas.
Em resumo, a posição firme de Flávio Bolsonaro de não questionar a PEC pode ser vista como estratégia para evitar confrontos diretos com a maioria parlamentar, ao mesmo tempo em que tenta preservar a base trabalhista que tem se mostrado decisiva nas urnas.








