Em uma decisão divulgada nesta quinta‑feira (10), a Polícia Federal revelou que o ex‑marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro enviou R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”. O repasse foi identificado em movimentações financeiras entre novembro de 2025 e dezembro de 2015, coincidindo com o período de gravação da obra. A revelação ocorreu no Supremo Tribunal Federal, durante a análise da operação “Make Up”.
Investigação da PF e o repasse de R$ 1 milhão
A Polícia Federal, ao analisar dados do Conselho de Atividade Financeira (Coaf), encontrou “movimentações consideradas atípicas” nas contas da Go Up Entertainment. O relatório indica que, no intervalo analisado, a empresa movimentou R$ 19 milhões, com R$ 8,9 milhões a crédito e R$ 10 milhões a débito.
Entre os créditos, destaca‑se o aporte de R$ 1 milhão proveniente do ex‑marqueteiro, identificado como um dos responsáveis pela estratégia de comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro. A PF apontou ainda que outras figuras políticas, como o deputado Mário Frias, também apareceram nos registros de transferência.
O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a operação “Make Up” com base nesses indícios, permitindo que as autoridades aprofundem a investigação sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme.
A produção do filme “Dark Horse” e seus bastidores
Go Up Entertainment assumiu a produção de “Dark Horse”, um longa‑metragem que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. O projeto contou com Mário Frias como produtor executivo e com o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex‑presidente, na equipe de elenco.
As gravações ocorreram em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, período em que as movimentações financeiras suspeitas foram registradas. Segundo informações públicas, a produção utilizou locações urbanas e cenários que reproduzem momentos marcantes da carreira de Bolsonaro.
Além do repasse de R$ 1 milhão, a investigação identificou despesas da produtora com hotéis de alto padrão, refeições sofisticadas e serviços de outras produtoras, sugerindo um orçamento elevado para a obra.
- Locação principal: Estúdio da cidade de São Paulo.
- Equipe técnica: mais de 150 profissionais, incluindo diretores de fotografia e designers de som.
- Elenco destacado: Jim Caviezel como Jair Bolsonaro, além de atores brasileiros em papéis de apoio.
Implicações políticas e reações dos envolvidos
A revelação do repasse gerou intenso debate no cenário político nacional. O senador Flávio Bolsonaro ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes próximas ao seu gabinete indicam que ele pretende contestar a legalidade das acusações.
O deputado Mário Frias, que tem participação direta na produção, afirmou que os recursos recebidos foram destinados exclusivamente à realização do filme, negando qualquer tentativa de influenciar a narrativa política.
Analistas de direito eleitoral apontam que, caso seja comprovado vínculo entre a campanha e o financiamento da obra, pode haver violação da Lei de Improbidade Administrativa e das normas de financiamento de campanhas eleitorais.
Organizações de transparência, como a Transparência Brasil, reforçaram a necessidade de que o Judiciário examine detalhadamente os documentos bancários e contratuais para determinar se houve uso indevido de recursos de campanha.
Próximas etapas judiciais e possíveis desdobramentos
Com a autorização da operação “Make Up”, a Polícia Federal está apta a requisitar documentos adicionais, bloquear contas suspeitas e, se necessário, apresentar denúncias formais ao Ministério Público.
O STF deverá analisar, nos próximos dias, pedidos de medida cautelar que podem impedir a exibição pública do filme até que a investigação seja concluída.
Especialistas em mídia sugerem que, independentemente do desfecho judicial, o caso pode impactar a percepção do público sobre a relação entre cinema e política no Brasil, estabelecendo precedentes para futuros projetos audiovisuais.
Enquanto isso, a comunidade cinematográfica acompanha atentamente as decisões, temendo que restrições possam limitar a liberdade criativa e a produção de obras que abordam temas controversos.








