Uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), confirmou que o icônico predador Tiranossauro rex possuía sangue quente, com temperatura corporal próxima à dos seres humanos. A pesquisa, publicada em 2024, analisou dentes fossilizados encontrados em Montana e trouxe novas perspectivas sobre a ecologia desse dinossauro que viveu há cerca de 66 milhões de anos.
Descoberta da endotermia no T. rex
Os pesquisadores examinaram o esmalte de três dentes de T. rex, utilizando a técnica de isótopos agrupados, que mede a proporção de carbono e oxigênio incorporados durante a formação do dente. Os resultados indicaram uma temperatura média de 36,3 °C, com variação de ±2,5 °C, muito próxima à temperatura humana de 37 °C.
Essa descoberta rompe com a visão tradicional de que os grandes dinossauros eram répteis de sangue frio, dependentes do calor externo para regular a temperatura corporal. Ao contrário, o T. rex demonstrou autonomia térmica, semelhante à de mamíferos e aves.
Implicações para o comportamento e a ecologia
Ser endotérmico traz vantagens claras: maior resistência física, capacidade de caça ativa por períodos prolongados e adaptação a ambientes com temperaturas extremas. O estudo sugere que o T. rex precisava consumir mais alimento para sustentar seu metabolismo elevado, mas, em troca, poderia percorrer grandes distâncias em busca de presas.
Além disso, a capacidade de gerar calor interno teria permitido que o predador habitasse regiões frias do norte da América do Norte, onde temperaturas podiam cair abaixo de zero durante o inverno cretáceo.
- Maior mobilidade para caçar em diferentes habitats;
- Possibilidade de migrar entre áreas de clima quente e frio;
- Resistência a períodos de escassez de alimento, graças a um metabolismo mais eficiente.
Distribuição geográfica e adaptações climáticas
Fósseis de T. rex são encontrados desde as províncias canadenses de Alberta e Saskatchewan até os estados norte‑americanos de Montana, Wyoming, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Novo México e Texas. Essa ampla distribuição indica que o animal era capaz de sobreviver em ambientes muito variados, desde planícies abertas até áreas mais arborizadas.
Modelos climáticos reconstruídos pelos pesquisadores apontam que, mesmo em regiões com temperaturas próximas ao ponto de congelamento, o T. rex poderia manter sua temperatura corporal estável, graças à endotermia. Essa característica o tornava mais adaptável que outros grandes predadores da época.
Métodos científicos e perspectivas futuras
Para obter os dados, a equipe utilizou uma broca rotativa de baixa velocidade, minimizando a destruição dos fósseis. A análise dos isótopos de oxigênio (δ¹⁸O) e carbono (δ¹³C) no esmalte dentário funcionou como um termômetro natural, registrando a temperatura do corpo no momento da formação do dente.
Os autores ressaltam que a estimativa de temperatura para o T. rex situa‑se na extremidade inferior da faixa dos endotérmicos, indicando que o dinossauro possuía um metabolismo mais moderado que o de aves modernas, que chegam a 42 °C.
O estudo abre caminho para novas investigações sobre outros terópodes gigantes, como o Allosaurus e o Spinosaurus, que também podem ter apresentado graus variados de endotermia. A compreensão desses mecanismos pode redefinir a imagem dos dinossauros como criaturas exclusivamente “reptilianas”.








