As urnas de Israel abrirão amanhã para decidir o futuro do país, em uma disputa que tem atraído a atenção internacional. A eleição ocorre em meio a pesquisas extremamente apertadas, que não indicam um vencedor claro. O cenário político se desenrola em Jerusalém, capital onde o parlamento Knesset decide quem comandará o governo.
Contexto político e o desafio de alcançar a maioria
Israel adota um sistema parlamentarista, onde o primeiro‑ministro precisa garantir ao menos 61 dos 120 assentos do Knesset para formar governo. Nas últimas sondagens, o bloco oposicionista soma cerca de 52 deputados, enquanto o bloco governista, liderado por Benjamin Netanyahu, registra 50. Essa diferença mínima torna a negociação de coalizações imprescindível.
O bloqueio de 61 votos nunca foi atingido nas últimas eleições, o que obriga os líderes a buscar alianças com partidos menores. As negociações costumam envolver grupos religiosos, tanto asquenazes quanto sefarditas, que podem oferecer os votos decisivos em troca de políticas específicas. A falta de maioria clara aumenta a instabilidade e gera incerteza sobre a formação de um governo estável.
Principais atores e suas estratégias de campanha
Benjamin Netanyahu, quase 80 anos, apresenta-se como o guardião da segurança nacional e da identidade judaica. Sua campanha enfatiza a suposta fraqueza dos opositores e os acusa de serem vulneráveis aos inimigos de Israel, como o Irã. Em um gesto controverso, divulgou uma imagem gerada por inteligência artificial que retrata uma suposta explosão atômica sobre Tel Aviv, tentando mobilizar o eleitorado contra ameaças externas.
Do outro lado, o bloco oposicionista reúne partidos de centro‑esquerda a direita não religiosa, prometendo não se aliar aos dois partidos árabes que representam cerca de 20% da população. Contudo, há abertura para acordos implícitos que evitariam um voto de desconfiança ao governo. O principal nome da oposição é o general Gadi Eisenkot, veterano das Forças Armadas que perdeu familiares na guerra de Gaza.
Eisenkot, descendente de judeus marroquinos, ainda carece de experiência política, o que pode ser um obstáculo em negociações de coalizão. Sua imagem de líder militar contrasta com a trajetória internacional de Netanyahu, que estudou e trabalhou nos Estados Unidos, conferindo-lhe maior familiaridade com diplomacia externa.
Possíveis cenários pós‑eleição
Se nenhum dos blocos alcançar a maioria, diversas alternativas podem surgir. Uma possibilidade é a formação de um governo de união nacional, prática comum em momentos de crise existencial, embora improvável neste contexto. Outra opção seria a criação de uma coalizão com partidos ultrarreligiosos, como o Judaísmo Unido da Torá e o Shas, que já colaboraram com Netanyahu em governos anteriores.
Caso todas as tentativas de aliança fracassem, o país pode ser conduzido a novas eleições, prolongando a instabilidade política. Enquanto isso, a população israelense observa atentamente a capacidade dos líderes de responder às ameaças externas, especialmente após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1,2 mil pessoas.
- Netanyahu: 19 anos no poder, foco em segurança.
- Eisenkot: General experiente, pouca vivência política.
- Partidos ultrarreligiosos: potenciais aliados estratégicos.
- Partidos árabes: 20% da representação no Knesset.
O futuro de Israel dependerá, portanto, da habilidade dos protagonistas em negociar pactos que garantam a estabilidade governamental e a continuidade das políticas de defesa. A decisão dos eleitores amanhã definirá se o país seguirá sob a liderança de Netanyahu ou optará por uma mudança liderada por um novo rosto político.








