Na última quinta-feira, 8 de setembro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro desvendou um complexo esquema de adulteração de taxímetros que lesava passageiros que desembarcavam no Aeroporto Internacional do Galeão. A operação, coordenada por diversas delegacias, revelou como motoristas e intermediários manipulavam o valor das corridas, aumentando em até 50% o preço cobrado.
Como funcionava o dispositivo fraudulento
O coração da fraude era uma pequena placa eletrônica instalada discretamente atrás do botão do porta‑mala dos táxis. Quando acionada pelo motorista, a placa interferia nos pulsos enviados pelo sensor do carro ao taxímetro, provocando um aumento artificial da tarifa.
Segundo as investigações, o dispositivo podia elevar o valor da corrida em cerca de 20% de forma automática. Em alguns casos, a manipulação era ainda mais agressiva, resultando em cobranças de até 50% a mais do que a tarifa regular.
O procedimento era simples: o motorista pressionava um botão oculto, ativava o circuito e o taxímetro registrava distâncias falsas, gerando um preço inflado. Essa prática passava despercebida pelos passageiros, que acreditavam estar pagando a tarifa correta.
Além da placa eletrônica, os fraudadores utilizavam códigos de comunicação entre motoristas para sincronizar a ativação do dispositivo durante períodos de maior fluxo de turistas, como feriados e eventos internacionais.
Estrutura e responsáveis pela fraude
As apurações apontaram uma possível rede envolvendo uma empresa de locação de táxis e uma oficina especializada na instalação dos aparelhos. Documentos apreendidos indicavam que a empresa controlava uma frota de aproximadamente 200 veículos.
Segundo os investigadores, a empresa de locação determinava o uso do dispositivo e entregava alguns carros já equipados com a fraude ativada, facilitando a prática entre os motoristas recém‑contratados.
Além da empresa de locação, a investigação identificou jóqueis que abordavam passageiros no terminal, principalmente turistas, encaminhando‑os a veículos sem autorização para operar no aeroporto em troca de comissão.
- Empresa de locação de táxis: fornecia a frota e coordenava a instalação dos dispositivos.
- Oficina de eletrônica: responsável pela montagem e manutenção das placas fraudulentas.
- Jóqueis: captavam passageiros e direcionavam‑os aos táxis fraudulentos.
- Motoristas: acionavam o dispositivo durante a corrida.
Em um dos casos mais extremos, um passageiro foi cobrado cerca de R$ 900 por uma corrida até a Zona Sul, valor muito acima da tarifa média para o trajeto.
Operação policial e desdobramentos
A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), pela Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (DAIRJ) e pela Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (DEAT). Durante a operação, 35 taxistas e jóqueis foram conduzidos para prestar depoimento.
Além dos depoimentos, a polícia apreendeu 17 táxis equipados com o dispositivo fraudulento, impedindo que novas vítimas fossem lesadas. Os veículos foram encaminhados para perícia técnica, que confirmou a manipulação dos sensores.
Os investigadores também estão averiguando a participação de um integrante do tráfico de drogas, que, segundo as apurações, coordenava os captadores no aeroporto e buscava ampliar sua influência sobre taxistas autorizados a operar no Galeão.
A investigação ainda não definiu se a empresa de locação será responsabilizada criminalmente ou apenas civilmente, mas as evidências sugerem que a prática era sistemática e beneficiava um grupo restrito de motoristas e intermediários.
Os órgãos de trânsito e turismo do Rio de Janeiro foram acionados para revisar os procedimentos de credenciamento de táxis no aeroporto, visando prevenir novas fraudes e garantir a segurança dos passageiros.
Impacto nos passageiros e medidas preventivas
Os turistas e moradores que utilizam o Galeão como ponto de partida ou chegada foram os principais alvos da fraude, já que muitos desconhecem as tarifas oficiais e confiam nos motoristas para chegar ao destino sem surpresas.
Especialistas em direito do consumidor recomendam que os passageiros verifiquem o taxímetro antes de iniciar a corrida e solicitem a nota fiscal ao final da viagem, para garantir a transparência dos valores.
Além disso, a Polícia Civil orienta que os usuários denunciem quaisquer irregularidades ao número 190 ou ao site da Ouvidoria da Polícia Civil, fornecendo detalhes como placa do veículo, nome do motorista e horário da corrida.
As autoridades também sugerem o uso de aplicativos de transporte reconhecidos, que apresentam tarifas pré‑calculadas e permitem ao passageiro acompanhar o trajeto em tempo real.
Com a operação em curso, espera‑se que a prática fraudulenta seja desmantelada, restaurando a confiança dos usuários nos serviços de táxi do Aeroporto do Galeão.








