No sábado, 17 de outubro, a São Paulo Fashion Week encerrou sua programação com um espetáculo que misturou moda, música e diversidade cultural. A marca baiana Dendezeiro foi a responsável pelo grande fechamento, apresentando uma passarela repleta de artistas da cena pop, rap e hip‑hop.
A fusão entre moda e música na passarela
A presença de nomes internacionais e nacionais criou um diálogo vibrante entre duas indústrias que, historicamente, se alimentam mutuamente. Quando Normani, ex‑integrante do Fifth Harmony, subiu ao palco, a plateia sentiu imediatamente a energia de um show global, reforçando a projeção internacional da grife.
Karol Conká, Duquesa, Ajuliacosta e Veigh completaram o quadro, representando diferentes gerações e estilos da música brasileira. Cada artista trouxe sua identidade única, provocando uma troca constante entre ritmo, movimento e vestuário.
Essa estratégia de reunir músicos de vertentes distintas tem se tornado uma tendência nas principais semanas de moda do mundo. Ao integrar performances ao vivo, a Dendezeiro elevou a experiência sensorial do público, transformando a passarela em um verdadeiro festival cultural.
- Normani: projeção internacional e pop contemporâneo.
- Karol Conká: rap feminino e força da cultura afro‑brasileira.
- Duquesa: soul e R&B com raízes brasileiras.
- Ajuliacosta: rap consciente e poesia urbana.
- Veigh: hip‑hop experimental e batidas eletrônicas.
O impacto cultural da Dendezeiro no SPFW
A Dendezeiro tem se destacado por explorar referências da cultura brasileira e valorizar a diversidade em cada coleção. No desfile, as roupas foram acompanhadas por coreografias que homenageavam rituais afro‑descendentes, simbolizando a conexão profunda entre identidade e vestuário.
Os estilistas da marca escolheram tecidos locais, como o algodão orgânico do Nordeste, e combinaram cores que remetem ao carnaval, ao candomblé e às paisagens tropicais. Essa escolha não apenas reforça o compromisso com a sustentabilidade, mas também celebra a riqueza das tradições regionais.
Ao transformar a passarela em um palco de celebração cultural, a Dendezeiro enviou uma mensagem clara: a moda pode ser um veículo poderoso para narrativas sociais, políticas e artísticas. O público, composto por compradores, imprensa e influenciadores digitais, recebeu o espetáculo como um convite à reflexão sobre a pluralidade do Brasil.
A nova identidade da grife baiana
Na semana anterior ao desfile, a Dendezeiro revelou uma nova identidade visual, marcando um momento de renovação estratégica. O logotipo foi simplificado, adotando tipografia moderna e cores mais vibrantes, enquanto a linguagem visual passou a enfatizar a interseção entre tradição e contemporaneidade.
Essa mudança reflete a ambição da marca de se posicionar não apenas como produtora de roupas, mas como curadora de experiências culturais. O novo posicionamento foi reforçado durante o desfile, quando as modelos desfilaram com peças que mesclavam silhuetas clássicas e cortes futuristas.
Além disso, a Dendezeiro anunciou parcerias com artistas plásticos e designers de joias, ampliando seu portfólio e criando coleções cápsula exclusivas. Essas colaborações reforçam a estratégia de diversificação e ampliam o alcance da marca nos mercados nacional e internacional.
O futuro da moda brasileira e a diversidade
O sucesso do desfile da Dendezeiro sinaliza uma mudança de paradigma na indústria da moda brasileira. Cada vez mais, grifes emergentes utilizam a passarela como palco para discussões sobre identidade, representatividade e inclusão.
Ao colocar artistas de diferentes gêneros musicais ao lado de modelos de variadas etnias e corpos, a marca demonstra que a moda pode ser um reflexo fiel da sociedade. Essa abordagem tem atraído consumidores mais conscientes, que buscam marcas alinhadas a valores sociais.
Especialistas apontam que essa tendência deve se consolidar nos próximos anos, com mais desfiles incorporando performances ao vivo, instalações artísticas e narrativas interativas. A Dendezeiro, ao liderar esse movimento, posiciona-se como referência para outras casas de moda que desejam inovar sem perder a essência cultural.
Em resumo, o fechamento da SPFW com a apresentação da Dendezeiro não foi apenas um espetáculo visual, mas um manifesto de que moda, música e diversidade caminham juntas rumo a um futuro mais inclusivo e criativo. O público saiu da passarela inspirado, lembrando que a criatividade não tem limites quando se abraça a riqueza cultural do Brasil.








