O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursou na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas na quarta‑feira, 23 de setembro de 2026, abordando as acusações dos Estados Unidos e de Israel. Em seu pronunciamento, ele negou que o Irã seja um Estado terrorista e acusou os dois países de atingirem civis inocentes. O discurso ocorreu no plenário da ONU, em Nova Iorque, diante de representantes de mais de 190 nações.
Contexto da Assembleia Geral e a presença de Pezeshkian
A 78ª sessão da Assembleia Geral da ONU reuniu chefes de Estado, ministros e diplomatas para discutir questões globais, entre elas o conflito aberto entre Irã e Estados Unidos. O Irã tem sido alvo de sanções e críticas internacionais desde o início das hostilidades, que se intensificaram após ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel em fevereiro deste ano.
Masoud Pezeshkian, que assumiu a presidência do Irã em junho de 2026, foi convidado a falar no segundo dia da reunião, logo após uma rodada de negociações secretas entre representantes americanos e iranianos. A presença do líder iraniano foi vista como um sinal de que o país busca influenciar a opinião pública internacional e pressionar os EUA a reconsiderarem sua postura militar.
O plenário da ONU, tradicionalmente palco de declarações de paz e de condenação de violações de direitos humanos, serviu como cenário para um discurso que misturou retórica diplomática e críticas contundentes. A transmissão ao vivo alcançou milhões de espectadores ao redor do mundo, ampliando o alcance das alegações feitas por Pezeshkian.
Acusações e contra‑acusações entre Irã, EUA e Israel
Pezeshkian iniciou seu discurso refutando as afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Irã seria um Estado patrocinador do terrorismo. Ele destacou que o Irã tem cumprido seus compromissos internacionais e que as sanções impostas pelos EUA são ilegítimas e violam o direito internacional.
Em seguida, o presidente iraniano acusou os Estados Unidos e Israel de conduzir ataques indiscriminados contra alvos civis, incluindo escolas e hospitais. Ele citou relatos de organizações de direitos humanos que apontam dezenas de vítimas civis nos últimos meses, enfatizando que tais ações configuram crimes de guerra.
Para reforçar suas alegações, Pezeshkian apresentou evidências visuais, como fotografias de crianças feridas e de estruturas destruídas, que, segundo ele, foram atingidas por bombas americanas. Ele também ressaltou que a comunidade internacional tem o dever de investigar esses incidentes de forma imparcial.
O presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu às acusações em um pronunciamento posterior, afirmando que o Irã tem patrocinado grupos terroristas na região e que as ações militares são uma resposta legítima à agressão iraniana. Essa troca de acusações aumentou as tensões diplomáticas dentro da própria ONU.
Imagens e simbolismo no discurso iraniano
Durante o discurso, Pezeshkian exibiu um pôster do falecido líder supremo Ali Khamenei, que morreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia dos ataques coordenados dos EUA e Israel. O uso da imagem foi interpretado como um gesto de homenagem e de resistência, reforçando a narrativa de que o Irã está sob ataque externo.
Além do pôster, o presidente iraniano mostrou fotos de crianças de uma escola supostamente alvejada por bombas norte‑americanas. As imagens foram projetadas em uma tela gigante atrás do orador, gerando forte impacto visual entre os delegados presentes.
Especialistas em comunicação política destacam que o recurso a símbolos nacionais e a imagens de vítimas civis é uma estratégia para mobilizar a opinião pública e criar empatia internacional. Ao evocar o luto nacional, Pezeshkian buscou posicionar o Irã como uma vítima de agressão injustificada.
O uso de tais recursos visuais também serviu para contrapor a narrativa americana, que costuma enfatizar a luta contra o terrorismo. Ao colocar o sofrimento civil em primeiro plano, o Irã tentou redefinir a agenda da discussão dentro da ONU.
Perspectivas para a negociação de paz
Um dia antes do discurso, o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, encontrou‑se com o chanceler iraniano, Abbas Aragchi, em sessões de três horas que visavam explorar caminhos para o fim das hostilidades. Embora nenhum detalhe tenha sido divulgado, a presença de Pezeshkian no plenário indica que o Irã pretende usar a arena internacional para pressionar por concessões.
Analistas de relações internacionais apontam que a negociação ainda está em estágio preliminar, com ambas as partes mantendo posições firmes. Enquanto os EUA exigem a desativação de programas nucleares iranianos e o fim do apoio a grupos militantes, o Irã busca o fim das sanções econômicas e o reconhecimento de sua soberania.
O discurso de Pezeshkian também incluiu um apelo direto à comunidade internacional, pedindo que a ONU intervenha como mediadora imparcial e que sejam realizadas investigações independentes sobre os ataques civis. Ele sugeriu que um comitê especial da ONU poderia supervisionar um cessar‑fogo temporário.
Até o momento, a resposta das nações europeias tem sido cautelosa, com alguns países pedindo um retorno à mesa de negociação e outros reiterando apoio às sanções contra o Irã. O futuro das negociações dependerá, em grande parte, da disposição dos EUA em aceitar um diálogo que inclua garantias de segurança para o Irã.
Em síntese, o discurso de Masoud Pezeshkian na Assembleia Geral da ONU marcou um ponto de inflexão nas relações diplomáticas entre Irã, Estados Unidos e Israel. Ao combinar argumentos políticos, evidências visuais e apelos à comunidade internacional, o presidente iraniano buscou redefinir o debate sobre o conflito e abrir espaço para possíveis acordos de paz.
- Data e local: 23 de setembro de 2026, Nova Iorque.
- Principais acusadores: Donald Trump (EUA) e governo israelense.
- Reação iraniana: Negação de terrorismo e denúncia de ataques civis.
- Elementos simbólicos: Pôster de Ali Khamenei e imagens de crianças feridas.
- Próximos passos: Negociações secretas entre EUA e Irã e possível intervenção da ONU.








