Em 12 de junho de 2024, uma expedição internacional chegou à ilha remota de Nikumaroro, no Pacífico, para investigar uma anomalia submersa que pode ser o que restou do avião de Amelia Earhart. O grupo, formado por cientistas da Universidade Purdue e do Instituto do Legado Arqueológico, pretende usar sonar e técnicas arqueológicas para analisar o que foi batizado de Objeto Taraia.
O contexto histórico do desaparecimento
Amelia Earhart, pioneira da aviação americana, desapareceu em julho de 1937 enquanto tentava dar a volta ao mundo ao longo da linha do Equador. Ela pilotava um Lockheed Electra 10‑E acompanhado pelo navegador Fred Noian, partindo da Papua‑Nova Guiné em direção à ilha Howland, nos Estados Unidos. Quando o combustível começou a escassear, o casal mudou a rota para uma trajetória norte‑sul que passava perto de Nikumaroro, mas o rádio ficou em silêncio e nunca mais houve contato.
O governo dos EUA organizou uma operação de busca massiva, mas não encontrou vestígios conclusivos. Desde então, o mistério alimenta teorias e investigações, entre elas a hipótese do Grupo Internacional para Recuperação de Aeronaves Históricas (TIGHAR), que desde 1988 aponta Nikumaroro como possível local de queda.
Preparativos e metodologia da expedição
A equipe chegou a bordo do barco Marin Mainiku, com 17 pesquisadores e mais 17 tripulantes, pronta para um trabalho de campo que deve durar até cinco dias, dependendo das marés e dos efeitos do El Niño. O plano combina sonar de alta frequência, draga de indução de água e inspeções visuais em uma lagoa onde o Objeto Taraia foi detectado.
Para garantir a segurança dos membros, foram adotados protocolos específicos contra os caranguejos gigantes da ilha, conhecidos como Birgus latro. Embora não sejam agressivos, esses artrópodes podem causar incômodo significativo ao impedir o pernoite em terra firme.
Desafios ambientais: os caranguejos gigantes
O caranguejo‑dos‑coqueiros, o maior artrópode terrestre do mundo, pode chegar a pesar até quatro quilos e viver em grandes colônias nas áreas costeiras de Nikumaroro. A presença massiva desses animais obriga a equipe a montar acampamentos temporários em áreas elevadas e a usar redes protetoras ao redor dos equipamentos.
Apesar do incômodo, os pesquisadores relataram que os caranguejos não representam risco direto à integridade física das pessoas, mas exigem vigilância constante para evitar danos ao equipamento de sonar e à draga.
Achados anteriores que alimentam a teoria
- Fragmentos de alumínio e acrílico compatíveis com materiais de aeronaves da década de 1930.
- Um frasco de perfume importado dos EUA.
- Um zíper fabricado nos anos 1930, típico de uniformes da época.
- Partes de um canivete de lâmina dobrável.
- Um salto de sapato feminino de couro.
Esses objetos foram encontrados em escavações anteriores na ilha e reforçam a hipótese de que a dupla acabou por ali. Além disso, documentos de arquivo indicam que restos mortais humanos descobertos em 1940 poderiam pertencer a Earhart ou Noonan, embora os ossos tenham desaparecido durante o caos da Segunda Guerra Mundial.
Conexões acadêmicas e legado de Earhart
A Universidade Purdue tem um vínculo histórico com a aviadora, que atuou na instituição nos anos 1930 como orientadora de carreiras para mulheres e consultora técnica em aeronáutica. Essa relação fortalece o interesse da universidade em participar da busca, combinando expertise em engenharia, arqueologia subaquática e história da aviação.
Os resultados da expedição poderão não apenas esclarecer um dos maiores mistérios da aviação, mas também gerar dados valiosos sobre a ecologia marinha da região, a preservação de artefatos em ambientes tropicais e a interação humana com espécies endêmicas como o Birgus latro.
Próximos passos e expectativas
Se o Objeto Taraia for confirmado como parte do Lockheed Electra, a descoberta representará um marco histórico, permitindo uma análise detalhada da construção da aeronave e possivelmente revelando detalhes sobre as condições que levaram ao desaparecimento. Caso contrário, os pesquisadores ainda contarão com novos achados que poderão abrir outras linhas de investigação.
Independentemente do desfecho, a missão reforça a importância da colaboração internacional em pesquisas arqueológicas e demonstra como tecnologias modernas, como o sonar de alta resolução, podem ser aliadas poderosas na busca por respostas a enigmas do passado.








