A concessionária EDP anunciou nesta terça‑feira (22) a antecipação do Plano Verão 2026/2027, visando proteger mais de 2,2 milhões de consumidores de Guarulhos, Alto Tietê, Vale do Paraíba e Litoral Norte contra eventos climáticos extremos. O anúncio foi feito no Centro de Operação Integrado (COI) em São José dos Campos, com a presença do diretor‑presidente de distribuição e da consultora da Climatempo. A medida responde à previsão de forte influência do fenômeno El Niño e ao risco crescente de temporais intensos na região.
Contexto climático e necessidade de antecipação
Especialistas apontam que o ciclo de El Niño pode intensificar chuvas, ventos fortes e descargas elétricas, aumentando a vulnerabilidade da infraestrutura de energia. A EDP, ao antecipar o plano, pretende reduzir o tempo de resposta e evitar interrupções que afetam residências, comércio e serviços essenciais. A decisão também reflete aprendizados de eventos passados, quando a falta de preparo gerou longas quedas de energia em áreas densamente povoadas.
Durante a apresentação, a consultora da Climatempo destacou que a combinação de alta umidade, temperaturas elevadas e ventos de até 80 km/h cria condições propícias para quedas de árvores e curtos‑circuitos. A concessionária, por sua vez, já possui modelos de simulação que permitem prever áreas de risco com antecedência, facilitando o deslocamento de equipes de manutenção antes mesmo da chegada das tempestades.
Tecnologia e automação como pilares de resiliência
Um dos avanços mais significativos é a expansão da tecnologia self‑healing, que já cobre cerca de 80 % dos clientes atendidos. Esse sistema identifica automaticamente falhas, isola trechos afetados e redireciona a energia por circuitos alternativos, reduzindo o tempo de interrupção de horas para minutos. Há oito anos, apenas 10 % dos consumidores se beneficiavam dessa solução, demonstrando a rapidez da modernização.
Além do self‑healing, a EDP implementou o Advanced Distribution Management System (ADMS) no COI em julho deste ano. A plataforma integra monitoramento, controle e operação da rede em um único ambiente, permitindo que operadores visualizem em tempo real a situação de cada subestação, identifiquem anomalias e tomem decisões de forma mais ágil. O ADMS também gera alertas automáticos para equipes de campo, otimizando a alocação de recursos humanos e materiais.
- Instalação de religadores automáticos: aumentou a capacidade de restabelecer energia sem intervenção manual.
- Expansão de redes protegidas: 313 km de cabos reforçados foram instalados entre janeiro e agosto de 2026.
- Monitoramento meteorológico avançado: integração com dados da Climatempo para antecipar intervenções.
- Investimento de R$ 5 bilhões entre 2025 e 2030, representando 30 % a mais que o ciclo anterior.
Manutenção preventiva e manejo da vegetação
A queda de árvores e galhos sobre a fiação continua sendo uma das principais causas de interrupções durante tempestades. Para mitigar esse risco, a EDP intensificou as ações de poda e limpeza de vegetação nas proximidades da rede. Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizadas mais de 137 mil podas e 113 mil m² de áreas foram limpas, reduzindo drasticamente a probabilidade de contato direto com linhas energizadas.
Além das podas, a empresa está substituindo cabos convencionais por redes protegidas em áreas críticas, como regiões de alta densidade arbórea. Essa substituição não só aumenta a resistência mecânica dos cabos, mas também diminui a necessidade de intervenções corretivas frequentes, gerando economia de longo prazo e maior confiabilidade para os consumidores.
Estrutura operacional e mobilização de equipes
O plano prevê a ampliação da estrutura operacional, com a criação de bases avançadas próximas a pontos estratégicos de risco. Essas bases permitem que equipes de manutenção cheguem rapidamente ao local da ocorrência, reduzindo o tempo de resposta de horas para poucos minutos. Em situações de alta severidade, a EDP pode multiplicar sua força de trabalho em até sete vezes, deslocando técnicos de outras regiões e acionando recursos adicionais.
Os critérios de prioridade durante grandes eventos seguem um protocolo rígido que coloca hospitais, unidades de saúde, serviços de segurança pública, escolas, creches e instituições de longa permanência para idosos como primeiros atendidos. Essa abordagem garante que os serviços essenciais mantenham o fornecimento de energia, minimizando impactos sociais e econômicos.
Investimentos futuros e impacto regional
Entre 2025 e 2030, a concessionária planeja investir R$ 5 bilhões nas cidades onde atua, reforçando subestações, ampliando a rede de telecomunicações própria e modernizando o parque de equipamentos. Atualmente, a EDP opera 86 subestações em 28 municípios, conectadas por uma rede de fibra óptica que assegura comunicação em tempo real entre o COI e os dispositivos de campo.
Esses investimentos são esperados para gerar milhares de empregos diretos e indiretos, além de melhorar a qualidade de vida dos habitantes ao garantir um fornecimento de energia mais estável e resiliente. A expectativa é que a modernização contribua para a atração de novos negócios e o desenvolvimento econômico da região metropolitana de São Paulo.
Em síntese, a antecipação do Plano Verão, aliada à automação avançada, ao reforço da infraestrutura e ao planejamento operacional detalhado, posiciona a EDP como uma das líderes em resiliência energética no Brasil. A iniciativa demonstra comprometimento com a segurança dos consumidores e com a sustentabilidade das operações diante das mudanças climáticas.








