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Fim da escala 6×1 ganha destaque na escolha de voto para o segundo turno, aponta pesquisa Ipespe/Abrapel

Uma nova pesquisa do Ipespe/Abrapel revelou que o fim da escala 6×1 passou a ser um dos principais fatores que influenciam a escolha do voto no segundo turno da eleição presidencial, segundo dados coletados entre 13 e 15 de outubro de 2026, em todo o território nacional.

Peso da escala 6×1 entre os eleitores

Na amostra de 1.500 entrevistados, 10% apontaram a questão da escala 6×1 como o motivo predominante para decidir entre os candidatos. Esse número representa o dobro da proporção registrada na pesquisa anterior, realizada entre 6 e 8 de outubro, quando apenas 5% dos eleitores citaram o tema.

Embora ainda fique atrás de corrupção e da crise no STF (20%) e da economia, emprego e preços (16%), a escala 6×1 ultrapassou saúde e educação (11%), ocupando uma posição de destaque na reta final da campanha.

Diferenças por perfil de voto

O impacto da pauta varia consideravelmente conforme a intenção de voto. Entre os apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva, 20% afirmaram que a suspensão da escala 6×1 foi o principal motivo para escolher o candidato, sendo o maior percentual dentro desse grupo.

Em contraste, apenas 1% dos eleitores que pretendem votar em Flávio Bolsonaro citaram a mesma questão como decisiva. Para esse segmento, corrupção e crise no STF lideram com 39%, seguidos por economia, emprego e preços (22%).

Impacto nas faixas etárias

O recorte etário evidencia que a pauta tem peso especialmente elevado entre os jovens. Entre os eleitores de Lula com idade entre 16 e 34 anos, 33% destacaram o fim da escala 6×1 como o fator mais importante, tornando‑se, de longe, a maior menção nesse segmento.

Entre os de 35 a 59 anos, o percentual cai para 17%, e entre os de 60 anos ou mais, reduz‑se ainda mais, chegando a 11%.

Comparativo com outras pautas

Depois da escala 6×1, as temáticas que mais aparecem entre os eleitores de Lula são saúde e educação (14%), soberania e atitudes de Donald Trump (12%), economia, emprego e preços (10%) e o fim das bets (10%). A ameaça aos benefícios sociais aparece com 9%.

Para os eleitores de Flávio Bolsonaro, além de corrupção e crise no STF e de economia, emprego e preços, saúde e educação são citadas por 9% e violência e segurança por 7%.

Na primeira rodada do tracking (6 a 8 de outubro), a escala 6×1 era mencionada por 5% dos entrevistados. No segundo levantamento (13 a 15 de outubro), esse número dobrou, atingindo 10%.

Ao mesmo tempo, as menções a corrupção e crise no STF recuaram de 24% para 20%, enquanto as referentes à economia, emprego e preços oscilaram de 17% para 16% e as de saúde e educação diminuíram de 12% para 11%.

Quando os assuntos econômicos são agrupados – incluindo inflação, taxa de juros e poder de compra – eles somam 33% das menções, liderando o ranking agregado. Dentro desse conjunto, a escala 6×1 ganhou espaço significativo para o segundo turno.

Desempenho dos candidatos no cenário estimado

De acordo com a mesma pesquisa, Flávio Bolsonaro lidera com 48% das intenções de voto, enquanto Lula registra 46% no cenário estimulado. Quando considerados apenas os votos válidos, os números se invertem ligeiramente: 51,2% para Flávio e 48,8% para Lula.

A margem de erro da pesquisa é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, em torno de 50%, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-00223/2026.

Esses dados indicam que, embora a escala 6×1 ainda não seja o tema dominante, seu crescimento rápido nas últimas duas semanas pode influenciar decisivamente a decisão de voto, sobretudo entre os eleitores mais jovens que já demonstram preocupação com questões de justiça social e acesso a benefícios.

Especialistas apontam que a combinação de fatores – como a crise institucional, a pressão inflacionária e a mobilização em torno da escala 6×1 – cria um cenário de escolha cada vez mais segmentado, onde cada bloco de eleitores prioriza agendas distintas.

Portanto, a campanha de ambos os candidatos deverá ajustar suas estratégias de comunicação, reforçando ou atenuando determinados temas conforme o perfil do eleitorado que buscam conquistar nos dias que antecedem o segundo turno.

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