O segundo turno da eleição presidencial de 2026 terminou com a reeleição do presidente Lula, mas um detalhe chamou a atenção dos analistas: em um município do oeste do Paraná, o candidato Flávio Bolsonaro recebeu exatamente o mesmo número de votos que o petista. O fato ocorreu na pequena cidade de Marquinho, que tem cerca de cinco mil habitantes e está a aproximadamente 400 km de Curitiba.
O panorama nacional das eleições de 2026
Em todo o país, Lula acumulou 64.256.232 votos, o que corresponde a 51,79% dos eleitores válidos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 59.826.041 votos, representando 48,21% do total. A diferença de quase quatro milhões de votos garantiu a vitória do petista em todas as regiões, consolidando a sua segunda consecutiva reeleição.
O pleito foi marcado por alta polarização e por uma participação eleitoral acima da média histórica, com mais de 120 milhões de brasileiros comparecendo às urnas. As campanhas foram intensas, com forte presença nas redes sociais, debates televisivos e visitas a comunidades rurais e urbanas.
Além dos dois candidatos principais, a disputa contou com a presença de outros nomes de menor expressão, que, embora não tenham conseguido avançar para o segundo turno, influenciaram o cenário ao captar votos que poderiam ter sido decisivos em municípios com margens apertadas.
Marquinho (PR): o município que empatou
Marquinho, localizado no interior do Paraná, registrou 1.530 votos para Lula e o mesmo número para Flávio Bolsonaro, resultando em um empate perfeito de 50% dos votos válidos. Dos 3.127 eleitores que compareceram às urnas, 42 votos foram nulos e 25 foram brancos, enquanto 748 eleitores (19,3%) se abstiveram.
O município, com quase cinco mil habitantes, tem uma economia baseada na agricultura familiar e no comércio local. A proximidade dos resultados refletiu a divisão de opiniões entre os moradores, que costumam oscilar entre o apoio ao Partido dos Trabalhadores e ao PL nas últimas eleições.
Especialistas apontam que a coincidência numérica pode ser fruto de uma combinação de fatores, como a presença de lideranças locais que apoiam candidaturas opostas, a influência de redes de parentesco e a mobilização de grupos religiosos que historicamente dividem seu voto entre os dois candidatos.
Apesar do empate, o município ainda não divulgou oficialmente a certidão de resultados, que deve ser publicada pela Justiça Eleitoral nas próximas semanas. Enquanto isso, a comunidade local tem acompanhado de perto as discussões sobre a validade do voto e a possibilidade de um eventual recurso.
Outros empates e margens mínimas em cidades brasileiras
No primeiro turno, dois municípios já haviam registrado empates entre Lula e Flávio Bolsonaro: Crixás, no Tocantins, e Trabiju, em São Paulo, ambos com pouco mais de mil eleitores. No total, 198 cidades apresentaram diferenças de até cem votos a favor do candidato mais votado no segundo turno de 2026.
Entre as situações mais curiosas, um único voto foi decisivo para a vitória de Lula em municípios como Apiacá (ES), Altamira do Paraná (PR) e São João do Pau D’Álho (SP). Em Juarina (TO), a diferença foi de exatamente cem votos (912 a 812).
Por outro lado, Flávio Bolsonaro saiu na frente por apenas um voto em Anhanguera (GO) e Nova Luzitânia (SP). Em Guatambú (SC), a margem foi de cem votos (2.739 a 2.639).
- Apiacá (ES) – vitória de Lula por 1 voto
- Altamira do Paraná (PR) – vitória de Lula por 1 voto
- São João do Pau D’Álho (SP) – vitória de Lula por 1 voto
- Juarina (TO) – vitória de Lula por 100 votos
- Anhanguera (GO) – vitória de Flávio por 1 voto
- Nova Luzitânia (SP) – vitória de Flávio por 1 voto
- Guatambú (SC) – vitória de Flávio por 100 votos
Minas Gerais liderou o ranking de municípios com diferenças menores, contabilizando 55 localidades. São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul completaram os quatro primeiros estados, com 30, 28 e 24 municípios, respectivamente.
Implicações dos empates nas estratégias de campanha
Os resultados apertados em pequenos municípios têm sido estudados como indicadores de vulnerabilidades e oportunidades para os partidos. Em áreas onde a margem é mínima, campanhas futuras podem focar em mobilizar eleitores indecisos, intensificar a presença de líderes comunitários e investir em comunicação direcionada.
Para o PL, o empate de Marquinho pode servir de alerta para reforçar a estrutura de base nas regiões rurais do Sul, onde a concorrência ainda é acirrada. Já para o PT, o caso demonstra a importância de manter a coesão entre lideranças locais e de garantir a presença de representantes nas urnas até o último minuto.
Analistas de ciência política ressaltam que, embora os empates não alterem o resultado nacional, eles podem influenciar a distribuição de recursos federais, já que alguns programas de desenvolvimento são condicionados ao apoio político nas esferas municipais.
Em resumo, o fenômeno dos empates evidencia a complexidade do cenário eleitoral brasileiro, onde até mesmo um único voto pode mudar a narrativa de uma comunidade inteira. O acompanhamento desses casos será fundamental para entender as dinâmicas de poder nas próximas disputas políticas.








