Na manhã desta sexta-feira (18), o dólar iniciou a sessão em queda de 0,10%, sendo negociado a R$ 5,1337. O movimento ocorreu antes da abertura oficial da bolsa, que começa às 10h, e foi influenciado por fatores internos e externos ao país.
Cenário doméstico: reajuste do Bolsa Família e impactos fiscais
Investidores acompanham de perto o anúncio do governo federal de um reajuste de 15% no Bolsa Família, divulgado na véspera. A medida, que elevará o benefício médio de R$ 675 para R$ 777, entra em vigor nos pagamentos a partir de 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais.
O Ministério do Planejamento estima que o custo imediato da alteração será de R$ 5,8 bilhões em 2024, projetando um impacto de R$ 22,7 bilhões nas despesas públicas até 2027. Esse acréscimo ao orçamento gera preocupação entre economistas, que temem pressões inflacionárias e possíveis elevações de juros.
Os analistas ressaltam que o ajuste pode ser percebido como uma estratégia eleitoreira, embora a equipe econômica do governo negue qualquer vínculo com a disputa de 2026. Eles argumentam que o aumento busca apenas repor a perda de poder de compra acumulada desde o início da gestão de Lula até agosto deste ano.
O benefício revisado deve alcançar 19,3 milhões de famílias, representando um alívio significativo para a população mais vulnerável. Contudo, apoiadores de Flávio anunciaram que pretendem acionar a Justiça Eleitoral, alegando uso indevido de recursos públicos para ganho político.
- Custo imediato: R$ 5,8 bilhões em 2024;
- Projeção a longo prazo: R$ 22,7 bilhões até 2027;
- Beneficiários: 19,3 milhões de famílias;
- Valor do benefício: de R$ 675 para R$ 777;
- Reação política: críticas e possíveis ações judiciais.
Influência dos preços internacionais do petróleo
No cenário externo, os preços do petróleo recuaram nesta sexta-feira, aliviando temores de interrupções no abastecimento. A Arábia Saudita ofereceu volumes adicionais da commodity por meio do Omã, contribuindo para a estabilização do mercado.
Essa redução nos preços do crúmen tem reflexos diretos na balança comercial brasileira, já que o país é um grande importador de petróleo. Menores custos de importação podem melhorar a conta corrente e reduzir pressões inflacionárias internas.
Especialistas apontam que a queda do petróleo pode favorecer o real frente ao dólar, embora o efeito ainda seja moderado diante de fatores domésticos como o ajuste do Bolsa Família. O cenário de oferta abundante, aliado à ausência de conflitos geopolíticos imediatos, sustenta a tendência de manutenção dos preços em patamares mais baixos.
Movimentação dos mercados globais e expectativas de política monetária
Na Ásia, a maioria dos índices acionários encerrou a sexta-feira em alta, refletindo a expectativa de uma reunião entre os presidentes da China e dos Estados Unidos na próxima semana. O encontro é visto como crucial para a estabilidade das cadeias de suprimentos e para a confiança dos investidores.
O Banco do Japão surpreendeu ao elevar a taxa básica de juros, medida que também ficou no radar dos analistas. Essa decisão rompeu a política de juros ultra baixos que vigora no país há mais de uma década.
Os principais índices chineses registraram ganhos: o SSEC subiu 0,94% e o CSI300 avançou 1,06%. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,60%, enquanto o Nikkei japonês teve alta de 1,38% e o Kospi sul-coreano valorizou 2,66%.
Esses movimentos reforçam a ideia de que os mercados globais estão em um estado de espera cautelosa, avaliando tanto os desdobramentos políticos quanto as políticas monetárias adotadas pelos principais bancos centrais.
Para os investidores brasileiros, a combinação de fatores – reajuste do Bolsa Família, queda do preço do petróleo e a dinâmica dos mercados internacionais – cria um cenário complexo. A atenção permanece voltada para os próximos dados econômicos domésticos e para a evolução das negociações políticas que podem influenciar a trajetória do real e do dólar nos próximos dias.








