Em entrevista concedida à TV Globo na sexta‑feira, 16 de junho, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) detalhou suas propostas para cortar gastos do governo federal. Ele afirmou que pretende reduzir despesas sem mexer em benefícios sociais, apontando medidas como a diminuição do número de ministérios e a venda de imóveis abandonados. O objetivo, segundo o senador carioca, é gerar receitas novas e melhorar a gestão das estatais.
Propostas de corte de gastos
Flávio Bolsonaro iniciou sua argumentação destacando a estrutura atual do Executivo, que conta com 39 ministérios. “Vamos cortar pelo menos dez ministérios”, declarou, apontando que a redução poderia gerar até R$ 200 bilhões de economia anual. O candidato reforçou que a proposta não envolve a supressão de benefícios aos aposentados, classificando como “fake news” as alegações contrárias.
Além da diminuição de pastas, o senador ressaltou a importância de combater a má gestão nas empresas estatais. Segundo ele, durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro, as estatais registraram lucro de R$ 18 bilhões, enquanto sob o governo Lula o déficit chegou a R$ 36 bilhões. “Combater a corrupção nas estatais é fundamental para reduzir custos”, enfatizou.
Estratégias sobre imóveis abandonados
Outra frente do plano envolve a mobilização de mais de 30 mil imóveis públicos que, segundo o candidato, encontram‑se abandonados ou subutilizados. Flávio Bolsonaro propôs a criação de um fundo de gestão especializado, que securitizaria esses ativos e avaliaria seu valor em cerca de R$ 1,7 trilhão.
Ele estimou que a venda ou a exploração desses imóveis poderia gerar, no mínimo, R$ 200 bilhões em receitas novas para a União. Para ilustrar a magnitude da iniciativa, o senador listou alguns dos tipos de propriedades que seriam incluídos no programa:
- Prédios administrativos vazios;
- Terrenos agrícolas não produtivos;
- Unidades habitacionais desocupadas;
- Instalações industriais inativas;
- Espaços comerciais subutilizados.
O fundo de gestão, segundo Flávio, seria administrado por profissionais do mercado financeiro, garantindo transparência e eficiência na valorização dos ativos. O objetivo é transformar o que hoje representa um custo para o Estado em fonte de receita recorrente.
Desafios e críticas ao plano
Apesar da proposta ambiciosa, especialistas apontam desafios significativos. A redução de ministérios pode enfrentar resistência política, especialmente de parlamentares que dependem de cargos e verbas para manter suas bases de apoio. Além disso, a reestruturação de estatais exige mudanças legislativas e processos de auditoria complexos.
Quanto aos imóveis abandonados, críticos alertam para a necessidade de um processo de regularização fundiária robusto, que evite disputas judiciais e garanta que a destinação dos recursos seja efetivamente revertida para áreas prioritárias, como saúde e educação. “Sem um plano de ação claro, a mera criação de um fundo pode se tornar apenas mais uma promessa vazia”, advertiu um analista do setor.
Flávio Bolsonaro reconheceu esses obstáculos, mas assegurou que sua equipe já possui um cronograma detalhado para a implementação das medidas. Ele enfatizou que a prioridade será a transparência, com a publicação de relatórios mensais sobre os resultados obtidos.
Em relação à dívida pública, o candidato mencionou que o montante de aproximadamente R$ 3 trilhões deve ser revisado para melhorar a sustentabilidade fiscal. Ele sugeriu a renegociação de contratos e a adoção de mecanismos de controle de gastos para evitar a ampliação do endividamento.
Por fim, o senador destacou que a combinação de corte de ministérios, combate à corrupção nas estatais e aproveitamento de imóveis abandonados formam um tripé capaz de gerar economia real e sustentável. “Não se trata apenas de cortar, mas de reestruturar e otimizar recursos”, concluiu.








