A entrevista concedida pela empresária Roberta Luchsinger à CNN Brasil, exibida na noite de sábado, 17 de outubro de 2026, desencadeou o maior pico de menções negativas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais este ano. Em apenas uma hora, às 21h, foram registradas 37.587 críticas, superando em 55% o recorde anterior, que ocorreu durante a apuração do primeiro turno das eleições em 4 de outubro.
Impacto imediato nas plataformas digitais
O monitoramento digital realizado pela ferramenta Brandwatch mostrou que o volume geral de publicações sobre o presidente disparou para 17.812 posts ao longo do sábado, um número 76 vezes superior à mediana diária de 235 publicações observada entre 4 e 16 de outubro. Às 21h, o total de menções a Lula chegou a 94.218, quase dez vezes a média histórica para o mesmo horário em sábados anteriores.
Entre as plataformas, o X concentrou a maior parte das menções, enquanto o Instagram gerou a maior parcela de interações, evidenciando que volume de posts nem sempre corresponde ao engajamento obtido.
Principais linhas de ataque
O levantamento apontou que 85% das publicações que associaram diretamente Lula à empresária foram classificadas como negativas. O tema mais recorrente foi a acusação de que o presidente “mente”, com 14.833 menções à expressão “Lula mentiroso”, o maior volume diário desse tipo de crítica desde janeiro.
- Acusações de mentiras sobre assuntos grandes e pequenos.
- Supostas negociações de delação premiada envolvendo Lula e seu filho, Lulinha.
- Ameaças de responsabilização caso algo aconteça com a empresária ou suas filhas.
Além disso, surgiram críticas à condução da entrevista, questionamentos sobre a credibilidade de Luchsinger e cobranças por provas documentais que respaldem suas alegações.
Repercussão sobre Lulinha e a delação premiada
As menções negativas envolvendo Lulinha atingiram o maior volume de 2026, 75% acima do recorde anterior registrado em agosto. Durante a entrevista, Luchsinger afirmou que pretende firmar um acordo de delação premiada sem poupar nem o presidente nem seu filho, o que alimentou ainda mais o clima de hostilidade nas redes.
Lula, por sua vez, negou todas as acusações e declarou desconhecer quaisquer tratativas mencionadas pela empresária, reforçando sua posição de que as alegações carecem de fundamento.
Evolução horária das críticas
A série horária demonstra uma mudança clara no padrão das menções negativas após o início da entrevista, às 20h. Entre 18h e 20h, as críticas representavam entre 25% e 29% das menções registradas. Às 21h, a proporção subiu para 41,4%, coincidindo com o pico absoluto de críticas.
O percentual negativo atingiu seu ponto máximo às 22h, quando 55,5% das menções a Lula foram classificadas como críticas. Mesmo às 23h, o índice ainda permanecia elevado, em 53,7%.
Durante a madrugada, a proporção manteve-se em torno de 49%, e na manhã de domingo, às 7h, o volume de menções ao presidente continuava aproximadamente 60% acima do padrão habitual.
Outros atores e implicações políticas
O relatório identificou a presença de cerca de 1,4 mil publicações que mencionavam o senador Flávio Bolsonaro, indicando que o parlamentar se beneficiou indiretamente da repercussão como figura da oposição.
É importante salientar que o monitoramento contabiliza apenas posts e comentários públicos, não constituindo uma pesquisa de opinião nem verificando a veracidade das acusações feitas durante a entrevista. A classificação de sentimento foi feita por algoritmos da Brandwatch, que distinguem entre menções neutras, positivas e negativas.
Em resumo, a entrevista de Roberta Luchsinger gerou um cenário de intenso debate digital, com recordes de críticas, engajamento massivo e múltiplas linhas de discussão que se estenderam ao longo de várias horas, impactando tanto a imagem do presidente quanto o discurso da oposição.








