Com apenas 11 dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificam suas estratégias finais. O presidente Lula pretende anunciar medidas contra as apostas esportivas, enquanto o candidato Flávio busca consolidar o voto útil entre eleitores de direita.
Medidas contra as apostas esportivas
A equipe econômica de Lula está confiante de que a divulgação de uma proposta de endurecimento ou proibição das apostas (bets) até o primeiro turno pode melhorar a avaliação do governo. A expectativa surge após a participação de Lula na Assembleia Geral da ONU, onde ele declarou que o Brasil “não vai mais tolerar esse modelo de negócio”.
Dentro da campanha, há duas linhas de ação. Uma delas defende a edição de uma medida provisória que suspenda imediatamente todas as operações de apostas no país. A outra propõe encaminhar ao Congresso um projeto de lei robusto, mesmo ciente de que o texto poderá ser suavizado pelos parlamentares.
Os grupos que a medida pretende atingir são:
- Operadoras internacionais que oferecem apostas sem licença nacional;
- Casas de apostas online que não cumprem as normas de proteção ao consumidor;
- Jogadores vulneráveis, sobretudo mulheres e famílias de baixa renda.
Ao destacar esses alvos, a campanha busca dialogar com eleitores evangélicos, mães de família e defensores da moral pública, segmentos tradicionalmente menos favoráveis ao PT.
Estratégia do voto útil de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro tem centralizado sua mensagem na chamada “defesa do voto útil”. O candidato pede que eleitores que pretendiam apoiar outros nomes da direita concentrem seus votos nele, para impedir a vitória de Lula no primeiro turno.
Pesquisas recentes da Quaest mostram que a soma dos candidatos que não são Lula nem Flávio caiu de 17% para 15% em duas semanas, indicando um movimento de convergência. A campanha usa esse dado para reforçar a ideia de que o voto útil pode mudar o resultado.
Nas redes sociais, Flávio tem publicado mensagens como “podemos ganhar no primeiro turno”, buscando mobilizar a militância a buscar eleitores de outros candidatos. O discurso também inclui críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de parcialidade contra o bolsonarismo.
Ataques e contragolpes nas campanhas
Lula e Flávio têm usado temas sensíveis para atacar o adversário. A campanha de Lula tem explorado a ligação de Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master, que financiou o filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro.
Segundo a Quaest, a associação de Flávio ao escândalo aumentou de 15% para 21% em uma semana, superando a margem de erro. Esse aumento indica que o tema ganhou força nas mentes dos eleitores.
Por outro lado, a campanha de Flávio tem intensificado a narrativa de que Lula está próximo do STF e do caso Master, tentando transformar a questão judicial em um ponto de crítica ao governo.
Recentemente, o jornal O Globo divulgou foto do procurador‑geral da República, Paulo Gonet, fumando charuto ao lado de Daniel Vorcaro. Flávio usou a imagem para acusar Lula de beneficiar elite econômica, dizendo que “enquanto Lula tira a esperança e a comida da mesa de milhões, seus aliados estão em Londres tomando uísque Macallan”.
Cenário nas pesquisas e expectativas para o segundo turno
A última pesquisa da Quaest, divulgada em 21 de setembro, mostrou que Lula e Flávio estão tecnicamente empatados tanto para o primeiro quanto para o segundo turno. Essa paridade reforça a importância das estratégias de última hora.
Além das medidas contra as apostas e do voto útil, ambas as campanhas pretendem reforçar suas bases com visitas a comunidades, encontros com lideranças religiosas e presença em programas de TV. O objetivo é consolidar a imagem de candidatos que supostamente defendem os interesses do povo.
Analistas políticos alertam que o resultado pode depender de fatores externos, como a decisão do STF sobre processos envolvendo membros da família Bolsonaro e a reação do mercado financeiro às possíveis restrições às apostas.
Em síntese, a reta final das eleições de 2026 no Brasil está marcada por uma disputa intensa entre duas frentes: a proposta de Lula de combater as apostas esportivas, buscando apoio de setores conservadores, e a estratégia de Flávio de concentrar o voto útil, ao mesmo tempo em que acusa o adversário de corrupção e conluio com o Judiciário.








