Em setembro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram um aumento de 524,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). O crescimento foi impulsionado tanto pelo aumento da quantidade de carne exportada quanto pela elevação do preço médio das mercadorias. Apesar da alta mensal, o acumulado do ano ainda apresenta queda em relação ao período anterior.
Crescimento expressivo das exportações de carne bovina
O salto de mais da metade do valor das exportações brasileiras de carne bovina para os EUA foi alimentado por duas forças principais. Primeiro, o volume de carne exportada subiu 3,1% em setembro, indicando que os produtores conseguiram colocar mais produtos no mercado externo. Segundo, o preço médio das carnes aumentou 28%, refletindo a combinação de custos de produção mais altos e a escassez de oferta interna nos Estados Unidos.
Com a recuperação, as exportações brasileiras atingiram US$ 3,5 bilhões no mês, representando um crescimento de 31,9% frente a setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o total de carne bovina exportada para os EUA chegou a US$ 1,72 bilhão, o que corresponde a um aumento de 82,9% no mesmo período.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) atribui parte desse desempenho à cota adicional de importação concedida pelos EUA em setembro, bem como à restrição da oferta interna de gado americano, que está em fase de baixa do ciclo pecuário.
Desempenho contrastante de outros setores exportadores
Enquanto a carne bovina mostrava sinais de recuperação, outros produtos estratégicos enfrentaram quedas significativas. As exportações de petróleo bruto para os Estados Unidos recuaram 35,8% no mesmo período, e as de café não torrado diminuíram 20%.
Produtos semiacabados de ferro, que ainda precisam passar por processos de manufatura antes de se tornarem bens finais, apresentaram queda de 4,3% nas exportações ao mercado americano.
Nos demais mercados internacionais, excluindo os EUA, o Brasil registrou crescimento de 8,9% na agropecuária, 21,2% na indústria extrativa e 6,3% na indústria de transformação, indicando que a desaceleração está concentrada no comércio bilateral com os Estados Unidos.
Impacto das tarifas e da política comercial dos EUA
Os produtos brasileiros sujeitos a tarifas adicionais nos Estados Unidos também mostraram sinais de recuperação em setembro, mas ainda permanecem em queda no acumulado de 2026. No mês, as exportações desses itens cresceram 28,1% em valor, totalizando US$ 1,46 bilhão.
Entre os produtos mais afetados por tarifas de 25% a 37,5%, a alta foi de 27,8%, representando US$ 466,5 milhões. No entanto, de janeiro a setembro, o grupo inteiro recuou 25,4%, o que equivale a US$ 1,4 bilhão a menos em vendas.
- Produtos agrícolas com tarifas de 25%: soja, milho e algodão.
- Produtos industriais com tarifas de 30%: aço, alumínio e componentes eletrônicos.
- Produtos de consumo com tarifas de 35% a 37,5%: calçados, vestuário e móveis.
Nove dos dez produtos mais exportados ao mercado americano dentro da faixa de tarifas elevadas registraram queda no acumulado do ano, sinalizando que a pressão tarifária ainda pesa sobre a competitividade brasileira.
Perspectivas para o comércio bilateral em 2026
As importações brasileiras de produtos americanos, por sua vez, voltaram a crescer em setembro, atingindo US$ 4,43 bilhões, um aumento de 2,1% em relação ao mesmo mês de 2025. O principal motor desse movimento foram os combustíveis, cujas importações saltaram 108,5% no mês.
Entre janeiro e setembro, as importações de combustíveis dos EUA totalizaram US$ 6,86 bilhões, representando um crescimento de 68,5% em relação ao ano anterior. Mesmo com a recuperação mensal, as importações totais de produtos americanos caíram 7,1% no acumulado do ano, totalizando US$ 31,8 bilhões.
Com as importações superando as exportações, o Brasil acumulou um déficit comercial de aproximadamente US$ 30,1 bilhões com os Estados Unidos até o final de setembro de 2026. Analistas apontam que a manutenção de tarifas elevadas, aliada à volatilidade cambial e às incertezas políticas, pode limitar novos ganhos para a carne bovina e outros setores exportadores.
Para reverter esse cenário, especialistas recomendam que o governo brasileiro busque acordos de facilitação comercial, invista em certificações de qualidade reconhecidas internacionalmente e diversifique os destinos de exportação, reduzindo a dependência de um único mercado.







