A eleição presidencial brasileira de 2026 tem seu primeiro turno marcado para 4 de outubro, com a possibilidade de ser decidida em única votação caso um candidato ultrapasse 50% dos votos válidos. Desde o retorno das eleições diretas em 1989, apenas duas disputas foram concluídas no primeiro turno, ambas vencidas por Fernando Henrique Cardoso. O cenário atual reúne 12 candidatos, entre eles o incumbente Lula e Flávio Bolsonaro.
Histórico dos primeiros turnos nas eleições presidenciais
Quando o Brasil retomou as eleições diretas para a Presidência, em 1989, o país vivenciou um processo de consolidação democrática que se refletiu nas urnas. Naquela primeira rodada, Fernando Collor obteve 30,5% dos votos válidos, avançando ao segundo turno ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou com 17,2%.
Foi apenas em 1994 que a maioria absoluta foi alcançada, permitindo a vitória de Fernando Henrique Cardoso já no primeiro turno, com 54,3% dos votos válidos. O candidato do PSDB superou amplamente o petista Lula, que ficou em segundo lugar com 27%.
Quatro anos depois, em 1998, o mesmo padrão se repetiu: Fernando Henrique Cardoso foi reeleito com 53,1% dos votos válidos, enquanto Lula aumentou sua participação para 31,7%, mas ainda longe da maioria necessária para evitar o segundo turno. Até hoje, essa eleição permanece como a última decisão presidencial concluída no primeiro turno.
Nas eleições subsequentes, de 2002 a 2022, a necessidade de um segundo turno se manteve constante. Em 2002, Lula chegou a 46,4% dos votos, mas precisou enfrentar José Serra no segundo turno, vencendo a disputa. Em 2006, Lula quase chegou à maioria absoluta, com 48,6%, mas ainda ficou abaixo dos 50% exigidos.
Os anos 2010 e 2014 foram marcados por Dilma Rousseff, que também precisou recorrer ao segundo turno em ambas as oportunidades, vencendo em 2010 contra José Serra e em 2014 contra Aécio Neves. Em 2018, Jair Bolsonaro chegou a 46,03% dos votos, mas novamente foi para a segunda votação, onde derrotou Fernando Haddad.
O padrão se repetiu em 2022, quando Lula obteve 48,43% dos votos válidos e Bolsonaro 43,20%, levando a disputa para o segundo turno, que foi decidido com 50,9% a favor do petista. Esse histórico demonstra que, fora os dois mandatos de FHC, o eleitorado brasileiro tem se mostrado dividido o suficiente para impedir a maioria absoluta em primeira rodada.
Como funciona a regra da maioria absoluta
A Constituição Federal estabelece que, para ser eleito presidente na primeira votação, o candidato deve conquistar a maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais de 50% do total considerado. Esse cálculo exclui votos em branco e nulos, que não entram na conta da maioria.
Se nenhum candidato atingir esse patamar, os dois mais votados avançam para o segundo turno, que ocorre três semanas depois da primeira rodada. Essa regra garante que o vencedor tenha apoio de maioria dos eleitores que efetivamente escolheram um candidato.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem a responsabilidade de validar os resultados e confirmar se a maioria absoluta foi atingida. Caso contrário, o TSE convoca o segundo turno e define a data, que, no caso de 2026, será 25 de outubro.
É importante notar que a maioria absoluta não exige que o candidato obtenha 50% dos votos totais, mas sim 50% dos votos válidos. Assim, uma alta taxa de votos nulos ou em branco pode, teoricamente, reduzir o número de votos necessários para alcançar a maioria absoluta.
Candidaturas e expectativas para 2026
Para a eleição de 2026, o TSE registrou oficialmente 12 candidaturas à Presidência da República. Entre os nomes mais conhecidos estão Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que busca a reeleição, e Flávio Bolsonaro, do PL, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Lula (PT)
- Flávio Bolsonaro (PL)
- Ronaldo Caiado (DEM)
- Romeu Zema (NOVO)
- Augusto Cury (PRP)
- Renan Santos (REDE)
- Wilson Grassi (PSOL)
- Rui Costa Pimenta (PC do B)
- Samara Martins (PV)
- Hertz Dias (PATRI)
- Edmilson Costa (MDB)
- Clariana Barão (PSB)
Analistas políticos apontam que a presença de candidatos de partidos menores pode fragmentar ainda mais o eleitorado, dificultando a concentração de votos em torno de um único nome. Essa fragmentação pode favorecer a necessidade de um segundo turno, caso nenhum dos candidatos principais alcance a maioria absoluta.
O ex-presidente Lula tem a vantagem de incumbência e de uma base de apoio consolidada, enquanto Flávio Bolsonaro tenta capitalizar a popularidade residual do pai entre eleitores conservadores. Outros nomes, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, podem atrair eleitores regionais e de centro-direita, ampliando a disputa.
Especialistas também destacam a importância das campanhas digitais, que têm se tornado cada vez mais decisivas nas eleições brasileiras. O uso de microsegmentação, anúncios em redes sociais e estratégias de engajamento online pode mudar o panorama tradicional das urnas.
Em resumo, a eleição de 2026 apresenta um cenário de alta competitividade, com 12 candidatos disputando a maioria absoluta em um contexto histórico onde apenas duas vezes a eleição foi decidida no primeiro turno. O resultado dependerá não apenas da força dos candidatos mais conhecidos, mas também da capacidade de mobilizar eleitores em um ambiente político cada vez mais polarizado.








