As urnas foram encerradas nesta terça‑feira, 27 de outubro de 2026, em Israel, marcando a primeira eleição geral desde o início da guerra na Faixa de Gaza. As pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais redes de televisão apontam para um impasse que impede a maioria clara no Knesset.
Contexto e importância da eleição
O pleito de 2026 representa um marco histórico, pois ocorre após meses de intensos conflitos envolvendo Gaza, Líbano e Irã. O eleitorado foi chamado a escolher os 120 deputados que compõem o parlamento israelense, conhecido como Knesset.
Com a participação recorde, os israelenses demonstraram preocupação tanto com a segurança nacional quanto com a estabilidade econômica. A votação refletiu a avaliação da população sobre a condução da guerra pelo governo e as políticas internas adotadas nos últimos anos.
Em Israel, a maioria requer pelo menos 61 assentos, o que significa que nenhum partido que concorra isoladamente pode governar. Essa regra torna a formação de coalizões inevitável e complexa, especialmente em um cenário de fragmentação partidária.
Desempenho dos principais candidatos
Benjamin Netanyahu, que lidera a coalizão de direita, viu sua popularidade cair devido a processos judiciais e a um mandado de prisão internacional. Apesar disso, ele ainda conta com uma base fiel que o considera o líder mais preparado para enfrentar os desafios de segurança.
Gadi Eisenkot, ex‑chefe das Forças Armadas, apresenta-se como alternativa de centro‑direita, enfatizando sua experiência militar e sua postura firme contra o Hamas. Ele também ganhou apoio ao destacar a perda pessoal de familiares na guerra.
As pesquisas de boca de urna indicam que nenhum dos dois candidatos deve alcançar os 61 assentos necessários para formar governo sem alianças. Netanyahu e Eisenkot parecem estar em desvantagem frente ao número crescente de partidos menores que podem se tornar “coringas” nas negociações.
Impacto dos partidos árabes e da extrema‑direita
Dois partidos árabes israelenses, Ra’am e o Partido Árabe Unido, podem conquistar um número recorde de cadeiras, entre 17 e 18, segundo as estimativas. Esse ganho pode dar a eles maior influência nas negociações de coalizão.
Ao mesmo tempo, a sigla da extrema‑direita Otzma Yehudit, liderada por Itamar Ben‑Gvir, mantém seu papel como parceiro de Netanyahu, embora as projeções apontem que não ultrapasse nove assentos. A presença de Ben‑Gvir no governo tem sido motivo de críticas internacionais.
Esses grupos, apesar de suas diferenças ideológicas, podem se tornar decisivos ao fornecer os assentos que faltam para alcançar a maioria parlamentar.
- Partidos árabes: Ra’am, Partido Árabe Unido
- Extrema‑direita: Otzma Yehudit
- Centros de esquerda: Meretz, Labor
Cenários possíveis para a formação do governo
Se Netanyahu conseguir consolidar apoio dos partidos da direita e da extrema‑direita, ele poderá permanecer como primeiro‑ministro de um governo interino, enquanto as negociações continuam.
Eisenkot, por sua vez, poderia buscar alianças com partidos centristas e alguns partidos árabes, criando uma coalizão que exclua a extrema‑direita. Esse caminho exigiria concessões em políticas de segurança e de economia.
Outra possibilidade é a formação de um governo de unidade nacional, onde partidos de diferentes espectros concordam em um mandato temporário para estabilizar o país antes de novas eleições.
O histórico recente mostra que Israel já passou por ciclos de eleições repetidas; entre 2019 e 2022, o país realizou cinco eleições antes de alcançar uma maioria estável.
Independentemente do cenário que se desenrole, a fragmentação política aumentará o peso das legendas menores, que poderão negociar benefícios legislativos em troca de apoio.
Especialistas alertam que a demora na formação de um governo pode gerar instabilidade econômica, afetar a confiança dos investidores e aprofundar o isolamento diplomático de Israel.
Enquanto isso, a comunidade internacional observa atentamente, especialmente os Estados Unidos e a União Europeia, que têm interesse em ver um governo capaz de retomar as negociações de paz e conter a escalada de violência na região.
Em resumo, a eleição de 2026 deixa Israel em uma encruzilhada: a necessidade de consolidar um governo funcional contra a realidade de um parlamento altamente fragmentado.








