A Eve Air Mobility, empresa vinculada à Embraer, assinou nesta quinta‑feira um contrato que prevê a venda de até 12 veículos eVTOL para a FlyBIS Aviation Limited, companhia que planeja iniciar operações de transporte aéreo no Sul do Brasil. O acordo inclui dois pedidos firmes e a possibilidade de adquirir mais dez aeronaves conforme a demanda evoluir. A produção em série será realizada na fábrica da Eve em Taubaté, interior de São Paulo.
Planejamento das rotas e infraestrutura
O objetivo inicial da parceria é conectar cidades turísticas e de negócios em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, reduzindo tempos de deslocamento e oferecendo uma alternativa ao trânsito terrestre. As rotas em estudo contemplam trajetos entre Navegantes, Balneário Camboriú e Florianópolis, além de destinos da Serra Gaúcha, como Gramado e Bento Gonçalves. A escolha desses pontos reflete a alta demanda por mobilidade rápida em regiões com grande fluxo de turistas e executivos.
Para viabilizar os voos, a FlyBIS está trabalhando na criação de vertiportos, estruturas de pouso e decolagem vertical que podem ser instaladas em aeroportos regionais, hotéis de grande porte e até mesmo em áreas urbanas com espaço adequado. Cada vertiporto contará com pontos de recarga elétrica, sistemas de comunicação avançados e áreas de espera confortáveis para os passageiros.
O planejamento inclui também a integração dos eVTOLs com outros meios de transporte, como ônibus, trens e serviços de car‑sharing, formando um hub multimodal que simplifica a jornada do usuário. Essa abordagem visa garantir que o passageiro possa chegar ao seu destino final com o menor número de transferências possível.
- Rota Navegantes ↔ Balneário Camboriú (aprox. 45 km)
- Rota Balneário Camboriú ↔ Florianópolis (aprox. 70 km)
- Rota Florianópolis ↔ Gramado (aprox. 120 km, com parada em vertiporto intermediário)
- Rota Gramado ↔ Bento Gonçalves (aprox. 60 km)
Características técnicas dos eVTOLs
Os veículos comercializados pela Eve são classificados como eVTOLs – aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical – e foram desenvolvidos para atender a demandas de curtas distâncias, com foco em segurança, eficiência energética e conforto dos passageiros. Cada unidade comporta quatro assentos para passageiros e um cockpit para o piloto, totalizando cinco ocupantes por voo.
A autonomia estimada é de cerca de 100 quilômetros, o que permite realizar múltiplas viagens diárias sem a necessidade de recarga completa entre os voos. A recarga rápida, com tecnologia de baterias de estado sólido, pode ser concluída em menos de 30 minutos, possibilitando alta rotatividade das aeronaves.
O modelo já completou mais de 70 voos de teste, incluindo manobras de voo pairado, transição para voo horizontal e testes de velocidade baixa. Em agosto, a Eve divulgou o primeiro voo horizontal completo, acionando a hélice traseira para gerar impulso de avanço, demonstrando a viabilidade do conceito em condições reais.
Além da capacidade de transporte, os eVTOLs apresentam níveis de ruído reduzidos em comparação a helicópteros convencionais, graças ao design aerodinâmico das hélices e ao uso de motores elétricos silenciosos. Essa característica facilita a implantação em áreas urbanas sensíveis ao barulho.
Desafios regulatórios e perspectivas de mercado
Antes de iniciar a operação comercial, os veículos precisam obter a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O processo de homologação inclui avaliações rigorosas de segurança, desempenho de voo, confiabilidade das baterias e protocolos de manutenção. A Eve tem mantido um diálogo constante com a Anac para acelerar a aprovação, apresentando relatórios detalhados de cada fase de teste.
Em setembro, o Ministério de Portos e Aeroportos reuniu representantes do setor aéreo, autoridades governamentais e a Eve para discutir questões críticas, como a definição de normas para vertiportos, a infraestrutura de energia necessária e a integração do espaço aéreo com o tráfego de aeronaves tradicionais. O encontro destacou a necessidade de criar um marco regulatório específico para operações de eVTOLs.
Do ponto de vista de mercado, analistas apontam que a mobilidade aérea urbana tem potencial para crescer 30% ao ano nos próximos cinco anos no Brasil, impulsionada pela expansão de cidades inteligentes e pela busca por soluções de deslocamento mais rápidas. A FlyBIS pretende ser uma das primeiras operadoras a oferecer esse serviço, aproveitando a vantagem competitiva de ser pioneira em um segmento ainda incipiente.
Dois operadores adicionais já manifestaram interesse em adquirir eVTOLs da Eve, indicando que a demanda pode ultrapassar o número inicialmente previsto de 12 aeronaves. Caso a certificação seja concedida rapidamente, a expectativa é que a frota inicial seja utilizada em rotas de alta demanda, com expansão progressiva para outras regiões do país.
Em resumo, o acordo representa um marco importante para a aviação elétrica no Brasil, combinando inovação tecnológica, planejamento de infraestrutura e esforços regulatórios coordenados. Se bem-sucedido, o modelo poderá servir de referência para projetos semelhantes na América Latina, consolidando o Brasil como um polo de desenvolvimento de mobilidade aérea sustentável.








