Em 25 de outubro de 2026, a Sérvia vivenciou uma virada política sem precedentes quando um movimento de protesto organizado por estudantes derrotou o Partido Progressista Sérvio (SNS) nas eleições legislativas antecipadas.
O anúncio da derrota foi feito pelo próprio líder do SNS, Aleksandar Vucic, que reconheceu a derrota diante de apoiadores na sede do partido em Belgrado.
Contexto das eleições antecipadas
As eleições foram convocadas após quase dois anos de manifestações massivas contra o governo, desencadeadas pelo colapso de uma marquise na estação ferroviária de Novi Sad, que matou 16 pessoas.
O acidente, atribuído a falhas de fiscalização e corrupção, provocou a maior onda de protestos desde a queda de Slobodan Milosevic, em 2000.
Em setembro, Vucic dissolveu o Parlamento, cumprindo uma das principais exigências dos manifestantes, e renunciou à presidência para se candidatar ao cargo de primeiro‑ministro.
Segundo o Escritório Nacional de Estatística, a participação nas urnas chegou a 64,89% duas horas antes do fechamento, a maior taxa em três décadas.
A ascensão do movimento estudantil
O movimento, conhecido como “Lista dos Estudantes”, surgiu como uma frente heterogênea, reunindo jovens universitários, membros da sociedade civil e profissionais descontentes com o status‑quo.
Ao contrário de partidos tradicionais, a lista não tinha um líder carismático; sua força residia na estrutura horizontal e na capacidade de mobilizar voluntários para observar a votação.
A estudante Mila Martic, entrevistada pela AFP, descreveu a sensação de viver em um país livre após a vitória.
- Transparência nas urnas
- Fim da impunidade política
- Reforma do sistema judicial
- Investimento em educação pública
Essas reivindicações foram amplamente divulgadas nas redes sociais, gerando apoio de ONGs nacionais e internacionais.
Vinte e quatro organizações da sociedade civil declararam que, embora o processo tenha sido relativamente pacífico, ainda não atendia aos padrões de eleições “livres e justas”.
Repercussões e desafios futuros
A derrota do SNS representa a primeira vez desde 2012 que Vucic enfrenta a possibilidade real de perder o controle do Executivo.
Especialistas apontam que a polarização política permanece alta, e que a transição de poder pode gerar novos períodos de tensão.
Internacionalmente, Vucic tentou posicionar-se como guardião da soberania sérvia, defendendo relações equilibradas com a União Europeia, Rússia e Estados Unidos.
Com a nova maioria parlamentar, o futuro da política externa sérvia poderá mudar, especialmente em questões como a integração à UE e a cooperação com o Ocidente.
Os estudantes agora enfrentam o desafio de transformar a vitória nas urnas em políticas concretas, mantendo a coesão interna e evitando fragmentações que possam enfraquecer sua agenda.
Observadores destacam que a capacidade de governar efetivamente dependerá da habilidade de formar coalizões com outros partidos e de lidar com a burocracia estatal.
Enquanto isso, a população sérvia celebra nas ruas de Belgrado, onde bandeiras estudantis e sinalizadores iluminam a noite, simbolizando um novo capítulo na história do país.
Analistas políticos alertam que o sucesso ou fracasso do novo governo terá impacto direto na estabilidade econômica, no combate à corrupção e na confiança dos investidores estrangeiros.
Em síntese, a vitória estudantil marca um ponto de inflexão que pode redefinir a trajetória democrática da Sérvia nas próximas décadas.








