Na quarta‑feira, 28 de outubro de 2024, a contagem de votos nas eleições legislativas de Israel mostrou um cenário de empate técnico entre os principais blocos políticos, sem um vencedor definitivo à vista. Com cerca de 70% das cédulas já apuradas às 11h locais (6h em Brasília), o país se prepara para um período prolongado de negociações que pode se estender por semanas.
Cenário atual da votação
Os eleitores israelenses compareceram às urnas em número recorde, registrando a maior taxa de participação em pelo menos quatro décadas. Essa mobilização ocorreu pouco mais de um ano após o início da guerra na Faixa de Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. O clima de insegurança e a polarização política impulsionaram a população a buscar respostas nas urnas.
Com quatro milhões de votos contabilizados, os dois principais blocos – liderados pelo primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu e pelo ex‑chefe do Exército Gadi Eisenkot – ficaram praticamente empatados. Enquanto o bloco de Netanyahu manteve sua liderança nominal, o “bloco da mudança” de Eisenkot alegou ter conquistado a preferência do eleitorado por uma nova direção.
Distribuição de cadeiras no Knesset
O parlamento israelense, o Knesset, possui 120 cadeiras, sendo necessário atingir a maioria de 61 para governar. Até o momento da apuração, o bloco de Netanyahu controla 54 cadeiras, enquanto a oposição, composta pelo bloco da mudança e pelos partidos palestinos, soma 66 cadeiras, ainda que distribuídas entre diferentes siglas.
Os números detalhados são os seguintes:
- Bloco de Netanyahu (Likud + aliados de direita): 54 cadeiras
- Bloco da mudança (Eisenkot + aliados centristas): 47 cadeiras
- Partidos palestinos (lista conjunta, Ra’am e outros): 19 cadeiras
Essa configuração demonstra que nenhum dos blocos atingiu a maioria absoluta, o que abre espaço para alianças inesperadas e negociações intensas nos próximos dias.
Desafios para a formação de governo
Um dos principais obstáculos é a relutância de Eisenkot em integrar partidos árabes ao seu governo, apesar de a maioria dos assentos da oposição estar nas mãos de siglas palestinas. O ex‑chefe do Exército já sinalizou a possibilidade de aliar‑se ao Ra’am, partido árabe que incluiu um candidato judeu em sua lista, mas ainda não definiu se aceitará a “lista conjunta”, que adota uma postura mais assertiva em defesa dos direitos palestinos.
Do lado de Netanyahu, a queda de apoio aos aliados de extrema‑direita – Poder Judaico (Itamar Ben‑Gvir) e Sionismo Religioso (Bezalel Smotrich) – pode enfraquecer a capacidade de formar uma coalizão estável. Contudo, alguns desses aliados sugeriram que o primeiro‑ministro busque um acordo com Eisenkot e partidos centristas, criando uma frente mais ampla contra a oposição.
Perspectivas e possíveis desdobramentos
Se as negociações fracassarem, Israel pode ser obrigado a convocar um segundo turno eleitoral, procedimento já adotado em cinco ocasiões entre 2019 e 2022. Alternativamente, os líderes podem optar por um governo de unidade nacional, compartilhando cargos e políticas-chave para garantir a maioria necessária.
O crescimento significativo dos partidos palestinos – que quase dobraram sua representação – indica um aumento da participação cidadã árabe e pode pressionar os líderes a considerar acordos que incluam garantias de direitos civis e econômicos para a minoria. Essa dinâmica pode, por sua vez, influenciar a agenda de segurança e as negociações de paz na região.
Enquanto isso, Netanyahu continua a afirmar que o Likud permanece a maior força política do país, enfatizando a necessidade de um governo de direita forte. Eisenkot, por sua vez, mantém o discurso de mudança, alegando que o eleitorado rejeitou a continuidade do governo ultradireitista.
O cenário ainda está em constante evolução, e analistas apontam que as próximas semanas serão decisivas para determinar se Israel avançará rumo a um governo estável ou se enfrentará um novo ciclo de eleições e instabilidade política.








