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Diretor do Paraná Pesquisas acusa fraude nas pesquisas que consideram abstenção

Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisas, denunciou nesta sexta‑feira, em Curitiba, a prática de usar dados de abstenção para ajustar resultados de sondagens eleitorais. O especialista afirmou que a técnica pode transformar pesquisas em verdadeiras apostas. A crítica surge em meio à disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2024.

Contexto da polêmica

Hidalgo lidera um dos principais centros de pesquisa de opinião do sul do Brasil, conhecido por suas metodologias rigorosas e transparência nos processos. Recentemente, um grande instituto contratado por um veículo de imprensa divulgou uma pesquisa que incluía a ponderação de eleitores que possivelmente não compareceriam às urnas.

Segundo o diretor, a decisão de considerar a abstenção como fator de correção “é fraude” porque a taxa de não comparecimento é altamente volátil e depende de múltiplos fatores externos. Ele destacou que a imprevisibilidade da abstenção impede qualquer tentativa de modelagem precisa.

Em entrevista, Hidalgo afirmou: “Fazer ponderação em pesquisas sobre quem vai votar ou não, é fraude. Abstenção é imprevisível. Não se pode considerar”. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa que reuniu jornalistas de diversos veículos.

O argumento central do diretor é que, ao incluir a abstenção, os institutos criam margem para ajustar resultados conforme interesses específicos, o que compromete a credibilidade das sondagens. Ele alertou que essa prática pode ser usada para “colocar o resultado que quiser” sem que haja fundamento estatístico sólido.

Impacto das metodologias de abstenção

Alguns institutos defendem a inclusão da abstenção como forma de aproximar os números das pesquisas aos resultados das urnas eletrônicas, alegando que a taxa de comparecimento influencia diretamente a distribuição de votos. Eles argumentam que, ao modelar cenários com diferentes níveis de participação, é possível oferecer previsões mais realistas.

No entanto, críticos apontam que a taxa de abstenção varia de acordo com fatores como clima, mobilização de campanhas, questões de segurança e até mesmo eventos inesperados. Essa variabilidade torna qualquer projeção baseada em supostos níveis de comparecimento altamente especulativa.

Ao adotar essa lógica, os institutos ganham liberdade para apresentar diferentes cenários, o que pode confundir o eleitorado e favorecer narrativas partidárias. Essa flexibilidade, segundo Hidalgo, abre caminho para manipulação de dados.

Os principais riscos associados ao uso da abstenção nas pesquisas incluem:

  • Distorsão dos resultados reais devido a estimativas incertas.
  • Perda de confiança do público nas instituições de pesquisa.
  • Possibilidade de uso político para influenciar a percepção de vitória ou derrota.

Além disso, a prática pode gerar um efeito de retroalimentação, onde campanhas ajustam suas estratégias com base em previsões que já foram manipuladas, criando um ciclo vicioso de desinformação.

Reações e implicações para o segundo turno

A controvérsia chegou ao segundo turno, onde as margens entre Flávio Bolsonaro e Lula se estreitaram nas últimas semanas. As pesquisas divergentes têm alimentado um clima de incerteza, dificultando a leitura clara da intenção dos eleitores.

Especialistas em ciência de dados alertam que a multiplicidade de metodologias pode levar a interpretações equivocadas, especialmente quando os resultados são divulgados sem a devida contextualização. “O público precisa entender que uma pesquisa é um retrato momentâneo, não uma certeza absoluta”, explicou uma professora de estatística da Universidade Federal do Paraná.

Vários veículos de imprensa começaram a adotar notas de rodapé explicando as limitações das pesquisas que incluem a abstenção, na tentativa de oferecer maior transparência ao leitor.

Do lado institucional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não se pronunciou oficialmente sobre a legalidade da prática, mas indicou que monitorará de perto as metodologias utilizadas nas semanas que antecedem a votação.

Para os candidatos, a situação representa um desafio adicional: comunicar suas propostas sem depender de números que podem ser questionados por sua própria validade. Estratégias de campanha têm se focado em mobilizar eleitores nas redes sociais, buscando reduzir a própria taxa de abstenção.

Os analistas recomendam que jornalistas e consumidores de notícias adotem uma postura crítica ao consumir pesquisas, verificando a fonte, a amostra e, sobretudo, se a margem de erro inclui a consideração da abstenção.

Em síntese, a denúncia de Hidalgo levanta questões fundamentais sobre a ética nas pesquisas eleitorais e a necessidade de padrões claros que garantam a confiabilidade dos dados divulgados ao público.

Com a reta final das eleições se aproximando, a pressão para que os institutos adotem metodologias mais transparentes deve aumentar, sob risco de perder credibilidade perante um eleitorado cada vez mais atento.

O futuro das pesquisas eleitorais no Brasil pode passar por uma revisão normativa que limite ou regulamente o uso da abstenção como variável de ajuste, assegurando que os resultados reflitam, tanto quanto possível, a realidade do voto.

Enquanto isso, o debate continua aberto, e a sociedade civil é chamada a participar ativamente, exigindo clareza e responsabilidade de quem produz e divulga essas informações.

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