As eleições parlamentares de Israel concluíram na terça‑feira, 27 de outubro, com a vitória dos partidos que representam a população árabe e com nenhum dos blocos – o da coalizão governista de Benjamin Netanyahu nem a oposição liderada por Gadi Eisenkot – alcançando a maioria necessária no Knesset. O resultado foi divulgado por pesquisas de boca de urna transmitidas pelas principais redes de televisão do país.
Cenário eleitoral e resultados preliminares
O Knesset, parlamento israelense, possui 120 cadeiras, e a formação de um governo exige, no mínimo, 61 assentos. As primeiras apurações mostraram que tanto o Likud, partido de Netanyahu, quanto o Yashar, liderado por Eisenkot, ficaram entre 20 e 30 cadeiras, indicando um quadro extremamente apertado.
Mesmo antes da votação, as pesquisas apontavam para uma disputa acirrada entre os dois líderes. Netanyahu, com 77 anos, buscava manter o poder que exerce desde 2009, enquanto Eisenkot, de 66 anos, apresentava-se como a principal alternativa de centro‑direita.
Desempenho dos partidos árabes
Os partidos que representam a comunidade árabe israelense registraram crescimento significativo, conquistando mais cadeiras do que nas eleições anteriores. Esse avanço reflete a mobilização de eleitores árabes, motivados pelos recentes conflitos e pela percepção de que suas demandas ainda não foram atendidas pelos governos de coalizão.
Entre os partidos árabes que ganharam representação estão:
- Ra’am (Relação Árabe-Muçulmana)
- Al‑Liwa (A Bandeira)
- Hadash (Democracia)
- Ta’al (Poder Alternativo)
Essas siglas somaram, coletivamente, cerca de oito assentos, o que pode torná‑las peças-chave nas negociações para a formação de um governo estável.
Desafios para a formação de coalizão
A ausência de maioria clara coloca tanto Netanyahu quanto Eisenkot diante de um dilema: buscar alianças com partidos menores, inclusive com os representantes árabes, ou arriscar um governo interino enquanto se prolongam as negociações. Até o momento, nenhum dos dois líderes sinalizou disposição para incluir partidos árabes em suas coligações.
A coalizão de Netanyahu costuma reunir partidos de direita, extrema‑direita e grupos ultraortodoxos, como o Otzma Yehudit, liderado por Itamar Ben‑Gvir, que pode chegar a nove cadeiras. Essa composição dificulta a aproximação com partidos que defendem direitos civis e maior inclusão dos árabes.
Eisenkot, por sua vez, tem buscado apoio entre centristas e alguns partidos religiosos moderados, mas também precisa lidar com a resistência de setores que veem a participação árabe como ameaça à agenda de segurança nacional.
Perspectivas e possíveis desdobramentos
Se nenhum dos blocos conseguir reunir os 61 assentos necessários, Israel pode enfrentar um período prolongado de negociações que, historicamente, tem levado a governos de curta duração ou até mesmo à convocação de novas eleições. O país já vivenciou cinco eleições entre 2019 e 2022 antes de Netanyahu finalmente formar uma maioria.
Outra possibilidade é a criação de um governo de transição, liderado por Netanyahu, que administraria o país enquanto as partes envolvidas buscam acordos. Essa solução, porém, depende da aceitação dos partidos menores e da pressão da sociedade civil por estabilidade.
Além das questões internas, o cenário externo – marcado pelos conflitos com o Hamas, a situação no Líbano e as tensões com o Irã – influencia diretamente a urgência de se chegar a um governo funcional. Tanto Netanyahu quanto Eisenkot enfatizaram a segurança como prioridade máxima em suas campanhas.
O futuro da política israelense, portanto, permanece incerto. Enquanto os partidos árabes ganham força no parlamento, a capacidade de Netanyahu ou Eisenkot de construir pontes políticas determinará se o país avançará rumo a um governo estável ou se será forçado a retornar às urnas.








