Na manhã desta terça‑feira, Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) declarou que votará a favor da proposta de emenda constitucional que elimina a escala de trabalho 6×1, após encontrar-se com o ex‑presidente Jair Bolsonaro em Brasília. O anúncio ocorreu logo após a suspensão de 90 dias imposta ao ex‑mandatário pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e tem repercussão direta nas discussões do Senado sobre a reforma da jornada.
Contexto político e institucional da visita
A reunião entre pai e filho foi marcada como um momento de alinhamento estratégico antes da campanha presidencial. Flávio, que já se posiciona como candidato nas próximas eleições, utilizou a ocasião para reforçar sua agenda de redução de jornada e ao mesmo tempo sinalizar cautela quanto aos impactos econômicos.
O ex‑presidente, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe, permanece ativo nas redes e em encontros políticos, embora sob restrição de uso político‑eleitoral. Essa limitação, mantida por Moraes, impede a divulgação de mensagens de campanha por parte de Bolsonaro ou de terceiros que utilizem seu nome para fins eleitorais.
Detalhes da proposta de fim da escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Senado tem como objetivo encerrar a prática de seis dias de trabalho seguidos com um dia de folga, substituindo‑a por um modelo de jornada mais flexível. Entre os benefícios apontados pelos defensores estão a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e o aumento da produtividade.
Entretanto, Flávio Bolsonaro destacou que a simples eliminação da escala pode gerar efeitos colaterais, como a necessidade de novas contratações ou o aumento da informalidade no mercado de trabalho. Por isso, ele enfatizou que seu apoio à PEC vem acompanhado de propostas complementares.
- Compensação financeira: o futuro governo assumiria os custos adicionais decorrentes da redução de jornada.
- Flexibilidade de horário: empresas poderiam adaptar os turnos de acordo com a demanda, mantendo a competitividade.
- Incentivo à formalização: políticas de apoio ao microempreendedor e ao trabalhador informal seriam ampliadas.
Ressalvas e promessas de futuro
Flávio Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito, seu governo criará mecanismos claros para financiar a medida, embora ainda não tenha apresentado estimativas de gastos. Ele ressaltou que a mudança deve ser “algo ainda melhor”, sugerindo que a proposta atual é apenas um ponto de partida.
Além disso, o candidato defendeu a importância de permitir que os trabalhadores organizem seus próprios horários, um argumento que visa atrair tanto sindicatos quanto o setor privado, que tem buscado maior autonomia na gestão de recursos humanos.
Repercussões no Senado e na sociedade
No Senado, a PEC tem dividido opiniões. Enquanto alguns senadores defendem a medida como essencial para a modernização das relações de trabalho, outros temem que a imposição de novos custos ao empregador possa elevar a taxa de desemprego.
A sociedade civil também está atenta. Organizações de trabalhadores celebram a possibilidade de mais dias de descanso, enquanto associações empresariais pedem cautela e estudos de impacto econômico antes da aprovação definitiva.
O posicionamento de Flávio Bolsonaro, portanto, pode influenciar o voto de outros parlamentares, especialmente aqueles que ainda não definiram seu posicionamento sobre a reforma da jornada.
Próximos passos e implicações eleitorais
Com as eleições presidenciais se aproximando, a postura de Flávio em relação à PEC 6×1 pode se tornar um ponto central de sua campanha. O candidato tem buscado equilibrar a mensagem de apoio ao trabalhador com a preocupação de não sobrecarregar as empresas, estratégia típica de candidatos que pretendem captar tanto o eleitorado operário quanto o empresarial.
Analistas políticos apontam que a decisão de votar a favor da proposta pode gerar ganhos de popularidade entre os eleitores da classe média, que valorizam políticas de qualidade de vida, mas também pode gerar resistência entre setores que temem aumento de custos.
Em resumo, a visita ao ex‑presidente e o anúncio de apoio à mudança na jornada de trabalho marcam um momento decisivo na trajetória de Flávio Bolsonaro, que busca consolidar sua imagem de candidato pragmático e atento às demandas sociais, ao mesmo tempo em que navega pelas restrições jurídicas que ainda cercam a figura de Jair Bolsonaro.








