Na tarde da última quinta‑feira, equipes do programa Fantástico percorreram novamente o caminho até o ponto da tragédia que vitimou o cantor Rick e quatro passageiros na Serra Catarinense. O objetivo foi registrar, em imagens exclusivas, cada detalhe do terreno onde o helicóptero Bell 430 colidiu com a mata fechada. A operação ocorreu a cerca de 1.700 metros de altitude, entre as cidades de Urubici e São Joaquim.
Recriação do trajeto com tecnologia de ponta
Para documentar o percurso, a equipe utilizou drones equipados com câmeras de alta resolução e sensores térmicos. Os aparelhos sobrevoaram a região em voos de baixa altitude, capturando imagens que foram posteriormente processadas em um scanner tridimensional. Esse recurso permitiu gerar um modelo virtual da área de impacto, facilitando a visualização da topografia e dos obstáculos naturais.
Além dos drones, foram empregados equipamentos de georreferenciamento que marcaram pontos críticos, como desfiladeiros, áreas de lama e rochas escorregadias. Cada ponto foi anotado em um mapa digital, possibilitando que os técnicos da Polícia Científica reconstruíssem a sequência de eventos com precisão milimétrica. O resultado foi uma simulação que demonstra como a aeronave entrou na mata e se fragmentou em poucos metros.
Os profissionais responsáveis pela captura das imagens destacaram a importância de repetir o trajeto. “Ao refazer o caminho, conseguimos comparar as condições do terreno no momento do acidente com as atuais, identificando mudanças que podem ter influenciado a queda”, afirmou o operador de drones.
Desafios do terreno e da operação de busca
O acesso ao local da colisão exigiu mais de duas horas e meia de caminhada em um terreno íngreme e coberto por vegetação densa. Os bombeiros relataram que a área apresentava declividade acentuada, lama profunda, riachos rasos e inúmeras pedras que dificultavam a locomoção de veículos e equipamentos.
Um tenente dos bombeiros descreveu as condições como “um cenário de alta complexidade, onde a visibilidade era reduzida e a segurança dos resgatistas ficava comprometida”. Por causa disso, a força‑tarefa contou com o apoio de equipes de defesa civil, militares e voluntários, que trabalharam em turnos de até 20 horas seguidas.
Para otimizar a busca, foram utilizados
- Drones com câmeras térmicas para detectar variações de temperatura na vegetação;
- Equipamentos de comunicação por rádio de longo alcance;
- Kit de primeiros socorros avançado para emergências no local.
Essas ferramentas ajudaram a mapear áreas de risco e a identificar possíveis pontos de sobrevivência, embora a probabilidade de encontrar alguém vivo fosse considerada baixa após a análise dos destroços.
Análise dos destroços e hipóteses sobre a causa
Os peritos da Polícia Científica, liderados pelo perito criminal Fernando Henrique Ponzetti, examinaram os fragmentos do helicóptero Bell 430, prefixo PP‑MGR. O modelo, que mede pouco mais de quinze metros, foi reduzido a cerca de três metros de estrutura após o impacto, segundo as medições feitas no scanner 3D.
Com base nas dimensões da fuselagem, no diâmetro dos rotores e na distribuição dos pedaços espalhados, os especialistas puderam simular a trajetória de queda. “Conseguimos reproduzir virtualmente a entrada da aeronave na mata, avaliando a velocidade de impacto e os ângulos de colisão”, explicou Ponzetti.
As hipóteses levantadas incluem falha mecânica, erro de navegação em condições de baixa visibilidade e possível desvio de rota causado por mudanças climáticas repentinas. O fato de a aeronave ter autorização para voos noturnos e por instrumentos, conforme registros da ANAC, acrescenta um elemento de complexidade à investigação.
Informações sobre a aeronave e as vítimas
O Bell 430, fabricado em 2001, possui capacidade para até sete passageiros e estava com a documentação em dia. A companhia aérea que operava o voo possuía licença para voos noturnos e equipados com instrumentos de navegação avançados.
Entre os ocupantes da aeronave estavam:
- Rick (cantor e apresentador);
- Um piloto experiente;
- Um copiloto;
- Dois passageiros corporativos;
- Um técnico de manutenção a bordo.
Todos foram declarados vítimas fatais após a confirmação dos socorristas no local. O comandante dos bombeiros informou que, ao chegar aos destroços, a equipe ouviu apenas o eco da própria queda, sem sinais de vida.
A reconstrução do trajeto, aliada ao levantamento tecnológico, oferece agora subsídios importantes para as investigações. As autoridades esperam que a análise detalhada dos vestígios ajude a esclarecer as causas da tragédia e a prevenir incidentes semelhantes no futuro.








