A pesquisa Ipespe/Abrapel, divulgada em 17 de outubro de 2026, revelou como eleitores de candidatos eliminados no primeiro turno estão redistribuindo seu voto entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. O levantamento, realizado entre 13 e 15 de outubro, entrevistou 1.500 eleitores em todo o país. Os resultados apontam diferenças significativas entre os eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos.
Eleitores de Augusto Cury
Entre os que afirmaram ter votado em Augusto Cury no primeiro turno, a maioria optou por migrar para Flávio Bolsonaro. Exatamente 50% dos entrevistados declararam apoio ao candidato de Rio de Janeiro, enquanto 31% preferem Lula. Um pequeno grupo, 3%, pretende votar em branco ou anular a urna, e 17% permanecem indecisos ou não responderam.
- Flávio Bolsonaro: 50%
- Lula: 31%
- Branco ou nulo: 3%
- Indecisos: 17%
A diferença entre os dois candidatos nesse segmento é de 19 pontos percentuais, indicando uma vantagem confortável para Bolsonaro entre os eleitores de Cury.
Eleitores de Ronaldo Caiado
O eleitorado de Ronaldo Caiado mostrou a maior propensão a apoiar Flávio Bolsonaro entre os três grupos analisados. 59% dos respondentes disseram que votarão no candidato de Brasília, ao passo que apenas 18% pretendem escolher Lula. Outros 6% optam por voto em branco ou nulo, e mais 18% permanecem sem resposta ou indecisos.
- Flávio Bolsonaro: 59%
- Lula: 18%
- Branco ou nulo: 6%
- Indecisos: 18%
Esses números reforçam a tendência de que o apoio ao candidato de Jair Bolsonaro se consolida entre os eleitores que apoiaram o ex‑governador de Goiás no primeiro turno.
Eleitores de Renan Santos
O comportamento dos eleitores de Renan Santos apresenta maior fragmentação. Apenas 40% indicaram voto em Flávio Bolsonaro, enquanto 20% preferem Lula. Um expressivo 32% declararam que votarão em branco ou anularão a cédula, e 8% permanecem sem definição.
- Flávio Bolsonaro: 40%
- Lula: 20%
- Branco ou nulo: 32%
- Indecisos: 8%
Esse cenário evidencia que quase um terço dos eleitores de Renan Santos não pretende escolher nenhum dos dois finalistas, o que pode impactar a taxa de abstenção ou a quantidade de votos nulos.
Análise geral e implicações para o segundo turno
Quando todos os eleitores de candidatos que não avançaram são agrupados na categoria “Outros”, 55% apontam Flávio Bolsonaro como segunda opção, enquanto 27% preferem Lula. Votos em branco ou nulo somam 9%, e 9% permanecem indecisos.
- Flávio Bolsonaro: 55%
- Lula: 27%
- Branco ou nulo: 9%
- Indecisos: 9%
Os dados também mostram que a fidelidade ao candidato escolhido no primeiro turno permanece alta. Entre os que votaram em Flávio, 97% mantêm a preferência, e apenas 2% migram para Lula. Do lado de Lula, 96% permanecem leais, e 1% consideram mudar para Bolsonaro.
Com margem de erro de até 2,6 pontos percentuais, a pesquisa oferece um panorama robusto para as estratégias de campanha. Os candidatos podem direcionar mensagens específicas para os eleitores de Cury, Caiado e Santos, tentando reduzir a evasão para o voto em branco ou nulo. Além disso, a forte inclinação dos eleitores de Caiado para Bolsonaro pode influenciar alianças regionais, especialmente nas áreas onde o agronegócio tem maior peso.
Em termos de geografia política, os resultados sugerem que o centro‑oeste e partes do norte, onde Caiado tem maior presença, podem favorecer Bolsonaro no segundo turno. Por outro lado, a fragmentação dos eleitores de Renan Santos, que tem base no interior de São Paulo, pode gerar oportunidades para campanhas de mobilização de base a fim de converter os indecisos.
Por fim, o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00223/2026, garantindo transparência e possibilidade de auditoria. O cenário apresentado pela Ipespe/Abrapel reforça a importância de monitorar continuamente a migração de eleitores, pois pequenas variações podem ser decisivas em uma disputa tão acirrada como a que se aproxima.








