A pesquisa realizada pela Quaest, divulgada nesta quarta‑feira (23), mostrou que a maioria dos eleitores de Minas Gerais tem mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder do que da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento, encomendado pela Globo, foi aplicado entre os dias 19 e 22 de setembro e contou com 1.506 entrevistados com idade a partir de 16 anos. Os dados foram registrados na Justiça Eleitoral sob o número BR‑07664/2026.
Contexto e metodologia da pesquisa
A Quaest, empresa especializada em estudos de opinião, conduziu a pesquisa por telefone, garantindo amostragem balanceada entre as regiões do estado. A margem de erro foi de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança atingiu 95%, parâmetros que conferem robustez aos resultados.
Os entrevistados foram selecionados de forma aleatória, respeitando quotas de gênero, faixa etária e classe econômica, de modo a refletir a diversidade do eleitorado mineiro. O objetivo principal era entender qual cenário político gera mais apreensão entre a população: a continuidade do governo Lula ou o retorno da família Bolsonaro.
Medo da volta da família Bolsonaro
Quando questionados sobre o que mais os assusta, 41% dos respondentes apontaram o possível retorno da família Bolsonaro ao poder. Esse número ficou à frente de 40% que temem a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, indicando uma divisão quase equilibrada, mas com ligeiro destaque para o temor ao grupo Bolsonaro.
A percepção de risco associada à família Bolsonaro está ligada a questões como políticas de segurança, alinhamento internacional e a polarização que marcou o período anterior ao pleito. Muitos eleitores citam a instabilidade econômica e a possibilidade de retrocessos em direitos sociais como fatores que alimentam esse medo.
- 41% temem a volta da família Bolsonaro;
- 40% temem a reeleição de Lula;
- 19% não manifestaram preferência clara.
Esses números sugerem que, embora a população esteja dividida, a ansiedade em torno de um possível retorno da dinastia Bolsonaro ainda pesa mais na balança do medo coletivo.
Aprovação e desaprovação do governo Lula
Além da questão da volta da família Bolsonaro, a pesquisa investigou a avaliação do atual governo. Quase metade dos entrevistados (49%) declarou desaprovar a gestão de Lula, enquanto 44% manifestaram aprovação. Os 7% restantes se declararam indecisos ou não souberam responder.
Os críticos apontam a inflação, a crise energética e a percepção de corrupção como motivos para a desaprovação. Por outro lado, os apoiadores ressaltam avanços em programas sociais, aumento do salário mínimo e a política externa mais alinhada com os parceiros tradicionais.
Essa proximidade entre os índices de aprovação e desaprovação evidencia um eleitorado ainda em processo de consolidação de opinião, o que pode gerar oscilações significativas nas urnas.
Interesse nas eleições de 2026
O estudo também abordou o nível de engajamento dos eleitores nas eleições deste ano. Sete em cada dez entrevistados (67%) afirmaram estar pouco ou nada interessados nas disputas eleitorais, enquanto 32% declararam estar muito interessados.
O desinteresse pode ser atribuído ao cansaço político, à sensação de que as decisões já foram tomadas ou à falta de confiança nas instituições. Já o grupo mais engajado costuma estar mais atento a debates, propostas de candidatos e ao acompanhamento de pesquisas como a presente.
Para os que demonstraram maior interesse, a principal motivação está relacionada ao desejo de influenciar o futuro econômico e social do estado, bem como de garantir a manutenção ou mudança de políticas públicas que afetam diretamente a vida cotidiana.
Considerações finais e panorama futuro
Com os números apresentados, fica claro que Minas Gerais vive um momento de polarização intensa, onde tanto a continuidade do governo Lula quanto a possibilidade de retorno da família Bolsonaro geram apreensão. Essa dualidade pode intensificar campanhas de mobilização e estratégias de comunicação por parte dos candidatos.
Os partidos políticos deverão ajustar suas mensagens, focando em temas que reduzam o medo e reforcem a confiança dos eleitores. Estratégias de diálogo, transparência nas propostas e a apresentação de soluções concretas para questões como segurança, economia e saúde podem ser decisivas para mudar a percepção de risco.
Em síntese, a pesquisa Quaest oferece um retrato detalhado das ansiedades e expectativas do eleitorado mineiro, servindo como bússola para campanhas, analistas e observadores que buscam compreender as dinâmicas que moldarão as próximas eleições. O futuro político de Minas Gerais ainda está em construção, e o comportamento dos eleitores nos próximos meses será decisivo para definir se o medo prevalecerá ou se a esperança de mudança ganhará força.








