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Fábio Silva, vereador preso na Operação Backbone, tem ligações com provedores de internet

O vereador Fábio Silva, filiado ao Podemos, foi detido pela Polícia Federal na manhã de 15 de outubro de 2026, durante a Operação Backbone, que investiga o monopólio da internet controlado pelo Comando Vermelho em comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu em Londrina, no Paraná, onde o parlamentar foi localizado após denúncias de envolvimento em esquemas de extorsão e controle de provedores de fibra óptica. A ação policial visa desarticular a rede de influência que utilizava a oferta de conexão como moeda de poder político.

Contexto da Operação Backbone

A Operação Backbone foi iniciada em julho de 2026, após meses de investigação conjunta entre a Polícia Federal, o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Receita Federal. O objetivo central é desmantelar o domínio que o Comando Vermelho exerce sobre o fornecimento de internet em áreas vulneráveis, usando a falta de acesso como ferramenta de coerção. Até o momento, vinte suspeitos foram presos, entre eles empresários, líderes comunitários e políticos, incluindo o vereador Fábio Silva.

Os investigadores apontam que a estratégia do grupo criminoso consistia em oferecer serviços de internet a preços submersos, mas exigindo favores políticos e pagamento de “taxas de proteção” para manutenção do serviço. Quando os moradores se recusavam a colaborar, as empresas ligadas ao esquema ameaçavam cortar o sinal, criando um clima de intimidação que reforçava o controle territorial do cartel.

Trajetória política de Fábio Silva

Fábio Silva iniciou sua carreira política em 2024, quando foi eleito vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro com quase 16 mil votos. Na campanha, declarou um patrimônio de aproximadamente 1,6 milhão de reais, dos quais cerca de 70% eram participações societárias em empresas de diferentes setores. Embora os dados eleitorais não detalhem as naturezas exatas desses investimentos, a investigação revelou que grande parte do capital estava concentrada em empresas de telecomunicações.

A biografia oficial na página da Câmara destaca seu papel como embaixador do Onda Carioca, ONG que desenvolve projetos de qualificação profissional, saúde e bem‑estar no Complexo do Chapadão. No entanto, documentos obtidos pelo Ministério Público apontam que, por trás das ações sociais, existia uma rede de pressão sobre os moradores para que utilizassem os serviços de internet controlados por suas empresas.

Empresas de telecomunicações vinculadas ao parlamentar

Fábio Silva é sócio‑administrador da Nort Telecom LTDA, empresa de telecomunicações registrada em Londrina, Paraná, mesma cidade onde foi localizado pela Polícia Federal. A empresa figura como fornecedora de serviços de fibra óptica em diversas áreas da Zona Norte do Rio, inclusive no Complexo do Chapadão.

Além da Nort Telecom, ele também administrava a Nort Internet Fibra LTDA, que foi extinta em 2021. Nessa sociedade, ele contava com dois sócios, um dos quais aparece como proprietário e administrador de outra empresa chamada Nort Telecom LTDA, desta vez cadastrada na Zona Norte do Rio de Janeiro.

  • Nord Telecom LTDA – sede em Londrina, foco em serviços de fibra óptica.
  • Nort Internet Fibra LTDA – empresa extinta, mas que manteve ativos contratos de prestação de serviço.
  • FS Holding LTDA – holding criada em fevereiro de 2024, com capital social superior a dois milhões de reais, destinada a controlar participações em outras empresas do setor.

Embora não exista registro oficial de Fábio Silva como administrador da terceira Nort Telecom LTDA, documentos do Ministério Público indicam que ele exercia influência direta sobre a operação da empresa, usando-a como fachada para ameaçar moradores que não se submetiam às exigências políticas.

Denúncias e provas apresentadas pelo Ministério Público

Uma denúncia anônima apresentada ao Ministério Público do Rio de Janeiro relata que residentes do Complexo do Chapadão foram intimidados por representantes da Nort Telecom LTDA, que ameaçaram suspender o serviço de internet caso o vereador não fosse reeleito. O inquérito aponta que os funcionários da empresa entregavam avisos escritos aos clientes, indicando que a interrupção do sinal seria automática se o político não garantisse a continuidade de seu mandato.

Além das ameaças, a investigação encontrou registros de pagamentos suspeitos entre a holding FS Holding LTDA e contas bancárias vinculadas a familiares de Fábio Silva, sugerindo uma tentativa de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos provenientes do monopólio da internet. Tais evidências reforçam a tese de que o vereador utilizava sua posição para legitimar e proteger negócios ilícitos.

O Ministério Público também solicitou a quebra de sigilos bancário e telefônico de Fábio Silva, a fim de mapear a rede de comunicação entre os agentes do Comando Vermelho, os provedores de internet e os representantes políticos. As autoridades acreditam que a cooperação entre esses atores foi decisiva para a consolidação do controle sobre a infraestrutura de telecomunicações na região.

Impactos da prisão e perspectivas futuras

A detenção de Fábio Silva tem repercussões imediatas tanto no cenário político quanto no cotidiano dos moradores da Zona Norte. A suspensão temporária das atividades da Nort Telecom LTDA gerou preocupação entre os usuários que dependem da conexão para trabalho remoto, estudos e acesso a serviços essenciais.

Politicamente, a prisão coloca em xeque a integridade de outros vereadores e candidatos que possam ter relações semelhantes com empresas de telecomunicações. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes internas indicam que uma comissão de ética será convocada para analisar o caso e possíveis sanções.

Especialistas em segurança pública ressaltam que o desmantelamento da rede de monopólio da internet pode abrir espaço para a entrada de prestadores de serviço legítimos, contribuindo para a democratização do acesso à informação. Contudo, alertam que o combate ao controle criminal exige monitoramento constante e políticas públicas que garantam a concorrência saudável no setor.

Enquanto os processos judiciais avançam, a população do Complexo do Chapadão aguarda respostas sobre a regularização dos serviços de internet e a garantia de que nenhuma outra figura política será utilizada como escudo para práticas ilícitas. A Operação Backbone segue em curso, com a expectativa de novas prisões e a ampliação das investigações para outras áreas do Rio de Janeiro.

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